Com aproximadamente 300 metros de extensão, a Rua Hércules Florence não é grande o suficiente para denotar a importância do nome que carrega. O francês, que se mudou para Campinas em 1830, é o inventor da fotografia. Localizada no bairro Botafogo, próxima ao Colégio Culto à Ciência, a via ainda preserva uma aparência antiga, por causa dos paralelepípedos presentes em um dos trechos.
A rua, que antes não tinha nome, recebeu a denominação atual em 1884 por proposta de um vereador da época. No texto, a Câmara declara que “à rua transversal do Culto à Ciência, ainda sem nome, que começa no campo abaixo do bairro do Bota, e passando junto aos terrenos daquele estabelecimento de educação, vai terminar na aguada que fica no fundo do referido colégio, se dê o nome de Rua Hércules Florence”.
Hércules Florence chegou ao Brasil em 1824, aos 20 anos de idade. Veio de navio para conhecer o Novo Mundo, pois tinha interesse em botânica e expedições. Quando desembarcou no Rio de Janeiro, trabalhou em uma loja de roupas, depois em uma livraria.
Mais tarde se candidatou a uma vaga para desenhista em uma expedição que saiu do Rio de Janeiro, passou por Santos e terminou na Amazônia. Para registrar a viagem, Florence fez uma série de desenhos e aquarelas retratando a fauna e a flora locais.
Esses desenhos estão atualmente na Academia de Ciências de Moscou, na Rússia. Eles revelam um trabalho minucioso de representação da natureza. Florence registrava as informações de cada desenho produzido: data, local, dimensões do exemplar documentado etc.
Depois da expedição, abandonou o trabalho como segundo desenhista. Somente em 1849 retomou as anotações sobre a expedição que, em 1977, deu origem ao livro “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas pelas Províncias Brasileiras de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará”.
Com o fim de seus trabalhos como desenhista, o artista se mudou para Campinas (na época Vila de São Carlos) em 1830, onde constituiu família e se tornou fazendeiro. Apesar disso, as questões científicas não ficaram de lado; ele começou a documentar as transformações pelas quais a região passava. Na época, as lavouras de cana-de-açúcar e café, o trabalho escravo nos engenhos (foto à direita) e a derrubada de florestas para o plantio foram amplamente documentados por Florence.
Teorias apontam que Florence começou a desenvolver o processo fotográfico com o objetivo de tornar suas ilustrações mais reais. O primeiro processo de impressão de imagens criado por ele chamava-se poligrafia, semelhante ao atual mimeógrafo.
A partir de 1832, começou a investigar as possibilidades de fixação de imagem utilizando a câmara escura, por meio de um elemento que muda de cor com a ação da luz. Um ano depois, chegou ao tipo de impressão atual, batizada de fotografia.
Hércules Florence faleceu em Campinas, em 27 de março de 1879.

10/06/2026/
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