Foi na Praça Bento Quirino que a cidade de Campinas começou a tomar forma. Neste local, considerado o “marco zero” e berço da cidade, foram desenhados, no final do Século 18, os traços iniciais das primeiras vias, então, denominadas “Rua de baixo”, “Rua do meio” e “Rua de cima”, atuais ruas Luzitana, Dr. Quirino e Barão de Jaguara, respectivamente.
Os viajantes que passavam pela cidade constituíram, naquele lugar, um ponto de pouso para descanso e partidas para viagens. No ano de 1774, aos poucos, a Praça testemunhou a transformação do centro da cidade, que foi se delimitando com a chegada da primeira Igreja Matriz, cemitério e as principais casas de comércio.
A primeira Igreja da cidade
Quem passa próximo ao monumento à Carlos Gomes, na Praça Antônio Pompeo, em frente à Praça Bento Quirino, não imagina que ali foi erguida uma capela de barro e sapé onde foi celebrada a primeira missa de Campinas.
A capela foi edificada não só para atender aos religiosos moradores, espalhados por sítios e fazendas; mas também para ser a sede de uma povoação planejada. A organização da comunidade foi entregue ao agricultor Francisco Barreto Leme.
A igreja possuía nave e capela-mor, e, em seu interior, de terra batida, eram sepultadas pessoas consideradas importantes.
A primeira missa foi celebrada pelo primeiro pároco de Campinas, frei Antônio de Pádua Teixeira, acompanhado pelo padre Antônio do Prado Siqueira, de Jundiaí. A cerimônia foi complementada com a celebração do casamento dos escravos Mateus e Rita. A pia também foi inaugurada com o batismo de um dos netos de Barreto Leme, Domingos.
Apesar de a Igreja provisória cumprir com sua função, a demarcação da matriz definitiva foi feita em um curto período de tempo e inaugurada sete anos mais tarde.
Basílica do Carmo
A Basílica do Carmo, na Praça Bento Quirino, foi inaugurada em 25 de março de 1781.
Reformada várias vezes, foi demolida e reconstruída totalmente em 1929, com os padrões atuais. Possui um estilo neogótico, mas, à princípio, o projeto da Igreja previa uma construção mais alta, em legítimo estilo gótico, como as igrejas góticas da Europa.
Com a crise do café e o empobrecimento dos cafeicultores locais, que ajudaram financeramente com a contrução, acabou-se concluindo a Igreja com dimensões muito inferiores às desejadas.
O interior da Igreja guarda os restos mortais de Barreto Leme, fundador de Campinas, sepultado em 13 de abril de 1782. A Igreja abriga, também, um órgão complexo e valioso, instalado em 1953.
O instrumento é da marca Giovani Tamburini, conta com dois teclados, 1.335 tubos e pedaleira. O exemplar está entre os instrumentos de maior recurso harmônico e melódico do interior do Estado e é dotado de 24 timbres diferentes, os quais podem ser usados em combinações diversas.
Bem perto da Praça Bento Quirino
A Praça Antônio Pompeo é vizinha à Praça Bento Quirino, e chega a confundir os cidadãos, que acreditam que trata-se de um único espaço. A Praça Antônio Pompeo guarda dois monumentos importantes: o monumento-túmulo de Carlos Gomes, obra do escultor Rodolfo Bernadelli, que tem cópia no Rio de Janeiro, em frente ao Teatro Municipal; e o monumento a Bento Quirino, obra do escultor Zeni, executada no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
Além dos dois monumentos, há, na Praça, o prédio do Jockey Club, que foi inaugurado em 1925 para ser a sede do antigo Clube Campineiro. O edifício, com um estilo arquitetônico eclético, mescla características art-noveau e elementos neorenascentistas. Ele está edificado em uma área de 1.371 metros quadrados e sua atração de destaque é um elevador dourado, em ferro, que é utilizado desde sua inauguração.
O Jockey teve, até a década de 70, um período de grande movimento repleto de festas e recitais de piano e canto. Com o fim das corridas de cavalos na cidade, a movimentação no local foi drasticamente reduzida; mas o Jockey sobreviveu.
Em 22 de dezembro de 1994, o sobrado do Jockey Club Campineiro foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc). O prédio foi revitalizado em 2005; e, em 2008, as reformas foram concluídas com a instalação de um projeto de iluminação.
A secretária geral do Jockey Club de Campinas, Valdenir Viegas Gross, trabalha no local há 8 anos e ama o clima histórico do prédio. “É muito bom. Existem muitas recordações positivas guardadas aqui”, afirma.
Segundo ela, hoje o Jockey não conta com toda a agitação de antes. São apenas cerca de 50 pessoas que contribuem com o clube fielmente. O ambiente está sempre muito tranqüilo e recebe a visita de 15 a 20 fraquentadores por semana, sendo a maioria idosa. “É difícil imaginar que um lugar tão agitado não tenha conquistado novos adeptos para manter a tradição. Os freqüentadores atuais são os mesmos de 50 anos atrás. São idosos e se recordam com muita saudade das festas”, conta Valdenir.
Ela ainda completa: “as pessoas que mantém o título do Jockey Club são as que ganharam por meio de tradição familiar e ficam com pena de desfazer. Apesar de toda a riqueza histórica e cultural que o prédio guarda, os campineiros desconhecem o Jockey por dentro. Ele precisa ser redescoberto pela população”, defende a secretária.
O prédio do Jockey contava com um Piano Bar desde 2008, mas, no fim de 2009, deixou de funcionar e, atualmente, pode ser alugado para eventos. Dentro do bar ainda está uma das principais atrações do Jockey: um piano de cauda, fabricado em 1918.

Uma das sete maravilhas
No período de 1º a 12 de julho de 2007, os internautas puderam escolher, através de votação, seus locais favoritos na cidade de Campinas. A Estação Cultura ficou em primeiro, logo após a Catedral Metropolitana, seguido da Lagoa do Taquaral, do Prédio do Jockey Club, do Mercadão Municipal, da Escola de Cadetes e, por fim, da Torre do Castelo.
O Jockey Club Campineiro localiza-se na Praça Antônio Pompeu, 36, Centro, Campinas (a poucos metros da Praça Bento Quirino).
Ao redor do marco zero
A Praça Antônio Pompeo também abriga, às quintas e sextas, das 8:30 às 18 horas, uma feira de artesanatos e alimentação, que funciona bem ao lado do prédio histórico do Jockey.
Além do artesanato, o público encontra barracas de pastel, de yakissoba e doces caseiros.
A doceira, Eunice Couto Batista, tem barraca na feira há apenas três meses, mas está adorando trabalhar ali. “Comecei a fazer doces para não ficar parada em casa. Está sendo muito bom trabalhar aqui e vender o que faço com tanto carinho”, diz Eunice.
Já, a bordadeira Sueli Ferreira Aragão, está há seis anos no local. Ela vende artigos de mesa e banho e gosta muito do serviço. “Minha mãe que me ensinou a bordar. Comecei com quatro anos de idade e nunca mais parei. Faço até de olhos fechados”, brinca Sueli.
A artesã, Zoé Valéria Druwgowich, expõe suas obras de madeira e gesso na feira há um ano e dois meses. Segundo ela, a grande circulação de pessoas contribui imensamente para as vendas. “Aqui tem sempre um ótimo movimento. Consigo vender bem e pego bastante encomendas”, afirma a artesã.
A artesã de bolsas, Maria de Lurdes Ferreira, está na feira há dois anos. Ela se inspira no que vê nas vitrines para criar seus modelos. “Sempre dou uma olhadinha para ter uma noção do que as mulheres estão usando. As vitrines são o espelho da moda e acho que não tem lugar melhor para tirar idéias”, conta.
Bento Quirino: grande homem, grandes ações
Bento Quirino dos Santos nasceu em Campinas, no dia 18 de abril de 1837. Era filho do major Joaquim Quirino dos Santos e de Manoela Joaquina de Oliveira Santos. Desde cedo atuou no comércio, tendo o seu estabelecimento no prédio em que hoje funciona a "Escola Politécnica de Comércio Bento Quirino".
Durante a epidemia da febre amarela de 1889, Bento Quirino prestou serviços à cidade que a população, em agradecimento, mandou colocar na fachada de seu estabelecimento e residência uma placa em homenagem (na Rua Sacramento, esquina com Benjamin Constant).
Bento Quirino foi extremado propagandista da República, e eleito vereador pelo Partido Republicano na época da Monarquia. Fundou a "Santa Casa de Campinas", onde auxiliou Padre Vieira. Foi diretor da Companhia de Iluminação a Gás.
Bento Quirino também foi um dos fundadores do "Colégio Culto à Ciência" e da "Companhia Campineira de Água", além de presidente da "Companhia Mogiana" e sócio benemérito de todas "Associações Campineiras".
Faleceu em 26 de dezembro de 1914, tendo sua memória vinculada às mais úteis instituições locais. Grande parcela da sua fortuna foi destinada à fundação do "Instituto Profissional Bento Quirino", e à manutenção da "Escola Técnica de Comércio Bento Quirino" (que hoje funciona em sua antiga residência), orfanatos, hospitais, maternidades e "Creche Bento Quirino".
O Monumento a Bento Quirino situa-se na Praça Antônio Pompeo. Ele foi inaugurado em 18 de abril de 1914, no saguão do "Instituto Profissional Bento Quirino", e depois foi transferido para a Praça, no dia 18 de abril de 1937, quando foi comemorado o centenário do seu nascimento.
Para os interessados em conhecer a Praça Bento Quirino e observar seus marcos históricos, ela está localizada entre as ruas Benjamin Constant e Barreto Leme, tendo nas laterais as ruas Sacramento e Barão de Jaguara.
Fontes:
Basílica do Carmo – www.basilicadocarmocampinas.org.br
Prefeitura de Campinas
Wikipédia
Ruas da época Imperial – Édmo Goulart
pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com




