Das ruas para o trabalho em salas de aula. Luis Carlos Mechi, agente da Mobilidade Urbana na Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) é o mais novo integrante que atua no Projeto “A gente aprende. Agente Ensina”, desenvolvido em escolas do ensino infantil ao médio na cidade. No total, são três agentes com atividades que priorizam o atendimento às escolas.
Só em 2011, os agentes do projeto visitaram 25 escolas em Campinas, atendendo mais de 13 mil alunos, e repassaram lições de cidadania, educação no trânsito, orientações sobre comportamento no transporte público e na mobilidade, levando sempre conceitos de segurança e prevenção na circulação.
Neste ano, o projeto será ampliado e beneficiará duas escolas por semana.
O agente Mechi atuou no trabalho de fiscalização do trânsito desde 1997; e só assumiu as atividades do “A gente aprende” em setembro de 2011.
Ele conta que o desejo de fazer um trabalho mais focado na educação era antigo e que a transição das ruas para a escola foi bastante tranquila, pois o contato com os estudantes, apesar de desafiante, é bem menos estressante que o dia a dia no trânsito.
“Nas ruas, você está a todo tempo em contato com a poluição, com acidentes; e em situações de emergência, que exigem muito da sua saúde física e psicológica. Com os alunos, os questionamentos são intensos, mas o retorno é muito maior.”
Vivência – Mechi ressalta que inúmeros alunos após as palestras do projeto pedem um abraço, crianças pedem colo, e até mesmo fotos com ele. “Muitos estudantes veem o agente, após as orientações, como um super herói”, comenta.
Segundo o agente, a missão desses profissionais nas escolas é muito semelhante a de um professor. “Enfrentamos, muitas vezes, o mesmo conflito que eles vivenciam nas salas de aula, situações de rebeldia; e, nem sempre, a receptividade é simples. Eu mesmo, em pouco tempo, já presenciei situações de verdadeira ‘guerra’ nas escolas. Mas o nosso desafio é trabalhar os conflitos e exercitar o convencimento.”
Em algumas situações, por exemplo, alunos diziam que não respeitavam o assento preferencial no transporte coletivo, porque não iam ficar velhos; em outras, crianças afirmavam andar em motos sem capacetes, porque seus pais deixavam, conta o agente. “Mas, ao final de nossas visitas, percebemos claramente que podemos influenciar de forma bastante positiva a comunidade escolar para uma convivência mais harmônica e segura na circulação.”
Mechi comenta que, ainda que o trabalho seja bastante rotineiro, já que a atividade é realizada semanalmente e os temas são os mesmos – prevenção, defesa da vida, uso de equipamentos de segurança, cidadania e comportamentos seguros na mobilidade – o resultado é gratificante. “A gente se sente realizado ao perceber que o que orientou será adotado e multiplicado em casa, com os vizinhos, parentes e irmãos dos estudantes”.
Ele complementa, ainda, que os agentes trabalham em muitas frentes. E, na maioria das vezes, são lembrados só pela fiscalização. “No projeto ‘A gente aprende. Agente ensina’, conseguimos mostrar um pouco desse outro lado de nossa função. Também buscamos mostrar que os comportamento não devem ser pautados pelo receio da fiscalização, mas pelo fator risco, inclusive do risco de morte.”
Experiência e elogios
Há mais tempo no projeto, Gerson Fábio de Oliva defende que o principal desafio do agente na sala de aula é garantir que a informação seja compreendida para que a prevenção seja garantida. “Temos que ter um discurso diferenciado para todos os públicos, já que trabalhamos com crianças de 7 e 8 anos; e adolescente com 14 anos. Os argumentos no processo de convencimento são bastante distintos de um público para o outro, pela carga de conhecimento que trazem.”
Ele comenta que os adolescentes exigem muito mais veemência nos esclarecimentos, pois já apresentam uma série de práticas que precisam ser refletidas, repensadas e, em algumas vezes, transformadas.
Oliva defende que o projeto faz toda a diferença para a cidade. “O ‘A gente aprende’ tem um importante papel de formação e de transformação”, defende.
O terceiro agente que completa a equipe do projeto é Lauro Almeida.
Saiba mais sobre o projeto
O projeto de levar os agentes da Mobilidade Urbana para as salas de aula e oferecer lições de trânsito, transportes e cidadania aos estudantes da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio surgiu, em 2006, como uma atividade pontual de orientação, em escolas que eram beneficiadas com projetos de sinalização da EMDEC.
A atividade teve tanto sucesso que se tornou um projeto permanente da EMDEC. Assim, desde 2007, a empresa desenvolve as atividades do programa que, além de oferecer dicas que contribuem para qualificar a circulação de pais e alunos, valoriza o Agente em seu papel educativo e de pronto-atendimento ao cidadão, 24 horas por dia.
Após ter sido transformado em projeto permanente, os agentes de trânsito que, eventualmente, participavam das ações foram integrados à Gerência de Educação, priorizando essa atividade.
Para iniciar o trabalho em sala de aula, os agentes, além da vivência no trânsito e amplo conhecimento do Código do Trânsito Brasileiro, recebem formação teórica, em um curso de formação; e prática, pois acompanham os agentes mais antigos no projeto para só depois assumirem as salas.
Esse momento configura-se como uma visita técnica, na medida em que no período que estão na escola, os educadores da EMDEC acompanham os agentes e orientam a Coordenação e todo o corpo docente sobre os conceitos da campanha “Cidadania e Paz no Trânsito”, que aborda valores como: respeito, solidariedade, responsabilidade, diálogo e consciência nas relações de circulação e conceitos transversais como gentilezas urbanas.
Durante a ação, são disponibilizados folhetos e projetos pedagógicos e divulgado o hotsite interativo. Essa ferramenta permite que jovens e crianças naveguem, encontrando informações sobre segurança e os conceitos da campanha. O material amplia a ação no interior das escolas, como instrumento que o professor pode usar em suas propostas pedagógicas.
A escola que recebe o projeto tem que desenvolver com os alunos atividades pertinentes ao material recebido e retratá-lo em portfólios. Esses portfólios servem como um instrumento de avaliação do projeto dentro da escola.
Escolas e instituições interessadas em receber a atividade, podem entrar em contato pelos telefones (19) 3772.4024 ou 3772.4292. As atividades do Projeto serão retomadas na segunda quinzena de fevereiro.

10/06/2026/
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