Localizada na região central de Campinas, a Rua Ferreira Penteado mantém, em seus 1,5 mil metros de extensão, características originais. Além da presença de diversos prédios históricos, a via possui a mesma largura inicial, mesmo após o Plano Urbanístico Prestes Maia, que remodelou o Centro da cidade na década de 30. A rua, no entanto, não ficou ilesa às mudanças. Como é de costume, o decorrer do tempo trouxe alterações, seja em sua extensão, já que inicialmente era composta apenas pela quadra entre a Avenida Francisco Glicério e a Rua Barão de Jaguara, seja pelas diversas denominações que já recebeu. A mudança nas denominações se deve, principalmente, a influências externas. Quando surgiu, a via era popularmente conhecida como Rua do Carmo, em referência a uma importante via da capital do império, na época, o Rio de Janeiro. A nomenclatura permaneceu a mesma até 1846, após a primeira visita do Imperador Dom Pedro I à cidade. De Rua do Carmo, transformou-se em Rua do Pórtico. A visita do imperador A visita de Dom Pedro I a Campinas marcou a história da cidade. Além das festividades, o evento trouxe novidades no cenário campineiro. Um exemplo está na esquina da Rua Ferreira Penteado com a Avenida Francisco Glicério. O local em questão foi o escolhido para a construção de um pórtico, ou seja, um portal de entrada para a cidade. Construído em madeira e com bandeiras do Império, o arco passou a ser referência na via, que passou a ser chamada pela população como Rua do Pórtico. De forma gradativa, a nova denominação passou a ser cada vez mais utilizada e, consequentemente, a Rua do Carmo caiu no esquecimento. Diante disso, em 1848, a Câmara Municipal aceitou a mudança e determinou que a via passaria a ser denominada, oficialmente, como Rua do Pórtico. A homenagem Em 1881, a via sofreu mais uma alteração: dessa vez, a homenagem estava concentrada nos importantes serviços prestados pelo Comendador Joaquim Ferreira Penteado, o Barão de Itatiba. A construção de uma escola para a população campineira foi o principal motivo para que Barão de Itatiba recebesse a homenagem em uma das vias da cidade. Localizada na esquina da, até então, Rua do Pórtico com a Rua Regente Feijó, a Escola Ferreira Penteado, popularmente conhecida por “Escola do Povo”, era destinada à comunidade mais carente da cidade. Com ensino de boa qualidade e de forma gratuita, todas as despesas eram pagas pelo próprio fundador. A escola foi inaugurada em 1880, suprindo de maneira significativa a falta de vagas necessárias na rede pública de ensino. Diante dos serviços prestados pelo Barão de Itatiba à população, em 1881 foi determinada nova mudança na denominação da via: a antiga Rua do Pórtico passou a ser chamada, oficialmente, como Rua Ferreira Penteado. O Palácio dos Azulejos Construído com azulejos portugueses, cristais belgas, lustres franceses e mármores italianos, o luxuoso Palácio dos Azulejos era a moradia da família Ferreira Penteado. Conhecido, também, como Solar do Barão de Itatiba, o local foi edificado bem em frente à Escola do Povo, ou seja, na outra esquina com a Rua Regente Feijó. Internamente, o palácio abrigava duas residências distintas. A intenção era ficar o mais próximo possível do principal projeto da família. Em 1908, com a saída dos herdeiros do Barão, o Palácio dos Azulejos foi utilizado para ser a sede oficial da Prefeitura Municipal de Campinas. A partir de 1968, após reformas, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (SANASA), passou a se instalar no prédio até 1995, quando se transferiu para a sede atual na Avenida da Saudade. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (CONDEPACC), o prédio está sob o controle da Secretaria Municipal da Cultura, passando a abrigar o Museu da Imagem e do Som e parte do Arquivo Municipal. O jornal periódico Foi na esquina das ruas Ferreira Penteado (então, Rua do Pórtico) com a Irmã Serafina que se instalou a tipografia do primeiro jornal periódico de Campinas. Denominado como Aurora Campineira, o impresso foi inaugurado em 1858. A idéia inicial, no entanto, era direcionada para a produção de informes publicitários do comércio local. Com o crescimento, também, da população da cidade, que, no momento, alcançava 7 mil habitantes, passou a ser produzido, também, o jornal informativo. Além das notícias, os irmãos Theodoro, fundadores do jornal, usavam o meio para críticas e denúncias. Por esse motivo, sofreram perseguições e diversos processos. Com 120 assinantes, o jornal Aurora Campineira manteve suas atividades por apenas dois anos. O Barão de Itatiba O Comendador Joaquim Ferreira Penteado ganhou o título de barão em 1882, passando então a ser conhecido como Barão de Itatiba. Pela importância na história da cidade e respeito adquirido, era chamado, também, de O Ferreira Velho. Um dos maiores fazendeiros da região, Barão de Itatiba nasceu na vila de São Roque em 1808 e veio para Campinas ainda jovem. Curiosidades – Na esquina da Ferreira Penteado com a Rua José Paulino instalou-se o primeiro quartel de corpo de bombeiros da cidade. – Também no mesmo local, a primeira Igreja Metodista de Campinas marcou o inicio das atividades da nova religião na cidade. – Em frente à Praça Nove de Julho, a presença de um bebedouro transformou o local em um estacionamento de carroças de transportes das cargas geradas pela Estação Ferroviária e depois os primeiros caminhões. – Por influência da imigração européia no início do Século XX, foi criado, em 1905, o Coliseu Taurino Campineiro para apresentações de toureiros reconhecidos nacionalmente. O local ficava instalado na esquina com a Rua Antônio Cezarino. Apoio à pesquisa: Wagner Paulo dos Santos Fontes: www.canaldaimprensa.com.br
Autor: Juliana Ferreira
Via, no Centro, homenageia General ‘que não cochilava em serviço’
O sucesso e o bom desempenho do Brasil na Guerra do Paraguai renderam diversas homenagens aos guerrilheiros e aos nomes dados às batalhas em todo o país. O mesmo aconteceu em Campinas, uma dessas homenagens está na área central da cidade, com a denominação da Rua General Osório. Desde 1816, a via era conhecida como Rua das Casinhas por abrigar, na esquina com a Rua Barão de Jaguará, um mini-mercado municipal com vários boxes, onde era vendido todo tipo de alimento. No entanto, logo após as festas em comemoração ao término da Guerra do Paraguai, em 1870, a via recebeu a atual denominação. A homenagem foi feita em vida ao general. Quem foi General Osório? Manoel Luís Osório ingressou no Exército em 1824. Passando pelos cargos de tenente, capitão, major, coronel e brigadeiro. Foi, também, deputado provincial, senador do Império, Marechal de Exército e ministro da guerra. Dentre as batalhas, General Osório participou da Guerra da Tríplice Aliança, da Revolução Farroupilha (1835-1845) e do Exército Brasileiro que participou da Guerra do Paraguai (1865-1870). Uma história curiosa sobre General Osório aconteceu em um evento da corte. Ao perceber que D. Pedro II cochilava e não prestava atenção nos discursos dos ministros, deixou sua arma cair no chão. O imperador, assustando com o barulho disse: “Acredito que o senhor não deixava cair suas armas quando estava no Paraguai, marechal”. General Osório, por sua vez, retrucou: “Não, majestade, mesmo porque lá nós não cochilávamos em serviço.” Do passado aos dias atuais Em seus 2300 metros de extensão, a General Osório tem, atualmente, um fluxo de 8 mil veículos/dia em horários de pico, recebendo 34 linhas do Sistema InterCamp. Com início na Rua Doutor Ricardo e seguindo até a Rua Maria Monteiro, a via já passou por diversas modificações. Durante o Plano de Urbanismo Prestes Maia, a área central da cidade passou a ter ruas ampliadas para melhorar o trânsito de pedestres e veículos. Em 1956, foram demolidos 66 prédios e a Igreja do Rosário. Na General Osório não foi diferente. Apesar do alargamento ter acontecido apenas em alguns trechos da via, prédios históricos, como a sede da Associação Campineira de Imprensa, tiveram algumas alas destruídas. Palácio da Mogiana Localizado no quarteirão composto pela Rua Visconde do Rio Branco, Avenida Campos Salles e Rua General Osório, o Palácio da Mogiana foi construído no final do século XIX para servir de sede à Companhia Mogiana de Estrada de Ferro. Em estilo neoclássico, o prédio não mantém as características originais. Com o Plano Prestes Maia, em 1953, uma das alas do Palácio foi demolida para o alargamento da Avenida Campos Salles. Em 1998, o prédio foi tombado pelo Condepacc e pelo Condephaat. Como a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro ficou instalada até a década de 1960, o prédio já foi utilizado, também, pelo museu Histórico-Pedagógico Campos Salles, Delegacia Regional de Cultura, Rádio e Televisão Cultura, o Museu Campos Sales e o Museu Puc-Campinas. Após passar por um processo de restauração, em uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, o prédio abriga hoje a Secretaria de Trabalho e Renda da Prefeitura de Campinas. As velhas salas de cinema no Centro A Rua General Osório já recebeu importantes espaços para o lazer da população. Na esquina com a Avenida Anchieta, o Cine Voga era utilizado, principalmente, pelos estudantes da Escola Carlos Gomes. Inaugurado em 1941, o cinema passou por reformas e, para “inovar” mudou a denominação para Cine Jequitibá, em 1969. Com as mesmas características iniciais, funcionou até 2004. Já na esquina com a Regente Feijó, instalou-se o último cinema a ser construído na área central e o último a ser demolido. O Cine Windsor foi construído na década de 1950 e, por sua grande imponência, era freqüentado pela elite da cidade. Com um saguão em mármore e carpetes vermelhos, o cinema já chegou a ter 1,8 poltronas. Era ali que aconteciam grandes lançamentos cinematográficos da época. Nele, as pessoas iam para ver e serem vistas. De propriedade da Irmandade de Misericórdia de Campinas, o cinema mudava suas características principais com a troca na administração. Em 2006, o prédio foi lacrado pela Prefeitura. Tradição: a Banca do Alemão Uma das principais referências localizada no Largo do Rosário, a Banca do Alemão está na General Osório desde 1959. Ademir Falsarella, 57, conta que o pai veio para Campinas com 19 anos. Após trabalhar de vendedor de jornais e revistas dentro do trem, Alemão (apelido que ganhou por suas características físicas) ganhou a banca do ex-patrão. Falsarella, que ajudou o pai no comércio desde os sete anos, continuou com a tradição da família. Morador da Avenida Francisco Glicério, Falsarella vai até a banca, todos os dias, a pé. “Pelo tempo que estou aqui, todos já me conhecem. Passo pela rua brincando e conversando com o pessoal.”, afirma. Hoje, Falsarella tem a ajuda dos três filhos. A Banca do Alemão funciona de segunda à sexta-feira, das 5 às 23 horas; e, aos domingos, das 5 às 21 horas. Homenagem: o busto de Leopoldo do Amaral Já na Praça Imprensa Fluminense, conhecida, também, como Centro de Convivência, está o busto de Leopoldo de Amaral, desde 1956, bem próximo à General Osório. Campineiro, Leopoldo foi historiador e jornalista. E teve sua obra reconhecida em razão dos inúmeros artigos e crônicas escritos para jornais e diversos livros publicados, principalmente, relacionados à história da cidade. Apoio à pesquisa: Wagner Paulo dos Santos Fontes: http://www.centrodememoria.unicamp.br/ http://www.historiabrasileira.com/biografias/general-osorio/
SIU garante acesso do usuário aos shoppings
Basta novembro chegar para que a população já comece a pensar onde aplicar a primeira parcela do 13º Salário, programada para o final do mês. E o reflexo da injeção de recursos na economia pode ser visto, sobretudo, na corrida às compras do final de ano. O comércio na área central começa a se preparar para esticar o horário de funcionamento e os shoppings centers entram em plena temporada da superlotação. A palavra de ordem da época é, sem dúvida, consumir; mas até quem não que botar a mão no bolso não resiste aos passeios para conferir as tradicionais decorações, que também chamam a atenção. Para facilitar o acesso aos principais shoppings de Campinas, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) disponibiliza o Sistema de Informação ao Usuário (SIU), que mostra como chegar aos locais utilizando o transporte público e o Bilhete Único. Campinas conta, atualmente, com seis shoppings, incluindo o maior da América Latina, e o Sistema InterCamp garante acesso a todos eles, com a vantagem do Bilhete Único permitir a integração das linhas, no caso da necessidade de pegar mais de um ônibus. Use o Sistema de Informação para chegar Para saber qual é a linha mais adequada para chegar ao cinema escolhido, é só acessar o site da EMDEC, no endereço www.emdec.com.br. O Sistema de Informação (Horários e Itinerários de ônibus) está localizado na página principal, na coluna à direita, abaixo da ferramenta de busca. Com ele, fica fácil identificar as linhas que o usuário tem à disposição, a partir de informações como ponto de origem e destino. O usuário também pode conseguir a relação de horários das viagens, que o sistema gera especificando quais delas são feitas com veículos acessíveis, e quais os pontos de parada que ele deverá utilizar para acessar sua linha. Ainda assim, se o usuário não souber informar qual o endereço exato do seu destino, a pesquisa ao Sistema de Informação será garantida. É só selecionar pontos de referência, como escolas, faculdades, hospitais, postos de saúde, shopping centers, cinemas e teatros, entre outros. Para encontrar o caminho direto aos shoppings, basta digitar o ponto de saída no campo “Local de Origem”, e depois selecionar em “Local de Destino” as palavras “CULTURA – Cinema” no campo “Tipo de Local”. O sistema vai gerar as opções em Campinas e aí é só escolher. Confira as linhas que levam você para os shoppings da cidade: Linhas para o Parque Shopping Dom Pedro: – 1.16 – Terminal Ouro Verde / Shopping Dom Pedro – 1.71 – Campinas Shopping / Shopping Dom Pedro – 2.10 – Terminal Campo Grande / Barão Geraldo via Shopping Dom Pedro – 2.40 – Jardim Garcia / Shopping Dom Pedro – 2.44 – Vila Teixeira / Shopping Dom Pedro – 2.66 – Parque São Jorge / Unicamp via Shopping Dom Pedro – 3.00 – Sousas / Barão Geraldo via Shopping Dom Pedro – 3.38 – Terminal Barão Geraldo / Shopping Iguatemi – 3.64 – São Fernando / Vila Miguel Vicente Cury – 3.71 – Parque Prado / Shopping Dom Pedro – 3.81 – Shopping Iguatemi / Shopping Dom Pedro Linhas para o Shopping Unimart: – 2.10 – Terminal Campo Grande / Barão Geraldo via Shopping Dom Pedro – 2.11 – Terminal campo Grande / Shopping Iguatemi – 2.12 – Terminal campo Grande / Corredor Central – 2.18 – Novo Maracanã / Terminal Central – 2.20 – Terminal Campo Grande / Contra Rótula – 2.21 – Jardim Satélite Íris IV – 2.22 – Jardim Florence – 2.23 – Jardim Satélite Íris III – 2.29 – Jardim Florence II – 2.30 – Jardim Ipaussurama – 2.31 – Jardim Satélite Íris I – 2.40 – Jardim Garcia / Shopping Dom Pedro – 2.41 – Vila Padre Manoel da Nóbrega – 2.42 – Jardim Miranda – 2.49 – Parque dos Eucaliptos – 3.07 – Interbairros – 3.08 – Interbairros Linhas para o Campinas Shopping: – 1.22 – Terminal Vida Nova – 1.71 – Shopping Campinas / Shopping Dom Pedro – 3.82 – Shopping Campinas / Cambuí – 4.16 – Jardim Petrópolis / Corredor Central Linhas para o Shopping Parque Prado: -3.44 – Estação Parque Prado -3.48 – Vila Marieta / Estação Cidade Judiciária -3.71 – Parque Prado / Shopping Dom Pedro -3.77 – Vila Marieta / Shopping Dom Pedro -3.78 – Carrefour Valinhos / Shopping Iguatemi -4.08 – Parque Jambeiro Linhas para o Shopping Iguatemi: -1.25 – Terminal Ouro Verde / Shopping Iguatemi -2.11 – Shopping Iguatemi -2.49 – Parque dos Eucaliptos -2.60 – Shopping Iguatemi -3.07 – Interbairros -3.08 – Interbairros -3.78 – Carrefour Valinhos / Shopping Iguatemi -3.81 – Shopping Dom Pedro / Shopping Iguatemi -3.83 – Leroy Merlin -3.85 – Shopping Iguatemi E a linha que dá acesso ao Shopping Galleria: -3.00 – Sousas / Terminal Barão Geraldo -3.69 – Parque Imperador Mais informações podem ser obtidas, ainda, no Disque CIMCamp, pelo telefone 3772-1517.
Av. Ayrton Senna une a rivalidade no futebol de Campinas
As homenagens nas vias de Campinas não se limitam a antigos personagens que viveram na cidade ou que tiveram importância política para a região em séculos passados. Um caso específico, localizado no bairro Proença, relembra um dos maiores ídolos da história brasileira: Ayrton Senna da Silva. Com cerca de 500 metros de extensão, a Avenida não está entre as maiores e mais movimentadas da cidade, porém, apresenta um diferencial exclusivo. Denominada, até 1994, como Avenida dos Esportes, a Ayrton Senna está, exatamente, entre os estádios dos dois maiores clubes de Campinas. Entre os estádios Moisés Lucarelli e Brinco de Ouro da Princesa, a Avenida é utilizada pelos torcedores que não perdem um jogo de seus times. De um lado, o preto e o branco da Ponte Preta Com 110 anos, a Associação Atlética Ponte Preta é o clube em atividade mais antigo do país, fundado em 1900, por um grupo de adolescentes do bairro de mesmo nome. A denominação, por sua vez, era referência a uma ponte de madeira, enegrecida de alcatrão, próxima ao campo onde os meninos jogavam. Conhecido como Majestoso, o estádio foi inaugurado em 1948. Oficialmente denominado como Moisés Lucarelli, o grande líder da construção, o estádio tem capacidade para 19.722 torcedores. Motivo para orgulho de seus torcedores, a Ponte Preta é pioneira, também, na democracia racial no futebol brasileiro. Além de fundadores negros, algo raro para a época, o time foi o primeiro no país a contar com jogadores negros. Do outro, o verde do Guarani Fundado em 1911 por um grupo de jovens, a denominação de Guarani Futebol Clube foi escolhida como uma forma de homenagear a obra mais conhecida do maestro Carlos Gomes, que dava nome à praça onde os amigos se reuniam. A construção do estádio, por sua vez, teve início em 1947, após a Federação Paulista de Futebol criar a Divisão de Acesso, dando chances aos clubes do interior de participar do Campeonato Paulista. Curiosamente, a denominação da nova sede foi determinada após a matéria de um jornalista do jornal Correio Popular com o título: “Brinco de ouro para a Princesa”, a idéia surgiu com a foto da maquete do novo estádio que, para ele, parecia um brinco, utilizando, assim, a referência da cidade, que era conhecida, também, como Princesa D’Oeste. Diante do trocadilho, a própria população passou a chamar o estádio de "Brinco de Ouro" e "Brinco da Princesa". Em 1953, Estádio Brinco de Ouro da Princesa foi inaugurado. Com capacidade atual de 40.086 pessoas, o estádio tem o recorde de público de 52.002 pagantes no jogo entre Guarani e Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro de 1982. Herói brasileiro "Ayrton Senna tinha uma combinação de conhecimento, concentração e força. Quanto a sua capacidade de concentração nas corridas, ele estava dois a três níveis acima do resto de nós – era extraordinário.", afirma o ex-piloto austríaco Gerhard Berger no livro “Na reta de chegada”. Ayrton Senna começou sua carreira no kart, em 1974, e mudou para a Fórmula Ford inglesa em 1981. Tornou-se campeão da Fórmula 3, em 1983, com nove vitórias consecutivas – a façanha fez os ingleses apelidarem o autódromo Silverstone de “Silvastone”. Ingressou na Fórmula 1 em 1984, e sagrou-se tricampeão mundial na categoria, ganhando mais apelidos como o “Rei da chuva”, pela habilidade para dirigir em pistas molhadas, e “Mr. Mônaco”, por suas cinco vitórias consecutivas nesse circuito. No entanto, no dia 1º de maio de 1994, morreu ao se chocar contra um muro de proteção a 300km/h no grande prêmio de San Marino. Em dez anos de Fórmula 1, disputou 161 corridas, venceu 41 e conquistou 62 pole positions. Em seu sepultamento, em São Paulo, recebeu honras de chefe de estado em um dos funerais com o maior público da história do país. A imagem vitoriosa deste brasileiro tornou-o um mito do automobilismo mundial, sendo considerado um dos maiores esportistas da história. Curiosidade à parte Vencedor das provas de 1991 e 1993, Ayrton Senna foi um dos seis pilotos brasileiros que venceu o Grande Prêmio de Fórmula 1 no Brasil. Realizado no país desde 1972, o GP acontece todos os anos no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Inaugurado em 1940, Interlagos passou por uma série de reformas, com construção de novos boxes e torre de controle. Uma das características marcantes, no entanto, são os nomes dados às curvas do traçado, que recebem denominações como curva do sol, do laranja, da ferradura e bico de pato. A mais “querida” e conhecida pelos brasileiros, porém, é a curva S do Senna. O nome surgiu durante a reforma que mudou completamente o traçado de Interlagos. Nessa época, o piloto Ayrton Senna propôs que fosse feito um S ligando a reta dos boxes à curva do sol, melhorando o traçado que estava proposto. Fontes: www.guaranifc.com.br www.pontepreta.com.br www.ayrton-senna.com www.gpbrasil.com.br
Curiosidades cercam a história da Avenida da Saudade
Assim como diversas cidades brasileiras, Campinas também tem, em suas vias, uma homenagem aos mortos. Para seguir a tradição, a denominação da avenida como Saudade foi determinada logo após a criação do cemitério nela localizado. Com 1.230 metros de extensão, a Saudade recebe um fluxo diário de 16.500 carros e nove linhas do Sistema InterCamp. Anualmente, o feriado dedicado aos mortos, mantém o movimento da Avenida em alta, principalmente, nos arredores do cemitério, que recebe um número maior de visitantes na data. Como curiosidade, as homenagens aos mortos são uma das mais antigas celebrações. Segundo registros, ela surgiu no Oriente em 998. No Ocidente, século XIV, Roma seguiu a tradição e aceitou a celebração, que se estendeu a toda cristandade. O Dia de Finados é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de Novembro, logo a seguir ao dia de Todos-os-Santos. O Cemitério Fundado em 1880, o Cemitério da Saudade, considerado como museu a céu aberto, é o mais antigo de Campinas, além de ser o primeiro cemitério público do Brasil. Inicialmente, conhecido como Cemitério do Fundão, recebeu corpos anteriormente sepultados na Vila Industrial, que foi desativado com a chegada da ferrovia. Nele estão, desde o início de seu funcionamento, aproximadamente, 500 mil corpos com túmulos das diversas personalidades campineiras. Tombado como patrimônio cultural da cidade desde 2003, o Cemitério foi utilizado para gravações de cena do filme Memórias Póstumas de Brás Cubas, adaptado da obra de Machado de Assis, em 1999. Uma das maiores curiosidades, entretanto, está no túmulo mais visitado do local. Conta a lenda que em uma das quadras está sepultado uma antiga prostituta que ficou noiva, conhecida como Maria Jandira. No entanto, alguns dias antes da cerimônia de casamento, o noivo desistiu do compromisso. Por desespero, Maria se suicidou, ateando fogo no corpo. Por esse motivo, a sepultura recebe visitas de pessoas com problemas matrimoniais e amorosos. A entrada do cemitério concentra as sepulturas das figuras de destaque da Campinas do passado. São barões, baronesas, monarquistas, republicanos, políticos, médicos, juristas e outras personalidades. E o fato de ocuparem esta área tem uma explicação: os terrenos dali eram os mais caros e apenas as famílias de posses podiam adquiri-los. Cruzeiro da Saudade Bem em frente ao portão principal do Cemitério da Saudade, está o Cruzeiro da Saudade. Antes localizado na esquina das avenidas Ângelo Simões com Saudade, foi implantado em 1910 em homenagem a um escravo. A lenda conta que um escravo, passando por aquele lugar, se suicidou após saber, por brincadeira de um cavaleiro, que seria submetido a chibatadas. Os moradores da redondeza, como uma forma de homenagem, ergueram o cruzeiro. Em 1964, porém, com as diversas reclamações com os constantes cultos pagãos e atos de vandalismos no local, o poder público e a Igreja Católica determinaram a transferência do símbolo para onde está fixado atualmente. Linha da Saudade As curiosidades incluem a linha denominada Saudade, implantada, em 1931, pela empresa responsável pelo transporte coletivo da cidade. No entanto, desde a inauguração, o itinerário causou problemas. Condutores e cobradores do bonde se recusavam a completar o percurso, retornando com o veículo algumas quadras antes do ponto final, principalmente no período noturno. O medo, de se aproximar do cemitério à noite, obrigava os usuários a percorrer o trecho a pé. Além disso, em 1935, houve uma proposta de criação de um bonde especial, com adaptações que permitisse transportar os mortos da cidade até o Cemitério. O bonde da morte, como ficou denominado popularmente, jamais chegou a operar pelas polêmicas geradas na cidade. Via concentra importantes referências públicas Ao longo da Avenida da Saudade estão instalados importantes prédios e serviços públicos. Desde o final da década de 1980 na Avenida, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento – Sanasa – é responsável pela captação, tratamento e fornecimento de água no município. A Sanasa é uma empresa de economia mista, com a maioria das ações pertencentes ao poder público. O terreno em que está localizada, no entanto, é o que traz uma das maiores curiosidades. Durante anos, o local, conhecido como Leprosário Municipal, era destinado ao abrigo de pessoas portadoras de lepra, doença, até então, com causa e tratamento desconhecidos. Como era de costume, os leprosários ficavam estabelecidos em pontos periféricos das cidades com a tentativa de esconder os doentes. Era comum, também, as pessoas que passavam pelo local, mesmo que fosse de bonde, taparem o nariz com lenços para não respirar o ar considerado como contaminado. O “ritual” continuou mesmo com a desativação do abrigo, em torno dos anos de 1960 até a reforma do local para a instalação da Sociedade. Hoje, a Sanasa atende 98% da população urbana da cidade com água potável encanada, captando água dos Rios Atibaia e Capivari, através de cinco estações de tratamento. Câmara Municipal Também na Avenida, desde 2006, está instalado o Legislativo Municipal. A Câmara é composta por 33 vereadores. A história do Legislativo, em Campinas, começou em 1797, representado por senhores do engenho, no apogeu da produção de cana-de-açúcar no país. Em 1908, a Câmara funcionava no Palácio dos Azuleijos; e transferiu-se, em 1968, para o Palácio dos Jequitibás; até que em 2006, foi para a Avenida da Saudade. O prédio, por sua vez, foi construído para ser uma escola do Senai. Sucessivamente, ocuparam o prédio a Biblioteca Municipal de Campinas e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Em 1952, o prédio original possuía a forma estilizada de um avião 14 Bis. Em 2003, porém, quando foi adquirido pela Câmara Municipal, o prédio passou por reformas para a construção de um novo plenário. A Câmara Municipal tem comissões permanentes e temporárias e reuniões plenárias ordinárias para discussão e votação de projetos todas as segundas e quartas-feiras, sempre com início às 18 horas. Espaços de lazer A Avenida da Saudade abriga, ainda,
Coronel Quirino abriga reserva florestal em meio à selva de pedra
A história da Rua Coronel Quirino tem início com as constantes inundações no caminho que acompanhava o leito do Córrego do Proença, o mais utilizado pelo povoado local quando a cidade era conhecida, ainda, como Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso. Rodeada por sítios e fazendas, a via era pouco frequentada. Com as chuvas e o alagamento do caminho principal, onde hoje se encontra a tradicional Norte-Sul, a população passou a desviar da rota inundada, encontrando um caminho mais sólido e paralelo ao que normalmente percorria. Foi então que aquela pequena estrada de chão de terra batida começou a ser mais utilizada. O progresso do bairro Cambuisal (hoje, Cambuí) tornava o caminho cada vez mais interessante e seguro, servindo, também, às pequenas propriedades rurais. A oficialização, por sua vez, só aconteceu em 1881. Como denominação, foi proposto, primeiramente, Rua Amador Bueno. No entanto, a Comissão de Obras Públicas foi contrária à escolha e sugeriu a homenagem ao Coronel Joaquim Quirino dos Santos – surgia a Rua Coronel Quirino. A partir daí, a via passou a receber construções residenciais. O poder financeiro dos fazendeiros e industriários da cidade transformou o Cambuí em um bairro da elite, com casas de alto padrão em grandes terrenos, característica presente, também, na Coronel Quirino. Ao longo dos anos, a via ganhou importância no dia a dia da cidade. No início do século XX, fez parte do itinerário dos bondes em linhas que atendiam ao bairro Cambuí e recebeu alguns estabelecimentos comerciais, como escritórios e consultórios. Hoje, apesar de contar com importantes áreas de lazer e recreação da cidade, a Rua Coronel Quirino ainda preserva as características iniciais. No entanto, alguns dos grandes terrenos do passado facilitaram a construção de edifícios e estabelecimentos de maior porte, como bancos e restaurantes. Os tradicionais clubes de Campinas A Rua Coronel Quirino é endereço, ainda, de clubes com longa tradição na cidade. O primeiro deles é o Clube Campineiro Regatas e Natação. Fundado em 1918 por um grupo de amigos, o Clube Regatas teve sua primeira sede em Sousas, conhecida como Praça Tio Quim, em homenagem ao primeiro presidente da instituição. Diferente do que acontece atualmente, o Clube oferecia somente o remo e a natação. Com o passar do tempo, estendeu-se, também, ao basquete, atletismo, vôlei, tênis, futebol e bocha. Somente em 1935, a diretoria conseguiu, por arrendamento, o terreno no quarteirão das ruas Coronel Silva Teles, Maria Monteiro, Guilherme da Silva e Coronel Quirino, local onde se encontra atualmente. Bem ao lado, dessa vez com entrada principal pela própria Coronel Quirino, está o Tênis Clube de Campinas, que também faz parte da história da cidade, principalmente com a ideia pioneira de divulgação da prática do “esporte da raquete”. Com sede, inicialmente, no bairro Bonfim desde 1913, recebeu a denominação Lawn Tennis Club. A transferência para o Cambuí aconteceu em 1924, já com o atual nome, mas com o mesmo objetivo: difundir a prática do tênis de campo. O tênis hoje é praticado na Sede Social e na Sede de Campo, contando com quadras, instrutores e professores para os interessados em praticar o esporte. Uma reserva florestal em meio à selva de pedra O Bosque dos Jequitibás é uma das maiores e mais antigas áreas de lazer da cidade e recebe, anualmente, um milhão de visitantes. Com uma área de lazer com cerca de 100 mil metros quadrados, foi adquirido pelo poder público municipal em 1915. O espaço, porém, já se constituía numa área de banhos e passeios. Atualmente, o Bosque possui reserva florestal nativa e um zoológico com 300 espécies de aves, répteis e mamíferos (como leões, tigres, lobo guará, arara azul, onça pintada), uma pista de corrida, trenzinho, quiosques, lanchonetes e playground, a casa do Caboclo (réplica em pau a pique de moradia rural), o Museu de História Natural, o Aquário Municipal e o Teatro Carlos Maia. Priscila Cipriano, 28 anos, costuma passear pelo Bosque com a filha de um ano. “Cansa andar nos shoppings e tem muito sol na Lagoa (do Taquaral). Em dias de muito calor, gosto de passear por aqui para me refrescar”, conta Priscila. Com a trajetória de espaço de lazer, o Bosque dos Jequitibás recebeu do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephat) o tombamento de seu zoológico, em 1970; do Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc), em 1993, o tombamento de todo o conjunto; e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), o reconhecimento de seu zoológico, em 1995. Dentro do bosque, o Museu de História Natural Localizado no Bosque dos Jequitibás, o Museu de História Natural recebe, anualmente, cerca de 100 mil visitantes e é o museu mais frequentado da cidade. Aberto à visitação pública desde 1939, passou por uma grande reformulação em 1987, com o apoio técnico do Departamento de Zoologia da Unicamp, que modernizou a expografia do espaço. Com o objetivo de difundir conhecimentos sobre a fauna e a flora e promover a sua conservação, o Museu desenvolve programas de Educação Ambiental, com projetos voltados a crianças, professores e ao público em geral. O acervo conta com mais de 2000 peças, incluindo mamíferos, aves, répteis, peixes, invertebrados, anfíbios, fósseis e minerais. O local é aberto de terça a domingo, além de feriados, sempre das 9h ao meio dia e das 13h às 17h30. Quem foi Coronel Quirino? Joaquim Quirino dos Santos nasceu em Campinas, em 1820. Era irmão de Bento Quirino dos Santos e de Francisco Quirino dos Santos, que também denominam praças e ruas da cidade. Além de comerciante junto com os irmãos, Coronel Quirino ocupou cargos públicos e se destacou durante a epidemia de varíola que assolou a cidade em 1873. Por iniciativa e despesa própria, criou um estabelecimento apropriado para a guarda e cuidados aos contagiados pela doença e a Escola Corrêa de Melo, destinada às crianças carentes, localizada onde hoje está o Terminal Mercado. Uma curiosidade é que o Coronel foi o introdutor
Barão de Itapura conta a história da cidade em 5km
“A Barão de Itapura era o local de diversão dos meus filhos com os vizinhos”. Essa é a curiosa lembrança que a aposentada Nair da Silva Abranides, 87, guarda da Avenida que hoje é uma das maiores e mais movimentadas vias de Campinas. Famosa por sua grande extensão, a Avenida Barão de Itapura tem início próximo ao Terminal Multimodal Ramos de Azevedo e término na Avenida Heitor Penteado, chegando a 5 km, com destaque para o trecho com quatro faixas de rolamento, dividido por um canteiro central arborizado. Em seu trajeto, a Barão de Itapura cruza cinco tradicionais bairros da cidade: Vila Industrial, Botafogo, Guanabara, Jardim Nossa Senhora Auxiliadora e Taquaral. Nair, que mora na Avenida há 47 anos, conta que o cenário já foi muito diferente. Ela veio para Campinas com o marido, que era engenheiro agrônomo, e três filhos. “Na época, a rua, que era de terra, começava a receber os paralelepípedos. Meus filhos brincavam de carrinho de rolimã e bolinha de gude no meio da rua”, relembra Nair. Hoje, praticamente só é possível encontrar residências no trecho após o Balão do Kennedy. “Ao mesmo tempo em que o progresso e a modernidade trazem benefícios, eles proíbem certos hábitos que tínhamos no passado”, lamenta Nair. A história da Avenida Barão de Itapura tem início no final do século XIX, com a necessidade de se criar uma via que ligasse o bairro Botafogo ao Guanabara, passando por importantes pontos como o Instituto Agronômico de Campinas e o Liceu de Artes e Ofício. Uma curiosidade na história da via é que, inicialmente, ela receberia o nome de Boulevard Barão de Itapura, em referência às avenidas de Paris, que eram largas e arborizadas. A presença das árvores, porém, só aconteceu em 1913, por meio da doação das mudas pelo Instituto Agronômico. Por isso, o nome escolhido foi aquele que ela leva até hoje: Avenida Barão de Itapura. Com a consolidação da via, as residências começaram a aparecer e seus proprietários, geralmente industriais, comerciantes e médicos, se instalaram em imponentes edificações. Um dos exemplos foi Miguel Vicente Cury, proprietário da Fábrica de Chapéus Cury. Já era de se esperar que a avenida se tornaria referência para a cidade. Hoje, o destaque pode ser dado para o fluxo de veículos e a grande quantidade de estabelecimentos comerciais que abriga, como colégios, padarias, restaurantes, supermercados, concessionárias e bancos. Presença dos meios de transporte Logo após a conclusão das obras de abertura da nova Avenida, a Barão de Itapura passou a fazer parte do itinerário dos bondes. O principal deles era a linha com destino ao Guanabara, no sentido Centro-bairro e vice-versa, com ponto final exatamente ao lado da atual Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Em outro trecho, mais precisamente na esquina com a Rua Buarque de Macedo, a Avenida Barão de Itapura recebia o leito ferroviário. Por esse motivo, o local possuía uma guarita com porteira de madeira que proibia o trânsito na via durante a passagem da composição ferroviária. A porteira da linha férrea da Mogiana foi removida somente na década de 1960, com a desativação do trecho Campinas- Poços de Caldas, serviços que eram realizados pela Estação Ferroviária Paulista. Hoje, a Avenida Barão de Itapura atende apenas o modal rodoviário e é uma das mais movimentadas da cidade. No trecho próximo ao cruzamento com a Avenida Brasil, tem um fluxo superior a 20 mil veículos por dia. Palco para visitas e eventos A Barão de Itapura era, ainda, palco de grandes eventos. Além das procissões da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, a Avenida atraía grande público com a Corrida de “Baratinhas”, termo usado para nomear os carros de corrida da época. As disputas estavam entre os eventos mais esperados pela população local, que aconteceram durante as décadas de 50, 60 e 70. Entre esses eventos, aquele que mais marcou história aconteceu em 1968. A rainha do Reino Unido, Elizabeth II, esteve no Brasil e, durante a visita, passou por Campinas. Um de seus compromissos era no Instituto Agronômico da cidade, localizado na Barão de Itapura. O acontecimento atraiu um grande número de curiosos. Instituto Agronômico de Campinas Fundado em 1887 pelo Imperador D. Pedro II e com a denominação de Estação Agronômica, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) se destacou, mundialmente, pelos serviços prestados à agricultura, primordialmente do café. Em 1892, passou para a administração do Governo do Estado de São Paulo. Um dos destaques, em toda a história, pode ser dado pelo desenvolvimento de tecnologias durante a crise do café, em 1929, que diminuiu os impactos no país com a viabilização do algodão em lavouras paulistas. Atualmente, o IAC é um órgão de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. O Instituto conta com 216 pesquisadores científicos, que atuam na disponibilização de tecnologias capazes de adaptar culturas a diferentes situações de clima e solo. Todas as atividades são realizadas em 11 centros de pesquisa e três de apoio em Campinas, Ribeirão Preto, Jundiaí e Cordeirópolis. O IAC é referência mundial em pesquisas com citros, café e cana-de-açúcar, setores em que o Brasil é líder na produção. Presença religiosa Apesar da grande quantidade de estabelecimentos comerciais, a religião também está presente na Avenida Barão de Itapura. Estabelecido em um quarteirão da via, o Instituto Educacional Imaculada está entre as mais tradicionais escolas da cidade. O colégio foi fundado em 1948 pelas Filhas de Jesus, congregação de origem espanhola dedicada à Educação Cristã de crianças, adolescentes e jovens. Na época, denominada como Lar Universitário Marial, era exclusivo para meninas. Hoje, o Imaculada oferece cursos de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, além de manter projetos sociais em diversas regiões de Campinas. Algumas quadras à frente, mais precisamente na esquina com a Rua Baronesa Geraldo de Resende, está a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, que foi fundada em 1963, inicialmente na Capela do Colégio Liceu, logo ao lado. O aumento de frequentadores, no entanto, trouxe a necessidade de construção de um novo templo. Com arquitetura inspirada na Catedral de La Plata, na Argentina, e uma torre
Expedicionários abriga antiga e nova Estações
Com apenas 89 metros de extensão, a Avenida dos Expedicionários poderia ser uma via quase esquecida no Centro da cidade, se não fosse a passagem para acessar a Estação Cultura, bem em frente à Avenida. A Estação Ferroviária de Campinas, hoje conhecida como Estação Cultura, é considerada a primeira maravilha das sete eleitas pela população de Campinas. Graças a dois importantes momentos, o da revitalização da Estação Ferroviária, em 1984, por ocasião do centenário do prédio atual; e o da inauguração da primeira Estação de Transferência de Campinas, em julho de 2009, a Expedicionários ganhou nova importância no cenário central. A Estação Expedicionários está localizada no pequeno trecho entre a Praça Marechal Floriano Peixoto e a Avenida Dr Campos Salles; e atende cerca de 30 mil usuários por dia. Nela, passam 12 linhas do Sistema InterCamp, da região leste da cidade. Hoje, a Avenida é composta ainda por pequenos estabelecimentos comerciais, principalmente por barracas de frutas, mini-mercados e padarias. Antônio Faustino, 62, que trabalha no comércio informal acompanha o movimento da Avenida desde às 5h até às 20h. “Já fui encanador, eletricista, de tudo um pouco. Mas, aqui na Expedicionários, eu consegui me estabelecer financeiramente”, afirma Ceará, como é conhecido por todos. A Expecionários é um corredor de ônibus, não sendo possível, portanto, a passagem de carros. Talvez por esse motivo, Ceará conta que os horários de picos são os melhores para o comércio local. “Aqui é caminho de passagem para muita gente, não só para os que utilizam a Estação. De manhã e no final da tarde, o movimento é muito grande,” confirma. Por que Expedicionários? A escolha do nome da Avenida foi a forma encontrada para homenagear a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que tinha acabado de retornar da Segunda Guerra Mundial, em 1945. A FEB foi criada especialmente para combater as forças nazistas lideradas por Hitler. Os "pracinhas", como eram conhecidos popularmente, combateram nos campos da Normandia, região histórica do noroeste da França, no chamado Dia D. No dia em que chegaram ao Brasil e retornaram a sua cidade de origem, os vereadores decidiram denominar a nova via que estava sendo criada em Campinas, como Avenida dos Expedicionários. Mais sobre a Estação Cultura A Estação Ferroviária foi inaugurada em 1872. Na época, embora diferente e menor do que o prédio atual, já era a maior das quatro estações da linha da Companhia Paulista. Em 1884, esse prédio foi desativado, tendo sido inaugurado, nesse mesmo ano, um novo prédio, que sobrevive até hoje. Em 1984, a estação, em meio a festas do centenário, sofreu uma grande reforma, dois anos depois de ser tombada pelo Patrimônio Histórico (Condepacc). Trens de passageiros ainda passavam pela estação até 2001; desde 1999, ela era ponto de partida, e não mais de passagem, para os trens de passageiros da Ferroban. Em julho de 2003, o espaço foi transforamdo em centro cultural, entre outros usos, sob responsabilidade da Prefeitura Municipal. Demolição criou a avenida A história da Avenida dos Expedicionários tem início com a demolição de um dos hotéis mais procurados da cidade. O Campinas Hotel foi inaugurado em 1924 e, por cerca de 50 anos, configurou-se em uma das melhores casas de hospedagem de Campinas. Uma curiosidade interessante é que foi o primeiro hotel da cidade a dispor de elevadores. Ao lado do hotel, localizava-se o prédio de Roque de Marco, um rico empresário da cidade. No térreo, funcionou por muito tempo um comércio de importação e exportação, loja de câmbio e de empréstimo de dinheiro. Na verdade, Roque de Marco atuava como um banco, captando aplicações e emprestando dinheiro para comerciantes e fazendeiros. A proximidade do prédio da Estação era um dos seus pontos mais fortes e estratégicos. Em 1959, iniciou um processo de reurbanização da Praça Marechal Floriano. Dentre as mudanças, estava prevista a demolição do Campinas Hotel com o objetivo de interligar de forma mais direita e rápida a Avenida Campos Salles à Praça.O prédio de Roque de Marco, por sua vez, foi preservado. É interessante lembrar que a Avenida dos Expedicionários corresponde somente à quadra que antes se instalava o Hotel. Atualmente, alguns se referem à Avenida como toda a extensão em frente ao complexo ferroviário, que, na verdade, é denominada Praça Marechal Floriano Peixoto. A homenagem ao Marechal de Ferro Antigo ponto dos bondes, a Praça Floriano Peixoto tem início em frente à Estação Ferroviária e segue até a Rua Ferreira Penteado. Hoje, é um caminho de passagem dos pedestres que seguem do Terminal Multimodal Ramos de Azevedo ao Centro da cidade, e vice-versa. A denominação da Praça, por sua vez, é uma homenagem ao conhecido “Marechal de Ferro”. Floriano Peixoto foi o primeiro vice-presidente, eleito após a Proclamação da República. Com a renúncia de Deodoro, assumiu a Presidência e enfrentou um período de grandes agitações, foi chamado também de o “consolidador” do novo regime instalado. A homenagem campineira ao presidente aconteceu em 1895, quando foi decidida a denominação do largo da Estação de Estrada de Ferro da Paulista. Desde 1913, a Praça fazia parte do itinerário dos bondes elétricos. As linhas que trafegavam pelos bairros da Vila Industrial, Bonfim e Botafogo, tinham ponto de partida no local. Algumas outras, como as que tinham como destino o Centro e o distrito de Sousas, somente passavam no centro da praça. Um fato interessante é que a calçada da praça era utilizada como estacionamento das carroças, que serviam como transporte de cargas e encomendas retiradas dos armazéns da Estrada de Ferro. Assim como acontece nos dias atuais com os carros e as motos, os “tilburys” (popularmente conhecido como carroça) se enfileiravam um ao lado do outro, também em grande quantidade, pois caracterizavam um dos principais meios de transporte da população da época. Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos Fontes: http://www.estacoesferroviarias.com.br/c/campinas.htm
Obras continuam na Rodovia Heitor Penteado
A pedido da Secretaria de Obras, a Rodovia Heitor Penteado continuará com bloqueio parcial nesta terça-feira, dia 21 de setembro, para aplicação de micropavimento. Os trabalhos acontecerão no sentido Sousas x Campinas, entre a Ponte do Shopping Iguatemi (Avenida José Bonifácio e a Rua João Brasio. A empresa Delta Engenharia é a responsável pelo serviço. A previsão é que seja realizado das 9 às 16 horas. Agente da Mobilidade Urbana da EMDEC estarão no local para orientar os motoristas e monitorar o trânsito.
Praça homenageia a Imprensa Fluminense
A epidemia de febre amarela, que devastou a população campineira no início do século XIX, garantiu aos grandes nomes da política campineira que deram sua contribuição para a reestruturação da cidade, homenagens por todos os cantos. Além dos nomes de ruas, como José Paulino, Irmã Serafina, entre outros, uma das homenageadas foi feita de forma generalizada. Durante o período de escassez que a região passou, os jornais cariocas promoveram campanhas em solidariedade à população campineira e, em agradecimento a todos eles, foi determinado que o antigo jardim público fosse denominado Praça Imprensa Fluminense. As homenagens à imprensa, no entanto, não param por aí. Na praça, ainda, dois grandes jornalistas são referenciados com um monumento. Um deles é de Leopoldo Amaral, jornalista, historiador e antigo morador de um prédio na frente da praça, na Rua General Osório; e o outro, Júlio de Mesquita, advogado, jornalista e fundador do jornal “O Estado de S. Paulo”. E hoje, muito próximo à Praça está um dos bares mais cotados pelos jornalistas da cidade: o City Bar. Há 58 anos, nas esquinas da Rua General Osório e Júlio de Mesquita, o City é famoso pelo bolinho de bacalhau e pelo ambiente despretensioso. Além de jornalistas, atrai artistas, estudantes, músicos, produtores culturais, professores e boêmios em geral. “Por aqui já passaram desde varredores de ruas até presidentes”, afirma José dos Santos Antônio, proprietário do bar há 16 anos. Antônio conta que sempre quis fazer algo para ser reconhecido pela cidade. Após saber que o estabelecimento estava à venda, resolveu se instalar ali, “Eu sempre quis um lugar no Centro para marcar história em Campinas”. Português, Antônio passou a vender os bolinhos de bacalhau; e logo a especialidade ganhou fama por toda a região. “Meus bolinhos de bacalhau são o melhor do mundo. Sou campeão pela sexta vez como melhor bar de Campinas”, se orgulha o proprietário. De volta à historia da praça Entre 1876 e 1883, teve início a criação de um Passeio Público em Campinas, um espaço para que os moradores e visitantes pudessem "tratar da saúde, do bem estar, da vida", como descreveu a Gazeta de Campinas à época. A construção do local, conhecido como Largo Municipal, teve a colaboração de vários segmentos da cidade, como os fazendeiros que cederam escravos para a execução dos trabalhos de preparação do terreno, além de botânicos para a escolha da vegetação que seria plantada. O objetivo era transformar a área em um "jardim inglês", tendo o Passeio Público do Rio de Janeiro como principal referência. Após a sua conclusão, a praça passou a contar, ainda, com uma gruta com cascata e um largo artificial, além de apresentações de coretos. As novidades atraíram a população para uma nova forma de lazer público caracterizado pela música, pelos encontros e passeios. Em 1882, o “Largo Municipal” ainda não tinha nome oficial e surgiu a sugestão de batizá-lo como “Eleição Direta”, pelo novo sistema de eleição adotado pelo país. O autor da idéia foi Senador Saraiva, que passou também a ser cotado para denominar a praça. Finalmente, em 1889, a praça recebeu a denominação de Imprensa Fluminense, em homenagem à ajuda prestada pelos jornais cariocas. Processo de remodelação até se chegar ao Centro de Convivência O Passeio Público sofreu muitas transformações durante o Século XX, acompanhando as mudanças da cidade. Novas avenidas foram abertas para dar passagem ao fluxo progressivo de pessoas e carros, novas casas e edifícios reurbanizaram a área, perdendo as antigas e populares moradias que originaram o bairro Cambuí. Com a demolição do Teatro Municipal, em 1965, surgiu a necessidade de criar um novo “espaço cultural” para Campinas. A Praça Imprensa Fluminense foi a principal opção e a construção do Centro de Convivência Cultural (CCC) redefiniu sua ocupação e sentido original. No entanto, para manter as árvores centenárias, o projeto do arquiteto Fábio Penteado, foi alterado, preservando o meio ambiente. Assim, em 1976, foi inaugurado o Centro de Convivência Cultural com grandes comemorações por parte da população campineira porque, a partir daquele dia, a cidade contaria com um novo espaço de espetáculos. Embora o CCC ocupe apenas a área central da praça, já é costume na cidade se referir à praça toda como o "Centro de Convivência". Atualmente, o local possui dois teatros: o Teatro de Arena, com capacidade para cinco mil pessoas; e o Teatro Interno Luiz Otávio Burnier, com 500 lugares. Também há um espaço para exposição de arte. Aos finais de semana, a Praça recebe uma das mais conhecidas feiras da cidade, conhecida como “Feira Hippie” com pastéis, quitutes e artesanatos. Palco para a Orquestra Sinfônica O Teatro Interno é também palco da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Com 70 músicos fixos, os ensaios são realizados durante a semana para as apresentações aos sábados e domingos. Reconhecida como uma das mais dinâmicas orquestras do País, a Sinfônica de Campinas, como é carinhosamente chamada, foi a primeira instituição de seu gênero a surgir em uma cidade brasileira que não fosse capital do Estado. Já no início do século XX, o amor do povo campineiro pela música transformou a cidade em rota obrigatória de alguns dos principais programas sinfônicos e operísticos, estimulando, assim, a criação de uma orquestra local. Em 1929, um grupo de cidadãos resolveu fundar uma sociedade com o objetivo de reunir os músicos dispersos na região e manter a tradição da música sinfônica na cidade, a Sociedade Sinfônica Campineira foi criada, em caráter armador. A partir de 1975, porém, a orquestra passou a recebeu apoio do poder público. Desde então, tem atraído grandes músicos para os seus quadros, com passagem obrigatória nos principais festivais e eventos eruditos. Paralelamente às suas atividades regulares em salas de concerto, apresentam-se nos mais variados ambientes, internos e externos. Hoje, a Orquestra Sinfônica é mantida pela Prefeitura Municipal de Campinas, através da Secretaria de Cultura. Mais atrativos Um atrativo a parte durante os ensaios da Orquestra é um cachorro, conhecido como Cabeção. Mestiço de boxer, é frequentador assíduo da praça. Giany Agege, dona do cão, conta que há