Muita gente sequer conhecia essa rua antes dela receber o principal símbolo da mobilidade urbana da cidade: a nova Rodoviária. Em uma pequena via, uma grande obra. É claro que nossa referência é a Rua Dr. Pereira Lima, com 550 metros de extensão, mas que em razão do Terminal Multimodal de Passageiros Ramos de Azevedo, passou a receber milhares de veículos e um público estimado em 30 mil pessoas/dia.
A presença da nova Rodoviária garantiu à via total revitalização do seu sistema viário. Nova sinalização, calçadas, semáforos, para promover a interligação de Campinas a mais de 300 cidades, pelo Terminal. Inaugurado em junho de 2008, ele conta com 60 guichês, de 51 empresas de ônibus.
A denominação “multimodal” vem do fato do terminal poder unir diferentes modais de transporte: sobre pneus e, futuramente, sobre trilhos. O modal sobre pneus é representado pelos transportes rodoviário, urbano e metropolitano. O modal sobre trilhos está sendo preparado para receber a linha do Trem de Alta Velocidade – TAV.
A estrutura do terminal abrange 40 plataformas, 94 táxis e câmeras de segurança da Central Integrada de Monitoramento de Campinas – CIMCamp. O terminal está preparado com piso podotátil, rampas de acesso e escadas rolantes, garantindo a acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida.
A nova rodoviária também tem uma área comercial para atender os passageiros, com lanchonetes, livrarias e lojas de acessórios.
Jenifer Oliveira, atendente de uma das lojas, acredita que a mudança do espaço da rodoviária ajudou. “Agora, o passageiro tem mais opções enquanto espera o ônibus. Além disso, a estrutura melhorou bastante, ficou tudo mais fácil e organizado”.
A obra leva o nome de Francisco de Paula Ramos de Azevedo, em homenagem à contribuição do arquiteto para a cidade. Entre os projetos de destaque estão a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, o Bosque dos Jequitibás, a Delegacia Seccional, a Escola Estadual Francisco Glicério, o Cemitério da Saudade e o Mercado Municipal.
Muito além da Rodoviária
A via conta com um ponto de Táxi na Praça João Milani, o que garante mais uma opção de transporte da Vila Industrial para qualquer ponto da cidade.
Moacir Vengramine, taxista desse ponto, conta que atende aos moradores e trabalhadores do bairro. A mudança de endereço da rodoviária só acescentou movimento para o ponto. “O público aqui é bem tranquilo, o bairro é bom. Tem dias de mais movimento e dias mais calmos, mas um sempre compensa o outro. O lugar é ótimo para trabalhar”.
Memória
Antes dos táxis, as duas linhas de bonde que atendiam a Vila Industrial passavam pela via, entre as décadas de 1910 e 1960. Com o crescimento da cidade e, consequentemente, da frota de veículos particulares e do transporte público, os bondes foram aos poucos sendo abandonados.
Uma das linhas partia da Avenida Francisco Glicério e seguia pelas ruas Conceição, Barão de Jaguara, Avenida Dr. Moraes Salles, Pontilhão da Paulista, Avenida João Jorge, ruas Dr. Salles Oliveira, Pereira Lima, Jóquei Clube, Dr. Mascarenhas, Avenida Andrade Neves, Rua 13 de Maio, e voltava para a Avenida Francisco Glicério.
A outra linha de bonde partia da Praça José Bonifácio e seguia pela Avenida Francisco Glicério, Rua General Osório, Avenida Andrade Neves, Ruas Dr. Mascarenhas, Pereira Lima, Dr. Salles Oliveira, Avenida João Jorge, Pontilhão da Paulista, Rua Dr. Moraes Salles, Avenida Francisco Glicério, e retornava ao ponto de partida.
Além da linha de bonde, também passavam pelo Pontilhão da Paulista carros e carroças. Com o passar do tempo e o abandono das linhas, ele foi demolido. Hoje o que existe no local é o Viaduto Cury.
Para passear
Próximo à Rua Dr. Pereira Lima, está um dos mais importantes pontos turísticos da cidade. A Estação Cultura, que ocupa espaço na antiga estação ferroviária de Campinas. O prédio foi tombado em 1982, como patrimônio histórico e cultural.

Até março de 2001, o local funcionou com suas funções originais, como estação ferroviária. O último trem de passageiros saiu com destino a Araraquara. Após ser desativado, o prédio passou a abrigar o centro cultural, administrado pela Prefeitura.




