Se possível, siga um conselho: evite sair com o carro em dias em que a chuva alaga a cidade. Isso evita riscos e aborrecimentos.
Em tempos que enchentes e ruas interditadas viram lugar comum nas grandes cidades, é sempre bom lembrar dos cuidados ao dirigir em solo mais que molhado. A primeira recomendação é a mais óbvia: evitar sair com o carro nos dias em que a chuva alaga a cidade. O problema é quando o motorista se vê no meio da rua durante uma tempestade de verão. Nesse caso, é preciso seguir alguns conselhos que não transformam o carro num barco, mas evitam gastos no mecânico.
Ao chegar na borda de uma grande poça de água, o motorista deve parar um pouco e observar os carros que já estão na água. Se a água estiver batendo na altura da metade das rodas, o melhor é desistir da travessia, encostar num canto, longe de bueiros, e torcer para o nível não subir mais. O conselho vale especialmente para os sedãs e esportivos importados, que têm a tomada de ar para o motor muito baixa. Se atravessar a água for absolutamente necessário, o motorista deve esperar o carro da frente seguir por um bom trecho, deixando uma boa área livre entre um automóvel e outro. Para entrar na água, deve-se engrenar uma marcha reduzida (de preferência a primeira) e ir sempre em frente em baixa velocidade, mas mantendo aceleração constante. Isso evita que a água bloqueie o escapamento. Não se deve trocar a marcha dentro da água. É bom ficar longe dos ônibus, evitando as marolas. A parte central da pista é mais alta e, portanto, a mais segura. Além disso, os bueiros (muitas vezes sem tampas) ficam próximos ao meio-fio.
Se o carro enguiçar no meio da poça d”água, o melhor é não insistir em dar a partida e empurrá-lo até uma parte seca (ou mais rasa). A pane pode ter sido causada pelo calço hidráulico, ou seja, a água invadiu a câmara de combustão e travou o motor. Nesse caso, a pior coisa a fazer é tentar ligar o carro: como a água não pode ser comprimida, as bielas empenam e podem até se quebrar depois de algum tempo, causando a perda do motor – e nenhum fabricante oferece garantia para esse problema. Para evitar o calço hidráulico, o motorista precisa tirar as velas, sem esquecer de marcar a ordem dos cabos, e girar o arranque, expulsando a água de dentro do motor. É bom aproveitar e secar as velas, o que pode ser feito até com a chama de um isqueiro. Em muitos modelos de última geração, as velas ficam "escondidas". Para os que não têm ferramentas e conhecimentos mecânicos, o melhor mesmo é esperar o fim da chuva e chamar um reboque.
Em carros atuais, não há um distribuidor convencional – mas a velha receita de se retirar a tampa do distribuidor e secar os componentes internos ainda vale para modelos antigos. Após passar pelo trecho alagado, e já com o carro andando, o motorista deve dar algumas pisadas leves no freio, para secar o sistema mais rápido e poder parar numa emergência.
Nos piores casos, o óleo e a gasolina devem ser trocados. Dependendo da enchente é preciso fazer uma limpeza e revisão geral no automóvel. Se a água tiver alcançado a boca do tanque, deve-se esgotar e trocar o combustível. Se o carro ficou submerso e é equipado com carburador, deve-se desmontar a tampa e esvaziar a cuba do componente, reenchendo depois com combustível novo. Em todos os casos, o motorista deve ter cuidado com o óleo, que pode estar misturado com água. Para verificar isso, basta puxar a vareta do óleo e ver se o nível esta muito alto ou o lubrificante está com uma aparência leitosa (e com gotículas de água). Além do lubrificante, deve-se trocar os filtro de ar, óleo e combustível. Quando arranque e alternador funcionam, basta dar um jato de água para tirar a lama dos componentes. Se não derem sinal de vida, o jeito é procurar um eletricista. Fonte: BHTRANS




