A constatação parece um tanto óbvia, mas o alerta deve ser constante para pais, educadores, gestores do trânsito e o cidadão comum. “Hoje, o adolescente e o jovem morrem por violência (por arma de fogo) ou em acidentes no trânsito e os acidentes são praticamente uma certeza”, afirma o sociólogo, Eduardo Biavati, que foi coordenador do Programa de Prevenção de Acidentes de Trânsito da Rede Sarah de Hospitais. Entretanto, ele argumenta que a questão é saber qual a intensidade em que esse acidente vai ocorrer. E isso só depende e é definido pela conduta e pelo comportamento do indivíduo. Segundo Biavati, além das mortes, há ainda um cenário dramático do acidente de trânsito, mas silencioso para a sociedade: a legião de lesionados e incapacitados nas ocorrências. Na Rede Sarah de Hospitais, 50% dos leitos são ocupados por vítimas de trânsito. A cada 10 que entram, sete são homens e estão na faixa etária dos 13 aos 40 anos, conta. “Para cada vítima fatal no trânsito, existem 19 vítimas sobreviventes, e esse público que vai ter que viver com graves lesões, paraplegias, tetraplegias, ainda por décadas, pois são jovens. No Brasil, por exemplo, são 80 mil sobreviventes por ano que enfrentam essa realidade”, comenta. A partir deste cenário, o sociólogo destacou a importância do papel da educação na prevenção dos acidentes entre adolescentes e jovens. Biavati comenta que, em 2007, a Semana do Trânsito abordou como temática o jovem e, neste ano, a criança; e destacou a importância dos educadores trabalharem desde muito cedo a segurança no trânsito com a criança, abordando os riscos que ela enfrentará na adolescência e juventude no trânsito. “Num contexto urbano, cada vez mais os riscos crescem e não existe órgão de trânsito no mundo capaz de educar a todos.” Ele defende que cabe, portanto, à sociedade incorporar a “Educação” como uma proposta estratégica para a redução dos acidentes. Relatos de vidas suspensas Durante sua palestra, na sede da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), nesta quinta, Biavati apresentou relatos de vidas suspensas ou paralisadas, histórias de dependências após os acidentes, todas com um traço em comum: os personagens, pacientes dos oito hospitais da Rede Sarah, eram jovens, praticamente na sua totalidade. Biavati comenta que esses pacientes agora defendem com freqüência os itens de segurança, mas essa conscientização veio um tanto tarde, esclarece. “As pessoas precisam ter consciência da sua fragilidade num acidente, antes que ele aconteça.” Na sua palestra, o sociólogo ainda apresentou simulações que mostram a fragilidade do corpo humano frente às colisões, atropelamentos, destacando os traumatismos – craniano e crânio-encefálico (TCE). Biavati destacou o papel das aulas de ciência para a abordagem da temática, para a compreensão da gravidade das lesões e do conhecimento do corpo humano e seu funcionamento. “Muitas vezes, no colégio, o estudo do cérebro, por exemplo, não toma meia página dos livros e apostilas. E o cérebro é o que temos de mais valioso, já que tudo começa ali: a vida, nossos sentimentos, movimentos, visão etc”, critica. O sociólogo ainda lembra que existem pessoas que resistem ao uso do cinto ou pensam que porque estão no banco traseiro não precisam usá-lo. “Os números apontam que de 10 pessoas que são arremessadas para fora do carro em um acidente, 8 morrem e a maioria está no banco traseiro”, afirma. Outros dados lembrados por Biavati foram que a primeira causa de cegueira no país são os acidentes de trânsito em razão das colisões; e que os acidentes estão na terceira posição no ranking das causas de mortes no país, ultrapassando doenças que sequer descobriram a cura. Para a mudança desses números, ele foi taxativo. “Uma microatitude no trânsito muda tudo e nosso comportamento faz parte da solução”. Público: Mais de 200 pessoas acompanharam a palestra de Biavati e a avaliação tanto dos colaboradores da EMDEC, quanto dos professores do Programa, foi muito positiva. Para a professora Larissa dos Santos Mitzakoff, 28 anos, da Escola Estadual Manoel Alexandre M. Machado, do Jardim Morumbi, “toda a dinâmica e apresentação dos relatos foram úteis para ampliar os conhecimentos que devem ser trabalhados com as crianças. Ganhamos hoje mais fundamentação e informações para repassar aos nossos alunos, com o intuito de ampliar a segurança e reduzir os acidentes.” Larissa destacou ainda que, como mãe, também poderá aplicar conhecimentos nos deslocamentos de seu bebê. Já Simone Medeiros, secretária na EMDEC, lembrou que o acompanhamento da palestra foi importante, pois Biavati enfocou todos os segmentos sociais, envolvidos no trânsito. “Estou na EMDEC há cinco anos e acredito que temos necessidade de formação constante. Devemos ser exemplos para toda a sociedade e, como referência, precisamos de muita informação para contribuirmos no trabalho educativo.” Denise Pereira

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



