Por um lado alguns órgãos levantaram dificuldades. Por outro, foram apresentadas alternativas e soluções. Esse foi o tom da discussão sobre a integração do transporte nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Santos, durante a 42ª Reunião do Fórum Paulista de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte e Trânsito, realizada nos dias 12 e 13 de fevereiro, em Osasco. O evento contou com a participação de aproximadamente 250 pessoas, representantes de 45 cidades paulistas. No centro do debate, o representante da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), Sérgio Ivanov; o presidente da CET de Santos, Rogério Crantschaninov; e o secretário de Transportes de Campinas e diretor-presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), Gerson Luis Bittencourt. Para o representante da EMTU, o principal problema que as cidades devem enfrentar para implantar a integração metropolitana é a construção de um consenso quanto à política tarifária. “É difícil contemplar as políticas de gratuidades para estudantes e idosos, que são diferentes em cada cidade, e também os diferentes modos de transporte (como ônibus, metrô e trem no caso de São Paulo)”, disse Ivanov. Outra questão levantada foi o seccionamento da tarifa das linhas metropolitanas, que possui diferentes valores de acordo com o trecho percorrido. “Consolidar isso com os municípios é complicado”, defende. Para Bittencourt, representante da Região Metropolitana de Campinas, não existem empecilhos à integração que não possam ser superados. Para ele, o sistema de bilhetagem metropolitana pode ser feito mesmo que as cidades envolvidas tenham diferentes políticas tarifárias. “Se há diferentes critérios de gratuidade, que cada município banque suas gratuidades”. Bittencourt acredita que o subsídio é necessário para a criação da integração metropolitana. “O subsídio não é um pecado, mas uma necessidade, especialmente quando se tem contratos de concessão atualizados”. Quanto à tarifa seccionada, Bittencourt afirmou que atualmente não seria possível criar uma tarifa única para o deslocamento entre as cidades. “Mas também não podemos usar o outro extremo, de somar a tarifa urbana com a metropolitana, que seria uma enganação para o usuário. Acho que temos que buscar um meio-termo”, ressaltou. Para incentivar a integração metropolitana, em Campinas já foram criadas as linhas Circular Centro, com desconto de 33% na tarifa. A meta, segundo Bittencourt, é começar a integração por essas duas linhas e pelas linhas do Corredor Noroeste, que ligam Campinas a Sumaré e Hortolândia, cidades que respondem por 76% dos deslocamentos na RMC. Segundo Bittencourt, seria necessário que a tarifa das linhas metropolitanas também tivessem redução de um terço para que a integração metropolitana realmente beneficiasse os usuários. Rebatendo a informação da EMTU, de que na verba do órgão para as Regiões Metropolitanas não está previsto subsídio para a tarifa dos ônibus metropolitanos porque o contrato do transporte prevê que apenas a tarifa paga o concessionário, Bittencourt acredita que certamente há uma maneira de incluir o subsídio público no contrato. “Todas as dificuldades levantadas podem ser superadas. A integração metropolitana só depende da vontade política. É preciso chegarmos a um consenso, destacou o secretário de transportes de Campinas. Ele citou ainda dois bons exemplos no país onde isso foi possível. “Em Goiânia e Recife, houve acordo entre município e estado e o sistema de integração está funcionando”. Santos Já o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET- Santos ressaltou a importância de se consolidar a figura do “cidadão metropolitano”, que, por exemplo, trabalha numa cidade, namora alguém de outra e acessa os serviços públicos de um terceiro município de sua região. Crantschaninov acredita que a Baixada Santista terá menos dificuldades do que as regiões metropolitanas de Campinas (RMC) e de São Paulo para implantar a integração, uma vez que a empresa que opera os ônibus metropolitanos e urbanos é a mesma e as políticas tarifárias das cidades dessa região não são muito diferentes. Caroline Voigt

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



