Ensinar crianças a se locomoverem com segurança e consciência pelo espaço urbano é o objetivo do Programa de Educação para Mobilidade desenvolvido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC). Hoje, foram lançados os livros pedagógicos que serão a principal ferramenta para professores trabalharem com os alunos de forma a construírem uma consciência ecológica e de cidadania. Os livros, escritos por Roberta Mantovani, são divididos em Ensino Fundamental e Ensino Básico. A autora é educadora há 8 anos, atua na área de educação de trânsito desde 1998, é vencedora do 1º Prêmio Denatran de Educação de Trânsito e coordena do Projeto de Educação para Mobilidade da EMDEC. A seguir, confira a entrevista com a autora.
Como é trabalhada a idéia de locomoção junto às crianças? O conceito de Mobilidade Urbana antes era voltado para o trânsito. Agora, enfatizamos muito a questão do transporte coletivo. O capítulo Segurança Urbana, do livro Ensino Fundamental, é um eixo do livro que prepara a criança para que ela se locomova de forma segura no trânsito, criando assim a consciência de que ela está preservando a própria vida. Qual a relação entre qualidade de vida e transporte para as crianças? Em uma cidade como Campinas, a melhoria da qualidade de vida para crianças do subúrbio está relacionada à infra-estrutura. A criança entende que para o ônibus chegar ao seu bairro é necessário existir condições na rua, por exemplo. Nós questionamos as criança sobre qual é a cidade que elas têm hoje e em qual cidade elas querem viver daqui há algum tempo. E como é a percepção das crianças mais próximas da região central? Para elas, qualidade de vida é ir de carro para a escola. Como é trabalhado o conceito de transporte coletivo junto a estas crianças? É feita uma conscientização. Os resultados não serão imediatos. As discussões ecológicas começaram há mais de 20 anos e houve resistência da opinião pública. Hoje, qualquer projeto passa por avaliação de impacto ambiental. Assim, também irá ocorrer com a consciência de mobilidade urbana. A longo prazo, as pessoas saberão da necessidade de se respeitar o trânsito e aproveitar ao máximo os recursos existentes. Como os professores devem encarar o material? Os capítulos são relacionados a diversos temas que fazem parte do currículo das escolas. Existem no programa disciplinar conteúdos de mobilidade urbana, mas eles são divididos. No Projeto de Educação para Mobilidade, reunimos tudo e mostramos isso a eles. A pedagogia do Programa é relacionada a outras disciplinas? Existe uma relação entre as ciências e o Programa. Por exemplo, é mostrado como se formam os conglomerados urbanos, assunto relacionado diretamente à geografia e a história. Com a química, a ligação é ecológica. Uma assimilação muito feita pelos alunos é a de que um ônibus emite mais poluentes que um automóvel, mas transporta mais pessoas. Então, qual é o meio mais ecológico? Eles tentam chegar a uma conclusão. O contexto em que os alunos vivem foi levado em consideração na produção do livro? O conteúdo do livro foi feito de forma aberta. Assim, é possível trabalharmos as especificidades de cada lugar. Como se formou o trânsito em uma cidade, como ele se transformou ao logo do tempo, por exemplo, são algumas das reflexões possíveis com os alunos. Além dos fatores externos, temos que trabalhar a bagagem que cada um traz consigo. Os valores aprendidos em casa interferem muito no comportamento em relação ao respeito com os sinais de trânsito, com os pedestres, com os motoristas, etc. O que é mais importante ser assimilado pelas crianças? As crianças têm que criar duas competências: como se locomover nos bairros onde a sinalização não é tão pontual e, por exemplo, não há faixa de pedestre; e como se locomover no centro, com a existência de semáforos, entre outros. Como é o conteúdo do livro para o ensino infantil? É feito com atividades lúdicas, com muitas atividades e brincadeiras. As crianças vão para a rua observar o que existe nas calçadas; quais os sons emitidos pelo trânsito; qual o comportamento dos pedestres; Qual a mudança prática para as crianças de 3 a 6 anos? Nessa idade, elas não possuem percepção de tempo, nem pensamento retroativo. Mas já percebem as formas. Elas conseguem perceber quando alguém ultrapassa o sinal vermelho. E, apesar de não conseguirem calcular a distância de um carro até elas, já identificam o que é uma rua. Hoje, existem vários projetos na área de transporte em Campinas. Como isso influência o Programa? O melhor do trabalho é que falamos na teoria de coisas que precisam acontecer na prática. E percebemos que existem muitos projetos neste sentido. Falamos da melhoria do transporte, do InterCamp, da acessibilidade e do PAI. Assim, é mais fácil para os estudantes assimilarem o conteúdo e fazerem a parte deles. Colaboração: Regiane Muniz




