A dependência química é uma doença bio-psico-social, que atinge o corpo, a mente e as pessoas que estão à volta, incurável, progressiva e fatal. Ela pode ter fins dramáticos se não for tratada. A trajetória do dependente que não procura ajuda é decadente e a família sofre, com ele, as conseqüências da doença. Foi a partir destes conceitos que Pedro Manoel Santiago Costa, técnico em Dependência Química da Clínica Bezerra de Menezes, começou sua palestra sobre ?A Evolução da Dependência Química?, ministrada nesta quarta-feira, dia 23 de novembro, na sede operacional da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas ? EMDEC. A palestra faz parte da XII Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho ? SIPAT. Costa alertou os participantes sobre os diversos tipos de drogas que podem provocar a dependência química: cigarro, álcool, medicamentos e as drogas ilícitas (maconha, cocaína, crack, ecstasy, entre outras). Ele afirmou que muitas empresas, incluindo multinacionais como Volkswagen, Rhodia e Goodyear, fazem convênio com a Bezerra de Menezes para cuidar do problema da depenência química. ?Vale mais a pena tratar de um funcionário do que mandá-lo embora e contratar outro. Por isso, as empresas têm investido na conscientização e informação.? O palestrante explicou que não há meios de detectar a dependência química, senão a partir do contato com as drogas. Durante todo o evento, Costa citou exemplos da vida dele para ilustrar as situações descritas. ?Eu e meus irmãos experimentamos álcool e cigarro ao mesmo tempo, mas eu tenho a doença e eles, não. Eles podem beber um vinho que não se tornam agressivos nem saem roubando. No meu caso, estou sem usar bebidas alcoólicas, cigarro ou drogas há mais de dez anos, mas se voltar a ter contato com qualquer dessas coisas, terei problemas sérios.? Ele explicou a evolução da dependência em três fases: Inicial, Crucial e Crônica, ou fase do macaco, do leão e do corvo. No primeiro estágio, o dependente encontra na droga um meio de perder a inibição e se torna o ?centro das atenções? em festas, porque fica alegre e engraçado quando bebe. Na segunda fase, começa a se tornar agressivo quando bebe, mente sobre a bebida e sente a necessidade de andar armado para se defender. Na última fase, o dependente perde a força de vontade, sente as conseqüências no trabalho (porque acaba perdendo o emprego e não consegue encontrar outro) e, por estar com o organismo debilitado, pode desenvolver doenças graves, como câncer e hepatite. ?Quando chega nessa fase, o dependente só tem três caminhos: a cadeia, a morte ou a psiquiatria?. De acordo com Costa, a saída que ele encontrou foi a internação, mas dificilmente o doente encontra essa solução sozinho, sendo portanto fundamental a participação dos amigos, familiares e apoio da empresa na qual ele trabalha. ?A pessoa fica internada durante 30 a 60 dias, mas tem que querer parar. Eu não troco o meu melhor dia da ativa (quando usava drogas) pelo pior dia de recuperação. Não quero mais passar pelas situações que eu passei e não quero mais ver a minha família sofrer.? Quando o dependente reconhece que tem uma doença e pede ajuda, ele consegue se reeguer e reconstruir a vida. Nesta fase de recuperação, é preciso ter persistência, pois o maior desafio não é parar, mas continuar sem usar as drogas, como explicou o palestrante. ?A droga dá asas para voar, mas depois tira até o céu?, disse ele, já no encerramento. Após a palestra, os participantes puderam fazer perguntas sobre o assunto. Costa destacou a importância de afastar o preconceito com a doença e reforçou a importância da conscientização e informação dentro das empresas. Alongamento Antes da palestra, os funcionários tiveram a oportunidade de fazer uma rápida sessão de alongamento. Os funcionários da EMDEC que trabalham na sede operacional têm a oportunidade de fazer os exercícios três vezes por semana, antes de começar a jornada de trabalho. Depois de fazer todos ?mexerem o esqueleto?, o professor propôs que os participantes fechassem os olhos e se concentrassem, afastando os pensamentos negativos. Stephan Campineiro. Colaborou Ana Carolina Bertho.

10/06/2026/
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