“Ah, a rua é nossa.” Por um momento um coro puxou o refrão que resumiu o tom da Jornada “Na cidade sem meu carro”, que garantiu cerca de seis horas de atividades na Rua Francisco Glicério (uma das principais da cidade) e na Rua General Osório, fechadas parcialmente ao trânsito e abertas ao público, no sábado, dia 22. Além de ocupar a via, o público tomou a praça. Em um ponto, mesas recebiam interessados em jogos: dama, xadrez, cara a cara, entre outros. Neidi Magalhães, 68 anos, acompanhava a filha numa animada disputa no tabuleiro de damas. “Nunca tivemos oportunidade de vivenciar um momento como esse. Aqui, percebo que há espaço para a integração e entrosamento social das pessoas com deficiência”, argumentou ao assistir a filha no jogo. Muito próximo ao palco, sons indígenas, de tambores e sete dançarinos mostravam “Reflexos do Brasil”. Era o grupo de dança contemporânea da APAE, que parou a praça. A argentina, Irma Gonzales, 67 anos, junto com o neto Lorenzo de um ano, assistia a tudo a mais de uma hora e meia, sem pressa de ir embora. Ela contou que, em seu país, raramente viu um evento como aquele. “Achei tudo isso mui importante (sic), a questão do trânsito e do meio ambiente em meu país fica restrita às escolas”, comenta. Oficinas colheram sugestões para reduzir o uso do carro E a poucos passos dali, crianças colocavam nos papéis suas impressões e sugestões de como reduzir as lentidões e a poluição. Era o espaço das oficinas. Um grupo de estudantes de artes colhiam os resultados e expunham os trabalhos em varais. Tudo nascia a partir de uma história. A irmã do personagem “Elvis”, lançado na véspera da Semana do Trânsito, no Programa de Visitas da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, saía atrasada para o trabalho, perdia uma carona e tinham que enfrentar um congestionamento. Não o bastante, o pneu de seu carro fura e ela se viu obrigada a ir trabalhar forçosamente sem carro. Nos varais, as cenas apontadas eram de bicicletas, carros nas garagens e regras de convivência para mudar essa história de tanto carro na rua. Giz nas mãos e surgem as bandeiras Simultaneamente, a Rua General Osório ia sendo coberta por bandeiras de países, na exposição Cont-Nation, idealizada por Sylvia Furegatti, que reuniu signos circulares presentes em bandeiras do mundo. Bruno Martins Alves, 9 anos, e seu primo, Lucas Simões Martins, chegaram com o pai, e ajudavam a construir a bandeira da Turquia. O industriário, Manoel Martins, aproveitou o momento e confessou que no sábado estava a pé, mas que na sua casa moravam três pessoas e na garagem havia dois carros, mas que na medida do possível tentavam utilizar só um deles. Mais dança, música, poesia e teatro Mais espaço para dança. A praça recebeu ainda o grupo de pessoas com deficiência da entidade Sorri. Na seqüência, uma homenagem à Campinas. Nos versos, do poeta Emílio, a cidade evidenciada em suas vias: Treze de Maio, Largo do Rosário; e nos seus pontos turísticos como o Taquaral, o Paço Municipal e rememorando uma das suas mais ilustres personalidades: Carlos Gomes. Já era quase 11h30 e o amarelo da campanha “Preferência pela vida” deu cor à praça, com a chegada dos 400 ciclistas que participaram do Passeio Ciclístico da EMDEC ((leia mais em Passeio Ciclístico atrai adultos e crianças no Dia sem carro). Mas o tom ficou por conta da Bateria Alcalina, que recepcionou quem chegou pedalando. A partir daí, sorteio de bicicletas e praticamente três “bis” para a Bateria Alcalina, que mostrou porque faz jús ao nome e tocou praticamente até o fim da festa. Mas houve espaço ainda para a capoeira e para o “Swing da Lata e 16 toneladas”, com o grupo do CIAD, da PUC Campinas. E com tantas linguagens artísticas num só circuito, não poderia faltar o teatro. A trupe Arte Intrusa entrou em cena com a peça “Sua atitude muda tudo”. Uma proposta de conscientização do respeito ao assento preferencial no transporte coletivo. O público foi convidado a fazer a viagem de Barão Geraldo ao Terminal Central e embarcou com o grupo. A peça que é resultado de uma parceria entre a EMDEC e a Transurc, cativou quem estava na praça. Ao longo de toda manhã, também artistas circenses com pernas de pau e um “grupo de sombras” chamaram a atenção de quem cruzou o Largo do Rosário, General Osório e a Avenida Francisco Glicério. Marluci Stefanini, 46 anos, de um grupo de Terceira Idade, resumiu o clima da Jornada deste ano. “É difícil citar o que foi o melhor, porque tudo foi tão bom”, descreveu com a experiência de quem já acompanhou o evento também no ano passado. Trabalho na madrugada Para garantir a Jornada “Na cidade sem meu carro”, o trabalho de mais de 50 pessoas começou bem na madrugada. Desde às 4 horas, equipes da manutenção, da Educação, da sinalização e da Comunicação da EMDEC, já estavam na praça. Os trabalhos começam com a montagem da exposição “Evite Riscos. Não entre nessa., um dos pontos de maior destaque da Jornada deste ano (leia mais em A exposição colocou carros e motos retorcidos em acidentes e histórias fictícias, mas muito próximas da realidade. Indignação, perplexidade e susto acompanhavam cada pessoa que passava pelos veículos. (leia mais em “Surpreso, público aprova instalação “Evite riscos, não entre nessa”, na Glicério”). Também pôde ser conferida na praça as frotas de ônibus do sistema Intercamp, os veículos adaptados do Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI) e máquinas de sinalização. Uma mostra dos instrumentos de trabalho da EMDEC. E para quem ainda não conhecia a Central Integrada de Monitoramento de Campinas (CIMCamp), numa tenda um telão mostrava o seu funcionamento. Aproximadamente, mil pessoas passaram pelo evento. Denise Pereira




