A impressão foi única. O trabalho que a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) desenvolve em Campinas nas mais diversas áreas do planejamento, da operação, no desenvolvimento de tecnologias, na educação, na informação para a população, na capacidade de dar respostas, pode ser modelo para todo o País, quando o tema é mobilidade. A avaliação é de quem acompanhou os debates, discussões e apresentações do 16º Congresso Brasileiro de Transportes e Trânsito, realizado em Maceió, no período de 01 a 05 de outubro. O secretário de Transportes, Gerson Luís Bittencourt, destaca a oportunidade de apresentar ao País os resultados de projetos de sucesso como o Bilhete Único, a campanha “Preferência pela Vida” e a adoção de novas tecnologias como o biodiesel na frota do transporte público. Os dois últimos temas foram expostos em painéis e o Bilhete Único ganhou espaço em sala. Sobre a adoção do cartão, foram destacados pontos como a economia gerada à população que chega a quase 45 milhões, após um ano e um mês de implantação; e a conseqüente adesão da população ao Bilhete. 287.509 usuários fizeram seu cartão neste período. Mesmo o Bilhete Único Idoso, cartão opcional, conquistou 32.726 usuários que passaram a se beneficiar do novo sistema, por oferecer tratamento igualitário, mais segurança no embarque e ampliar os assentos para este público. Outro dado que revela a adesão ao novo sistema e ao Bilhete Único está relacionado ao aumento do número de usuários pagantes no transporte. Esse número cresceu de 9,11 milhões em 2006 para 10,12 milhões em 2007. A EMDEC também apresentou dados que comprovam a satisfação dos usuários como Bilhete Único. Em seu principal canal de atendimento direto, o Disque CIMCamp, as reclamações sobre o Bilhete representam menos de 0,5% das queixas sobre o transporte. Tudo isso foi construído, graças a um amplo planejamento e um conjunto de estratégias de comunicação, que rompeu com o padrão tradicional de divulgação. Toda a empresa se apropriou das informações e orientações e se envolveu no processo. A comunicação considerada integrada (geralmente nas mãos dos profissionais da área) deu espaço à comunicação organizacional envolvendo todos os setores da EMDEC. Biodiesel e Preferência pela Vida Durante o Congresso, a EMDEC pôde divulgar ainda que Campinas praticamente saiu na frente no País ao adotar em toda a frota do transporte público (cerca de 863 veículos do serviço convencional – 100% dos ônibus – e 282 microônibus – ou seja, 80% dos microônibus) a mistura de 2% do Biodiesel . e os resultados da Campanha “Preferência pela Vida”, que entrou em seu terceiro ano com trabalho contínuo de educação para a mobilidade. Uma experiência de ampla mobilização social contra a violência no trânsito, que colocou na agenda da cidade a necessidade de construção de uma cultura de paz e segurança na mobilidade. Boas práticas já implantadas Estar no mesmo espaço onde as principais experiências e projetos sobre a mobilidade do País são apresentadas e testemunhar que a EMDEC nada tem a dever a quaisquer experiências em outras cidades, foi o principal destaque apontado pelo diretor de Operações da empresa, Atílio André Pereira. A Diretoria de Operações levou oito profissionais para o Congresso. Alguns puderam participar do evento mais importante da área pela primeira vez. Celso Adelino Ferreira, chefe da fiscalização do Transportes foi um deles. Segundo Ferreira, o principal sentimento pós-evento foi que “Campinas tem muito a ensinar e pouco a aprender com outras cidades, pois já utiliza tecnologias e propostas mais avançadas.” Ele conta que nas discussões que acompanhou as experiências apresentadas já são praticadas em Campinas há muito tempo. E citou como exemplo a utilização de motos na fiscalização de trânsito, os semáforos intermitentes para reduzir os gastos com energia – boas práticas já consolidadas aqui. A Diretoria de Operações apresentou trabalhos sobre Ciclovia, Motofrete, Unificação da Fiscalização do Trânsito e Transportes durante o evento. Para Pereira, durante o Congresso, Campinas também pôde pleitear com empresas na área de tecnologia semafórica a possibilidade de testar novos equipamentos. Ele dá como exemplo o “semáforo em tempo real”. Porto Alegre e Osasco foram escolhidas, mas existe a chance de Campinas também testar o semáforo com laço detector, informou. Com o equipamento, vias como a Av. José de Sousa Campos (Norte-Sul) poderiam operar à noite com fase semafórica sempre no verde e a fase verde das transversais e vermelha na Avenida, só seriam acionadas quando houvesse a detecção de veículos se aproximando. Um Congresso de idéias aplicadas Para o diretor de Infra-Estrutura e Planejamento, Maurício Thesin, esse 16º Congresso não foi um evento conceitual, mas de apresentação de experiências e aplicações. Neste Campo, Campinas é referência, destacou Thesin. “Em todas as pautas abordadas no Congresso sobre o Transporte no Brasil, da acessibilidade, inclusão social, aos sistemas integrados de Bilhetagem, pudemos avaliar que são projetos já realizados no município e também por outras cidades, mas com concepções diferenciadas”, comentou. Em alguns projetos, como o PAI_Serviço e o perfil da frota do sistema de transportes, “somos liderança”, tanta em concepção quanto na implantação, defendeu. O diretor destacou, entretanto, que o mais gratificante foi conhecer visões diferenciadas sobre o mesmo tema para avaliação e até auto-crítica dos projetos. Campinas é cidade de ponta no transporte e trânsito O diretor de Tecnologia e Monitoramento da EMDEC, João Carlos Fagundes, também endossa a defesa que o Congresso revelou que Campinas encontra-se entre as cidades de ponta no trânsito e transporte do País, com projetos e conceitos modelos para diversas cidades. O evento foi uma importante oportunidade para troca de conhecimentos e vivências entre as várias cidades participantes e contribuiu para o crescimento do corpo técnico da empresa. Ele lembrou ainda que durante o Congresso foi possível a análise de novas possibilidades e soluções aplicáveis à cidade nas áreas de monitoramento e tecnologia e para contatos com empresas sobre monitoramento de frota. Fagundes criticou, entretanto, o fato da apresentação de alguns projetos que não possuíam representatividade ou conteúdo técnico adequado, em salas; e, ao mesmo tempo, propostas com relevância e conteúdo que tiveram pouco espaço, sendo colocadas em pôsters. Denise Pereira




