Com muita desenvoltura, Daniel Liberato de Souza, 10 anos, aluno da 4ª série do Ensino Fundamental da Escola Estadual Orlando Signorelli, do DIC VI, conta que sempre gostou de projetores. “Quando eu era menor, usava uma lanterna. Como não funcionou, tive a idéia de criar um projetor com lâmpada. Agora, fiz um mais moderno!”, admite, orgulhoso. As histórias que já passaram pelo equipamento artesanal produzido por Daniel vão desde as mais tradicionais, como Patinho Feio, até o atual ogro verde Shrek. Na última quarta-feira, dia 29, o garoto cruzou a porta da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), acompanhado de seu “assistente” de exibição, Patrick dos Santos Rodrigues, também estudante da 4ª série, e das professoras Maria Lúcia Ramires e Rosemarie Strassburger, ambas integrantes do Programa de Formação de Multiplicadores, realizado pela EMDEC. O objetivo da visita: mostrar o vídeo amador que ele produziu sobre um acidente de trânsito. A trama é simples, mas dramática. Dois garotos estão brincando com uma pipa, quando um deles, que está no meio da via, é atropelado. Enquanto o socorro médico não chega, o menino é atropelado pela segunda vez. Apesar do trágico acidente, o garoto sobrevive. Em seguida, o vídeo exibe diversas dicas de segurança, incluindo travessia na faixa de pedestres e respeito ao semáforo. Realização As cenas que compõem o roteiro são estáticas, como em uma história em quadrinhos, acompanhadas de uma trilha sonora que inclui as falas dos personagens, gravadas por colegas de classe de Daniel. O estudante revela que o roteiro foi baseado em fatos reais. “Eu assisti uma reportagem que contava a história do garoto que foi atropelado duas vezes. Daí surgiu a idéia de fazer o vídeo. Minha professora ajudou a colocar as dicas de segurança no final”, conta Daniel. Patrick, que é responsável por controlar a trilha sonora do “filme”, fez a voz de um dos personagens. Quando a história foi exibida nas salas de aula, as dublagens foram feitas ao vivo, mas os alunos decidiram gravar as falas para viabilizar a apresentação em outros locais. Daniel afirma que quer ser um grande cientista quando for adulto. Se depender de curiosidade, dedicação e senso crítico, o garoto poderá ter o futuro brilhante com o qual sonha. Multiplicadoras A professora Maria Lúcia participa dos encontros mensais do grupo de Formação de Multiplicadores desde 1996 e Rosemarie entrou neste ano. Após os encontros, as professoras realizam reuniões com as demais docentes da escola e multiplicam os conhecimentos obtidos. “Nós repassamos o que aprendemos e cada professora da melhor maneira possível com a sua classe. Elas podem usar a criatividade”, afirma Maria Lúcia. Daniel e Patrick são exemplos de como os conhecimentos estão sendo multiplicados. Rosemarie relata que os alunos são observadores e chegam a repreender os pais quando estes têm atitudes perigosas no trânsito. Para ela, o trabalho com os estudantes de Ensino Fundamental do colégio – que teve início somente neste ano – poderá trazer bons resultados. “Antes, as ações eram mais voltadas para os estudantes do Ensino Médio. Agora, as crianças terão contato com as informações, e isso será muito importante na formação delas como cidadãs”, conclui ela. Ana Carolina Bertho




