O 2º Seminário de Segurança, Educação no Trânsito e Mobilidade Urbana terminou na tarde de quinta-feira, dia 10, com três workshops na Faculdade Anhanguera.
Diferentes segmentos sociais se envolveram nas discussões, incluindo educadores, universitários, integrantes de conselhos (Idosos, Jovens, Pessoas com Deficiência) e profissionais de trânsito e transporte.
No workshop “Modos de deslocamento não motorizados – cultura de respeito”, o assessor executivo da Presidência da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), Deslandi Torres, enfatizou, em sua palestra, que o principal obstáculo ao uso da bicicleta como meio de transporte no Brasil ainda é a vontade política.
Segundo Deslandi, também é preciso aprimorar aspectos culturais e educacionais enraizados na sociedade. “A convivência segura e eficaz entre motorizados [motoristas, motociclistas etc] e não-motorizados passa necessariamente pela educação”, destacou Torres.
Na palestra, o assessor da EMDEC ofereceu definições para cultura (conjunto complexo dos códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva) e respeito (sentimento que leva a tratar alguém ou alguma coisa com deferência), contextualizando a dificuldade de convivência entre os diferentes meios de locomoção, dos mais elementares aos mais complexos. O palestrante alertou para a importância da qualificação em um trânsito que, a cada dia, com o aumento da frota, quantifica.
Já a superintendente de Educação e Segurança da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, Nancy Schneider, trouxe um balanço do Programa de Proteção ao Pedestre, implantado na capital em 11 de maio de 2011.
Em São Paulo (cidade), 90% dos atropelamentos estariam relacionados a fatores humanos, comportamentais; dados apresentados por Nancy apontam que em 44% dos atropelamentos de 2009, o pedestre teria atravessado a mais de 50 metros da faixa; outros 29% teriam feito a travessia a menos de 50 metros, mas ainda fora da faixa.
Embora o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) especifique, no artigo 70, a prioridade de passagem para o pedestre que estiver atravessando na faixa, a proposta da CET é criar uma cultura de respeito, envolvendo ampla campanha, fiscalização e ações de engenharia.
Surgiram, na capital, as figuras do orientador de travessia, contratado pelo Programa Social de São Paulo para orientar pedestres e motoristas – já são 829 nas ruas, além dos 2,4 mil agentes de trânsito – e até mesmo mímicos, que interagem nos cruzamentos para promover a conscientização sobre a cultura de respeito.
O Programa também envolveu manutenção de faixas, criação de placas educativas – “Na conversão, prioridade sempre do pedestre”, por exemplo – teatro nas escolas, treinamento de motoristas, materiais de divulgação e a criação de 26 Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre (ZMPPs), entre outras ações.
Completando este workshop, o assessor da Diretoria da CET Santos, Francisco Prata Jr, discorreu sobre a Mobilidade Urbana na cidade litorânea.
Já no workshop “Educação à Distância (EAD) na formação de multiplicadores”, a professora-doutora do Grupo de Estudos sobre Movimentos Sociais, Demandas Educativas e Cidadania (Gemdec) da Unicamp e também do Centro de Formação, Tecnologia e Pesquisa Educacional (Cefortepe) da Secretaria Municipal de Educação de Campinas, Suely Galli, falou sobre o surgimento e a evolução dos métodos de Educação à Distância.
Ela destacou a importância do uso de objetos de aprendizagem (animações, imagens, vídeos) e de equipes multidisciplinares na construção do conteúdo a ser ensinado.
Suely colocou que, se por um lado existem as vantagens da EAD, por outro devemos ficar atentos com o uso das mídias digitais. A educadora destacou a volatilidade da comunicação e da interação pela internet, com base no sociólogo Zygmunt Bauman, que aborda o grande volume de informações e a rapidez com que elas se propagam em seus estudos sobre a fluidez da existência contemporânea.
Ressaltando aspectos positivos da tecnologia, mas lembrando que devemos usá-la com cautela, a educadora alertou sobre a necessidade de bom senso e cuidado com o uso da internet, tanto pela superexposição que ela propicia quanto pelo grande número de informações equivocadas que são disseminadas: “Recebemos, sim, um grande volume de dados e notícias, mas não podemos esquecer que parte desse conteúdo não é confiável”.
Com êxito e entusiasmo, as equipes de educação de trânsito da CET-São Paulo e da EMDEC apresentaram seus projetos de EAD.
Josefina Giacomini Kiefer, supervisora do Departamento de Educação à Distância da CET – São Paulo, iniciou a fala com uma citação do educador Paulo Freire: “A educação não é um processo de adaptação do indivíduo à sociedade, mas um mecanismo de transformação em busca do ser mais”.
Assim, objetivando essa transformação e buscando atender à grande procura de professores por aprimoramento, a CET incorporou a metodologia de EAD a seus cursos – Sustentabilidade e Trânsito, Fazendo Escola, Curso de Inclusão para Deficientes e Pessoas com Mobilidade Reduzida, Família em Trânsito, Pilotagem Segura e Direção Segura.
Reni Paschoalino de Brito, educadora da Gerência de Educação e Cidadania da EMDEC, falou sobre o curso semipresencial de educação de trânsito implementado pela EMDEC em setembro deste ano.
O processo de estruturação do curso foi apresentado desde o desenvolvimento da metodologia, até a definição de públicos atingidos. Reni explicou que, nessa primeira etapa, o curso será voltado a multiplicadores – representantes de secretarias de educação, coordenadores e diretores do ensino público – para validação de conteúdo. Para o ano que vem, existem planos para estender o curso a professores atuantes nas salas de aula.
Também houve, na quinta-feira, o workshop “Segurança, educação e motociclistas”, com os palestrantes José Luís Terwak, gerente do Centro Educacional de Trânsito Honda, Pedro Sérgio Romeiro, coordenador do Departamento de Educação para o Trânsito de São José do Rio Preto, e Daniela Gurgel, coordenadora do Núcleo de Educação para o Trânsito da Prefeitura de São José dos Campos.

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



