A reunião de conciliação de motoristas e cobradores com representantes das empresas concessionárias do sistema de transporte coletivo público de Campinas acabou sem solução nesta quinta-feira, dia 17 de maio, na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, em Campinas.
Depois de quase duas horas de discussões acaloradas, os representantes da classe patronal e dos grevistas não chegaram a um acordo. Por conta deste impasse e por considerar o descumprimento da ordem judicial de manter uma frota mínima de 70% de ônibus convencionais nas ruas em horários de pico, o desembargador Renato Buratto, ampliou a multa diária de R$ 20 mil para R$ 50 mil ao Sindicato dos Rodoviários.
Além disso, o desembargador definiu uma pena aos trabalhadores, tendo como base a falta de controle do sindicato da categoria diante das ações registradas nos últimos dias pelos integrantes do grupo dissidente. A multa estabelece o pagamento de um dia de salário para cada dia de greve.
Buratto justificou; “É inadmissível que a população sofra com uma disputa sindical. A questão da categoria deve ser discutida dentro do sindicato. O que interessa neste momento é garantir às pessoas o direito de ir e vir”, disse o desembargador.
Reunião Histórica
A reunião desta quinta-feira foi histórica, pois contou com a presença de representantes dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo de Campinas. O prefeito Pedro Serafim acompanhou a audiência, com o vice-prefeito Francisco Soares de Souza; com o secretário de Transportes, André Aranha Ribeiro; assim como os vereadores Gilberto Cardoso Vermelho (PSDB); Francisco Sellin (PMDB); Leonice da Paz (PDT) e Zé Carlos (PMDB).
A convocação extraordinária contou com a participação de 104 pessoas no plenário do TRT, que ficou lotado. Diante do impasse, foi mantida a audiência de conciliação, marcada para esta sexta-feira, dia 18 de maio, no TRT.
Decepção
O prefeito ficou decepcionado com a falta de conciliação e afirmou que a Prefeitura não vai medir esforços para garantir a circulação de 70% dos ônibus nas ruas de Campinas, conforme o TRT determinou. “Vamos garantir com a Guarda Municipal o direito dos trabalhadores que quiserem atuar nas linhas de ônibus, consigam sair das garagens com segurança”, afirmou Serafim.
“Esta é a medida que está ao alcance da Prefeitura, pois não há condições de se apossar dos veículos e sair para atender as pessoas nos pontos de parada”, comentou o prefeito. “O que a Prefeitura pode fazer é desobstruir as portas das garagens”, concluiu.
O secretário de Transportes, André Aranha Ribeiro, lamentou também o resultado da audiência. “A Justiça respondeu ao clamor da sociedade e, por meio da audiência, buscou a conciliação, buscando também garantir o direito de toda a população de ter o transporte público”, disse. “Porém, não houve empenho das partes envolvidas em resolver a questão”, finalizou.
Conturbada
A secção desta quinta-feira teve momentos de exaltação entre os representantes do Sindicato dos Rodoviários e os trabalhadores dissidentes da categoria. Eles não se entenderam sobre as reivindicações e o desembargador chegou a convocar um representante dos dissidentes para a mesa de negociação.
Florisvaldo Barbosa dos Santos, da empresa VB 3, demitido nesta semana, alegou que a categoria voltaria a trabalhar, caso os 15 demitidos voltassem de imediato ás suas funções. O desembargador reafirmou que as questões sindicais fossem debatidas em outro momento. “O que mais interessa agora é a conciliação e a volta imediata ao trabalho para não penalizar, ainda mais, a população”, disse Buratto.
Na saída houve também tumulto. A concentração de grevistas provocou um ameaço de agressões e a Polícia Militar foi convocada para apaziguar os ânimos.
* com fotos de Carlos Bassan




