Implantado há dois anos no sistema de transporte coletivo de Campinas, o Bilhete Único apresenta como principal marca a economia gerada à população: neste período, o cidadão campineiro deixou de gastar R$ 84 milhões com o transporte, dinheiro que pôde ser revertido para alimentação, vestuário e lazer. Este é o principal dado do balanço apresentado pelo secretário municipal de Transportes, Gerson Luis Bittencourt, durante o seminário “Bilhete Único: dois anos de benefícios para a sociedade”, realizado nesta terça-feira, 6 de maio, no Hotel Arcadas, no Centro. A economia gerada pelo Bilhete Único é resultado de sua tarifa temporal, única e sem restrição de uso. Com o cartão, o usuário pode utilizar quantos ônibus e/ou miniônibus precisar no período de uma hora, de segunda a sábado, ou duas horas, aos domingos e feriados, pagando por isso apenas uma tarifa. Para chegar ao resultado da economia ao usuário, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) leva em consideração as integrações realizadas sem a necessidade do pagamento de uma nova tarifa. “O transporte pode ser uma barreira muito grande ao cidadão, dificultando seu acesso aos serviços oferecidos pela cidade, quando mal administrado. Em Campinas, os resultados têm sido muito bons e a economia gerada pelo Bilhete Único chama atenção”, elogiou o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Alexandre Gomide, que participou do evento. Nestes dois anos, o Bilhete Único permitiu ainda que uma parcela significativa da população tivesse acesso ao sistema de transporte. Assim, contrariando tendência observada nas cidades de médio e grande porte de todo país, Campinas tem apresentado crescente recuperação do número de passageiros transportados. Em 2008, a média mensal de passageiros transportados no sistema é de 14 milhões de pessoas, índice verificado no início da década de 90. Antes da implantação do Bilhete Único, o sistema contava com a média de 9,1 milhões de passageiros transportados a cada mês. Renovação da frota e acessibilidade Outros avanços foram conquistados desde a implantação do Bilhete Único, com destaque para a renovação da frota. Até abril de 2008, 670 ônibus e miniônibus zero quilômetro foram incorporados ao Sistema, que conta com 1200 veículos, garantindo mais conforto e segurança nas viagens. A frota acessível da cidade também cresceu. Atualmente, o InterCamp conta com 142 ônibus e miniônibus adaptados ao transporte de pessoas com deficiência. No início de 2005, a frota de Campinas tinha apenas 20 veículos acessíveis. Já a frota do Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI), que realiza o transporte porta-a-porta e porta a ponto de ônibus, passou de dez vans para 20 vans e dois ônibus acessíveis. Na área ambiental, o sistema de transporte municipal também apresenta avanços e 100% de sua frota roda com a mistura de 2% de biodiesel, medida que, em dois anos, permitiu que 10,4 toneladas de monóxido de carbono, 2,7 toneladas de hidrocarbonetos e 600kg de particulados (fumaça preta expelida pelos veículos) deixassem de ser liberados ao meio ambiente. “A avaliação dos dois anos de implantação do Bilhete Único é extremamente positiva, com destaque para a economia, a renovação da frota, a adoção do biodiesel e a ampliação do Programa de Acessibilidade Inclusiva, mas vamos continuar avançando, de maneira gradativa. Ainda falta investir mais na qualificação dos operadores, na modernização dos terminais e na implantação dos corredores, projeto cujo financiamento já foi aprovado pelo BNDES”, disse o secretário Gerson Bittencourt.




