“Não adianta somente abaixar a taxa de mortalidade infantil. Temos, também, que ampliar a expectativa de vida da nossa população jovem, diminuindo os índices de mortes no trânsito”. Com estas palavras, o prefeito Dr. Hélio de Oliveira Santos abriu a apresentação à imprensa, no fim da manhã desta terça-feira, 20 de outubro, dos detalhes de uma ampla Campanha de Combate à Violência no Trânsito. A partir da próxima sexta-feira, dia 23, a campanha “Estatísticas se cruzam. Motoristas alcoolizados também. Nunca dirija depois de beber”, realizada pela Prefeitura de Campinas, por meio da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), terá espaço na televisão (veiculação na EPTV, TV Band e TVB – por uma semana), jornais (veiculação no Correio Popular, Notícias Já e Diário do Povo), 20 pontos de outdoor, cinco pontos de frontlight e, ainda, ações presenciais em bares, com atuação também na periferia. O objetivo da campanha, que recebeu investimentos na ordem de R$ 500 mil, é o de conscientizar a população, principalmente os jovens, sobre a mistura, muitas vezes fatal, entre bebida alcoólica e direção. “Trabalhar com a prevenção de acidentalidade no trânsito é trabalhar com educação, cultura e lazer seguro. E manter Campinas como uma das cidades do país que apresenta alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH de 0,852 – o oitavo mais alto do Estado), completou Dr. Hélio. Uma morte a cada três dias O mote da campanha – que envolve as secretarias de Transportes, Saúde e Educação – está centralizado no tripé motos, motoristas alcoolizados e público jovem – segmentos mais vulneráveis à acidentalidade e mortalidade no trânsito. De acordo com dados da EMDEC, de 1995 até 2008, a frota de motos cresceu 241,1% em Campinas, passando de 27 mil para mais de 92 mil veículos. Das 138 vítimas fatais no ano passado (média de uma morte a cada três dias), 68 eram ocupantes de motos e outros 17 foram atropelados por motocicletas. Ou seja, as motocicletas estiveram envolvidas em 62% das ocorrências fatais. Entre os motociclistas mortos, o grupo predominante é jovem, com faixa etária de 18 a 29 anos – que representa 57,3% das vítimas. Nos acidentes fatais, 87% das vítimas são homens. Além disso, quase a metade das vítimas fatais que teve a dosagem alcoólica analisada em 2008 apresentou índices superiores aos permitidos pela legislação. “Esta é a campanha mais impactante realizada pela EMDEC em sua história. E tem que ser assim, porque a bebida leva a acidentes mais fortes e pesados, com consequências gravíssimas”, afirmou o secretário de Transportes, Gerson Luis Bittencourt. E completou, “vamos buscar a ajuda dos meios de comunicação, na divulgação das estatísticas, para revertemos esses números”. Para o secretário da Saúde, José Francisco Kerr Saraiva, a intensificação do trabalho de conscientização para reduzir as ocorrências nas vias é fundamental. Em torno de 25% do orçamento anual da Saúde – da ordem de R$ 600 milhões – é usado no atendimento a vítimas de acidentes de trânsito. “Aonde deságuam as vítimas de acidentes de trânsito?… Na Saúde. São ocorrências envolvendo motociclistas e acompanhantes, que têm uma incidência bem maior entre os homens”, salientou Saraiva. Conta impagável Com os números da violência no trânsito em 2008, que contabilizaram 1.843 acidentes para cada 100 mil habitantes em Campinas, o município teve prejuízos de mais de R$ 149 milhões, sendo que apenas com as mortes no trânsito foram gastos cerca de R$ 20 milhões. Os cálculos são feitos com base em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que, em 2003, estimou valores dos acidentes sem vítima (R$ 3.262,00), com vítimas e atropelamentos (R$ 17.460,00) e com vítimas fatais (R$ 144.478,00) para regiões metropolitanas do Brasil. Esses prejuízos envolvem as perdas mensuráveis como dias de afastamento, hospitalização, medicamentos, tratamentos, fisioterapia dos acidentados, equipamentos públicos abalroados como placas, postes, semáforos, pessoal envolvido nos atendimentos e socorro, os danos previdenciários, com veículos, seguradora etc. Mas os números não expressam valores que não podem ser pagos, como a desestruturação de famílias pela perda de vidas ceifadas muito cedo. Por isso, as ações educativas são fundamentais. O secretário de Educação, José Tadeu Jorge, afirmou que essa discussão será levada para dentro das escolas municipais e outras unidades de ensino. “Vamos criar uma geração mais consciente e fazer com que as nossas crianças levem para a família o que aprenderem em sala de aula”. Márcio Souza

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



