Apesar do crescimento contínuo da frota de veículos da cidade, Campinas mais uma vez comemora os bons resultados das ações desenvolvidas no combate à violência no trânsito: no primeiro semestre de 2007, a cidade registrou redução de 8% na taxa de mortalidade por 10 mil veículos no trânsito no comparativo com o mesmo período do ano passado. Nos primeiros seis meses deste ano, a cidade registrou 49 mortes no trânsito, mesmo número do período de janeiro e junho de 2006. No entanto, a frota da cidade, que era de 540.245 veículos em junho do ano passado, cresceu 7,3% e já somava 582.291 veículos no final do primeiro semestre de 2007. Assim, a taxa de mortalidade por 10 mil veículos, índice utilizado em todo o mundo para análise da violência no trânsito, caiu de 0,91 mortes para cada grupo de 10 mil veículos no primeiro semestre de 2006 para 0,84 no mesmo período de 2007. Este e os demais dados de acidentalidade no trânsito no primeiro semestre de 2007 foram apresentados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) durante o Seminário Mobilidade x Acidentalidade, que foi realizado nesta terça-feira, dia 18, no Auditório da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, e marcou a abertura da Semana Municipal de Trânsito (Semutran). “Os índices de acidentalidade do município estão entre os menores do país e são iguais aos de cidades de países como França e Alemanha”, destacou o Assessor Executivo da EMDEC, Josias Lech, responsável pela apresentação dos dados. Os bons resultados comprovam o acerto na política de prioridade ao pedestre e valorização do transporte coletivo, com ações de segurança no monitoramento e fiscalização, engenharia de tráfego, sinalização e educação de trânsito, e ganham ainda mais destaque quando se leva em conta a elevada taxa de motorização da cidade: atualmente, existe um veículo para cada 1,89 habitante na cidade. Apesar dos bons resultados, Lech ressalta a importância de mobilização de toda a sociedade campineira no combate à violência no trânsito. “Independentemente da área em que trabalham, mas sobretudo os educadores, todos são importantes no trabalho de conscientização das pessoas para a necessidade de atitudes seguras no trânsito”. Acidentes De acordo com o balanço apresentado na abertura da Semutran, houve o aumento de 8,4% no total de acidentes registrados: foram 9084 ocorrências no primeiro semestre deste ano, contra 8319 no mesmo período de 2006. Os dados mais preocupante estão relacionados à motocicleta. Mesmo somando apenas 13% da frota total de Campinas, o veículo está envolvido em 30% dos atropelamentos registrados na cidade. Além disso, enquanto 15% dos acidentes com automóveis geram feridos, o percentual de feridos sobe para 68% quando o acidente envolve uma motocicleta, conforme apresentação sobre o trabalho de coleta e tratamento dos dados de acidentalidade feita pelo diretor de Tecnologia e Monitoramento da EMDEC, João Carlos Fagundes. Outro dado preocupante refere-se à elevada taxa de crescimento da frota de motocicletas na cidade. Atualmente, a cidade conta com uma frota de 74 mil motocicletas. Há dez anos, este tipo de veículo somava 30 mil unidades. Custos Na apresentação dos dados, a EMDEC também fez uma projeção dos custos de cada acidente para a sociedade, tomando como base um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com este estudo, um acidente sem vítimas custa R$ 3.262,00; o acidente com feridos, R$ 17.460,00; enquanto o acidente com vítima fatal sai por R$ 144.478,00. Quando aplicados os dados do Ipea, chega-se à conclusão que os acidentes de trânsito em Campinas tiveram um custo de R$ 67,2 milhões, somente no primeiro semestre de 2007, considerados os gastos com atendimento médico de resgate e reabilitação, custos previdenciários, perda da capacidade de produção e interrupções do trânsito, entre outros. Regiane Muniz e Stephan Campineiro




