O Seminário sobre Mobilidade Urbana organizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), no Centro de Convenções da Unicamp, nesta terça-feira, dia 19, contou com a participação de 200 pessoas. O objetivo do evento foi promover o debate a partir do tema “Como a universidade prepara seus profissionais para atuar na mobilidade”, estimulando a reflexão sobre a formação dos diversos profissionais que atuam direta ou indiretamente na mobilidade urbana. Além do prefeito da Unicamp, Edison Favero, e do secretário de Transportes, Gerson Luis Bittencourt, integraram a mesa de debatedores o arquiteto Ricardo de Souza Campos Badaró, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC Campinas; o Dr. Mário Mantovani, professor titular e chefe da disciplina de Cirurgia do Trauma, da Unicamp; e Andréa da Silva Rosa, pedagoga da Universidade Paulista (Unip) e do Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação Dr. Gabriel Porto (Cepre), da Unicamp. Na abertura do evento, o prefeito da Unicamp avaliou o local como adequado para este tipo de debate e afirmou que a universidade deve dar exemplos de mobilidade e acessibilidade dentro de seu campus. “Nós somos formadores de opinião. É preciso que as pessoas que trabalham, estudam e vivem aqui levem para suas cidades estes conceitos”, disse Favero. Ele explicou que a acessibilidade depende da adequação dos edifícios e das áreas urbanas. Por isso, os projetos de novos edifícios no campus já estão sendo feitos com base nas novas exigências e a mudança nas estruturas urbanas já teve início com campanhas de respeito à sinalização e aos espaços reservados, especialmente para pessoas com deficiência. Ele revelou a preocupação da secretaria de Transportes com o aumento do número de motocicletas e de acidente envolvendo este segmento. “A acidentalidade é uma questão de saúde pública. Esta mudança do foco do seminário, agora voltado para as universidades, é muito importante, porque trata-se de mais um elemento para a construção de políticas públicas voltadas à circulação”. O secretário também apresentou alguns números para ilustrar o quadro de acidentalidade em Campinas envolvendo motociclistas: o número de motos aumentou 53% entre 2001 a 2005 e, somente no primeiro semestre de 2006, das 49 mortes registradas no trânsito de Campinas, 16 foram de motociclistas. “Acidente é algo que não se pode evitar” O professor Dr. Mário Mantovani fez sua apresentação tratando os acidentes de trânsito como formas de violência urbana. Conforme pesquisa sobre o perfil do trauma realizada no Hospital das Clínicas da Unicamp, na década de 70, a maior parte dos traumas era causada por armas brancas; em 1980, as armas de fogo eram responsáveis pelo maior número de registros; na década de 90, o carro ocasionava a maioria das entradas no hospital. De acordo com o professor, entre 2000 e 2005, as armas de fogo voltaram a liderar o ranking das causas de traumas. No entanto, os dados de 2006 confirmam uma situação já constatada pela secretaria de Transportes: a maioria dos feridos que deram entrada no HC em 2006 tinha sido vítima de colisões com motocicletas. Mantovani afirmou que os médicos têm pedido para que o termo “acidente” não seja mais utilizado de forma indiscriminada. “Quando falamos em acidente, banalizamos o problema, porque acidente é aquilo que não é possível evitar. Usando o termo errado, tiramos a responsabilidade do motorista.” Ele revelou que a faculdade tem procurado chamar a atenção para o problema do trauma, que é uma doença muitas vezes ignorada pela sociedade. O desafio da Faculdade de Ciências Médicas é criar um banco de dados, como já existe em outros países, que possibilite traçar o perfil dos pacientes e ampliar os estudos sobre as causas do trauma e suas conseqüências. O caráter multidisciplinar da mobilidade O arquiteto Ricardo de Souza Campos Badaró, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC Campinas, afirmou que o espaço é objeto de estudos de diversas áreas e por isso, a questão da mobilidade é complexa. De acordo com Badaró, ao fazer um projeto, o arquiteto se preocupa em como intervir com competência técnica e, ao mesmo tempo, responsabilidade social, pois sua ação redimensiona e modifica a vida no território que sofre a transformação. “Nós sempre pensamos na legitimidade da intervenção, no interesse público contido nela”. Ele destacou que a mobilidade não constitui uma disciplina isolada, mas é abordada em diversas disciplinas, como nos projetos urbanos que os alunos desenvolvem durante o curso, permitindo que os alunos apliquem os conceitos em diversas situações. “Com a velocidade de transformação do mundo, os conceitos se tornam obsoletos muito rápido. Por este motivo, temos um currículo aberto e articulado, que permite ao aluno ter autonomia intelectual”. Ana Carolina Bertho




