Com objetivo de prevenir acidentes e mortes no trânsito, 80 alunos de Ensino Médio da Escola Estadual Barão Ataliba Nogueira participaram de atividades e conheceram na terça-feira, dia 20 de março, a rotina de emergências no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A visita inaugurou o cronograma deste ano do P.A.R.T.Y. (Prevent Alcohol and Risk-Related Trauma in Youth), programa educativo que na tradução para o português significa: “Prevenir traumas relacionados a risco e álcool na juventude”.
Desenvolvido no Canadá, o P.A.R.T.Y. é realizado em Campinas pela Liga do Trauma (CoPELT), criada por alunos de Medicina da Unicamp, com apoio da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), do Centro de Referência em Reabilitação da Prefeitura, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar (PM) e da Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Núcleo de Prevenção de Violências e Acidentes e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Maria Cristina Ferrari Maciel, analista de Educação da Mobilidade da EMDEC, destacou que o programa é planejado e construído pelos alunos da Unicamp e por profissionais de entidades que investem em ações para diminuir ocorrências de acidentes, bastante comuns entre jovens e adolescentes, que combinam o consumo de álcool e direção no trânsito.
Cristina afirmou que as regras vieram para ser cumpridas e trazer qualidade de vida. “Neste sentido, é fundamental alertar e conscientizar crianças e jovens, que são os grandes multiplicadores das campanhas educativas. É fundamental cuidar da vida e haver uma escolha correta ao dirigir um veículo; afinal, um acidente envolve muitas vidas e pode tirar a liberdade de muita gente”, disse.
O cirurgião Gustavo Fraga, coordenador da disciplina Cirurgia do Trauma da Unicamp, disse que o objetivo do P.A.R.T.Y. é prevenir acidentes a partir da conscientização sobre os riscos a que estarão sujeitos se combinarem álcool e direção. A atividade é voltada a jovens que estão perto de obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
“Em países onde a exigência do cumprimento da Lei Seca é mais rigorosa, a redução das taxas de óbito é mais relevante”, analisou o cirurgião. “Trauma é uma doença e, muitas vezes, pode ser evitada”, definiu.
Alcir Escócia Dorigatti, um dos alunos de Medicina que integram o P.A.R.T.Y., lembrou também que a prevenção é mais barata e mais efetiva. “Além de mortes e mutilações, os acidentes resultam em traumas gravíssimos”, destacou.
“Aprender a fazer escolhas seguras e evitar fatores de risco pode fazer a diferença e ser determinante para o futuro do público-alvo do programa”, disse Dorigatti. O programa é voltado aos jovens do 2º e 3º anos do Ensino Médio.
Conscientização
Uma equipe de profissionais e educadores mostra aos estudantes a rotina das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e das enfermarias de ortopedia e trauma do hospital. Os alunos conversam com pacientes que foram vítimas de acidentes e traumas de trânsito. Antes, eles participam de palestras educativas.
Além das palestras e do tour pelas enfermarias, são aplicadas dinâmicas instrutivas e bem-humoradas. Uma bola, por exemplo, simula um cérebro e uma tesoura corta uma fita que simboliza a medula espinhal. Estas dinâmicas mostram que lesões medulares, decorrentes de fraturas da coluna, resultam em paraplegia e tetraplegia.
Outra “brincadeira”, feita em um carro de papelão, os adolescentes encenam o perigo da combinação entre álcool e trânsito.
Uma palestra ministrada pelo tetraplégico Washington Conceição Moura traz também aos alunos uma mensagem de como é importante valorizar a vida e evitar acidentes.
Há 17 anos, Washington fraturou o pescoço durante a manutenção de uma piscina. A tetraplegia o transformou em bicampeão brasileiro de rúgbi adaptado. Hoje orientador do Centro de Reabilitação de Sousas, ele debateu sua história com os estudantes. Seu trauma é semelhante aos sofridos nas ruas.
“Na verdade, eu não me revoltei. Fiquei cinco anos em fase de luto, que é o tempo que você leva para cair a ficha”, recorda Washington. Após o acidente, voltou a estudar. Atua em ONGs (Organizações Não-Governamentais) e trabalha como orientador para temas de acessibilidade.
O impacto do P.A.R.T.Y foi grande para os alunos do Ataliba Nogueira. A estudante Tais Carla Reis, disse que serviu como uma grande lição de vida. “A gente nunca pensa nas conseqüências que um acidente pode provocar”, afirmou. “O contato direto com os acidentados, as palestras e os vídeos marcaram para sempre”, disse.
A estudante Marislene Malachias disse também que foi uma grande aula de prevenção e de preservação da vida. “Vou seguir o exemplo e passar para outras pessoas”, disse.
Vale destacar que o programa conta também com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento de Campinas e Região (Sinfrecar), que realiza uma parceria com a EMDEC para levar os alunos das escolas até o HC-Unicamp. O próximo encontro será dia 3 de abril.

10/06/2026/
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