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Benjamin Constant, uma notável avenida

Reunindo arte, cultura, literatura e religiosidade em seus dois mil metros de extensão, a Avenida Benjamin Constant atravessa toda a região central, tendo início na Rua Dr. Ricardo e término na Rua Coronel Quirino, no Cambuí.  

A sua importância ainda é reforçada pelo fato de ser cortada por importantes avenidas como a Avenida Anchieta, a Rua Irmã Serafina e a Avenida Senador Saraiva. Todas essas avenidas dotadas de Estações de Transferência, que recebem público estimado de 96 mil usuários do transporte público, evidenciando o papel fundamental de acesso que a antiga “Rua do Caracol” exerce.

Rua do Caracol?
Antes de sua atual denominação, já no ano de 1848 a nomenclatura de “Rua do Caracol” estava oficializada. Os campineiros deram este apelido porque a Avenida era uma rua torta que, como o famoso molusco, ora se estreitava, ora se alargava. Além disso, possuía um alinhamento irregular, consequência das improvisações de um arruador da época, chamado Francisco Pereira Pires.

No ano de 1956, devido ao plano de urbanismo projetado pelo engenheiro Prestes Maia, Campinas sofreu uma grande transformação na parte central. O progresso que se instalava motivou o prefeito da época, Rui Helmeister Novaes, a desapropriar e demolir prédios antigos com o intuito de mudar a fisionomia da cidade.

 A Benjamin então, que antes era uma rua pequena, graças a essas modernizações, transformou-se em uma avenida de maior largura; e, hoje,  está preparada para receber um grande fluxo de veículos.
 
As riquezas da Benjamin 
Além da importância para o trânsito, a Avenida guarda importantes prédios culturais da nossa cidade como a Biblioteca Municipal “Ernesto Manoel Zink” e o Museu de Arte Contemporânea de Campinas “José Pancetti” (MACC).
 
Ambos situam-se, desde 1976, em um edifício anexo ao Palácio dos Jequitibás, sede da Prefeitura de Campinas; o térreo abriga o MACC e, no piso superior, fica a Biblioteca. O terreno foi uma doação de Roque Melilo, empresário e mecena da época.
 
 
 
O MACC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas
O MACC foi fundado em 1° de setembro de 1965 com a realização do 1° Salão de Arte Contemporânea de Campinas. O Museu era uma antiga reivindicação de intelectuais e artistas campineiros envolvidos com o movimento contemporâneo nas artes plásticas. A princípio, localizava-se no antigo edifício da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), na Avenida da Saudade.
 
O museu possui um acervo de aproximadamente 550 peças e, entre elas, é possível encontrar pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e instalações de importantes artistas como Cândido Portinari, Lasar Segal, Egas Francisco, Biojone, entre outros.

Segundo o curador do MACC, Fernando de Bittencourt, o museu opta, atualmente, por duas formas de incorporação de obras em seu acervo: doações e premiações. “As doações para o museu são analisadas tecnicamente pela diretoria da instituição e, em casos excepcionais, por especialistas independentes. Depois da avaliação e aprovação, é realizado o tombo da obra”, explica Bittencourt.

Em 2010, o MACC completa 45 anos de existência e eventos importantes fazem parte de sua história. “O MACC já abrigou uma exposição de Salvador Dalí, Mostra do Acervo da Pinacoteca do Estado, Salões de Arte de Campinas, entre outros”, lembra o curador. 

A Biblioteca Pública Municipal “Professor Ernesto Manoel Zink”
Em 15 de setembro de 1946, foi inaugurada a Biblioteca Municipal de Campinas pelo Grêmio da Escola de Biblioteconomia da Universidade Católica, hoje, PUCCAMP, tendo à frente a Sra. Laura Bierrenbach de Castro Vasconcelos, o professor Ernesto Manoel Zink e diferentes setores da Sociedade. Mas, foi somente em 15 de setembro de 1971, pelo Decreto nº 3911, do prefeito Orestes Quércia, que a biblioteca recebeu o nome de Biblioteca Pública Municipal “
Professor Ernesto Manoel Zink”. 

O chefe da Biblioteca, João Henrique Cuelbas, diz que ela possui, aproximadamente, 12 mil usuários cadastrados e, cerca de, 68 mil livros. Entre estes livros, é possível encontrar um rico acervo de obras raras, incluindo livros do ano de 1800. “Além dessas obras possuímos um acervo com obras de autores campineiros que abordam temas como personalidades campineiras e a história de Campinas”, ressalta Cuelbas.

A Biblioteca conta também com um acervo para deficientes visuais com mais de 750 livros em Braile e por volta de 200 em áudio. A assistente da Biblioteca em braile, Eliana Cabral Mendes, 40, deficiente visual, conta que lá podem ser encontrados livros clássicos como “O tempo e o vento”, obras de Machado de Assis, livros de direito, além da descontraída coleção de Harry Potter. “Possuímos aproximadamente 150 cadastros e um público de 30 pessoas que freqüentam regularmente o local”, informa Eliana.

Projeto Leitura em movimento
A Biblioteca conta também com o “Projeto Leitura em Movimento – Ônibus-biblioteca”, que tem o objetivo de incentivar a leitura aos moradores de bairros periféricos de Campinas, ampliar o acesso a essa população e a oportunidade de usufruir de uma biblioteca, além de identificar possíveis regiões para a implantação de bibliotecas públicas.

O Projeto teve início em 2001, fruto de uma parceria da Prefeitura de Campinas com a PUC Campinas, a FAPESP e a TRANSURC. Foi realizada uma pesquisa nos bairros da cidade para a identificação, distribuição de leitores e seus interesses de leitura. A partir dos resultados, dois ônibus foram adaptados para serem bibliotecas itinerantes e um acervo foi gerado para que os usuários pudessem usufruir do Projeto.

Todos os dias úteis, cada ônibus visita dois bairros, totalizando 42 bairros a cada quinze dias. Os bairros selecionados estão localizados na região da periferia de Campinas, onde há uma grande carência de espaços culturais. Os ônibus estacionam nos bairros, privilegiando pontos de maior movimento como postos de saúde, mercados, padarias, associação de bairros e igrejas.

Para saber os bairros que o ônibus visita e outras informações, acesse o site:
http://2009.campinas.sp.gov.br/cultura/bibliotecas/projetos/leitura_movimento/.
 

Capela Nossa Senhora da Boa Morte
A capela da Santa Casa de Misericórdia de Campinas foi construída por José Bonifácio de Campos Ferraz, Barão de Monte-Mor, que nasceu em Campinas e foi batizado no dia 14 de março de 1815, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Matriz Velha, atual Basílica Nossa Senhora do Carmo), pelo vigário padre Joaquim José Gomes.
 
Quando o padre Joaquim José Vieira, mais tarde bispo de Fortaleza e arcebispo titular de Cyrro, angariava os recursos financeiros para a construção da Santa Casa de Misericórdia de Campinas, encontrou forte apoio de José Bonifácio de Campos Ferraz, que mandou erguer com seus próprios recursos a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, anexa ao edifício do hospital.
 
A auxiliar da capela, Vera Frutos de Oliveira, 48, tem na ponta da língua o significado das três estátuas de mármore que adornam a frente da capela. “Elas simbolizam a fé, a esperança e a caridade”, afirma Vera. Ela conta também que a rotina de uma igreja não é nada calma, e que até mesmo uma capela pequena possui vários afazeres. “Cuido do altar, das flores e da limpeza. Nos dias que tem casamento é corrido, tem muitos detalhes pra arrumar; mas apesar da correria, gosto muito de trabalhar em um lugar cheio de história como este”, conta ela sorrindo.
 
Benjamin Constant: o homem da ordem e do progresso
Benjamin Constant Botelho de Magalhães nasceu no Rio de Janeiro em 1836. Formado em engenharia pela Escola Militar, participou da Guerra do Paraguai (1865 – 1870) como engenheiro civil e militar.
 
Esteve no Paraguai de agosto de 1866 a setembro de 1867, de onde voltou doente, acompanhado de sua mulher, que o fora buscar. Em suas cartas, escritas sobretudo para a esposa e o sogro, ele criticava duramente a direção da guerra.
 
Essas cartas foram publicadas por Renato Lemos, no livro Cartas da Guerra: Benjamin Constant na Campanha do Paraguai, editado pelo IPHAN e o Museu Casa de Benjamin Constant, em 1999. Como professor, lecionou em escolas Militar, na Politécnica, Normal e Superior de Guerra, entre outras.
 
Adepto do Positivismo, em suas vertentes filosófica e religiosa – cujas idéias difundiu entre os jovens do Exército brasileiro, ele foi um dos principais articuladores do levante republicano de 1889, nomeado Ministro da Guerra e, depois, Ministro da Instrução Pública no Governo Provisório. Na última função, promoveu uma importante reforma curricular. As disposições transitórias da Constituição de 1891 consagraram-no como fundador da República brasileira.
 
Foi ele quem criou na Bandeira Brasileira a divisa “Ordem e Progresso”. Suas principais obras foram “Memórias sobre a Teoria das Quantidades Negativas” e “Relatório sobre a Organização do Ensino dos Cegos”.
Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fontes Complementares:

  • Ruas da época imperial – Edmo Goulart Site da Prefeitura de Campinas
  • Site da Basílica do Carmo Campinas
  • Câmara Municipal de Campinas.
  • Monografia Histórica do Município de Campinas. Rio de Janeiro: Serviço Gráfico do IBGE, 1952
  • Portal: www.vidauniversitaria.com.br

 

 
 
 
 
 
 
Autor: Priscila Nascimento Última alteração em 26 de Abril de 2010 às 09:04



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