As três palestras da área de saúde ministradas durante o Seminário Mobilidade x Acidentalidade, na tarde da última terça-feira, dia 18, mostraram que o acidente de trânsito deve ser tratado como problema de saúde pública, uma vez que é a segunda maior causa externa de mortes em Campinas, perdendo apenas para os homicídios. Valter Chaves Costa, representante da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, fez uma apresentação com o tema “Política Nacional de Redução de Morbimortalidade por causas externas e Vigilância de Acidentes e Violência (VIVA)”. Ele apontou dados de acidentalidade no trânsito em todo o país, demonstrando que a maioria as vítimas tem entre 20 e 29 anos, até oito anos de estudos e é composta por motociclistas. Costa citou a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), lançada pelo Ministério em 2006, que prevê ações para promover a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, reduzindo a vulnerabilidade. Parte das ações são voltadas especificamente para os acidentes de trânsito. O palestrante destacou que é preciso mobilizar toda a sociedade para diminuir os acidentes de trânsito e elogiou o seminário. “Esse evento é um exemplo de promoção da saúde, com a união dos setores de saúde e de transportes”. Unicamp e Secretaria Municipal de Saúde A segunda apresentação, feita pela Profª Drª Marilisa Berti de Azevedo Barros, do Centro Colaborador em Análise de Situação de Saúde, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que apresentou a 39ª edição do boletim semestral sobre Mortalidade em Campinas, elaborado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. A edição foi dedicada aos estudos sobre “Mortalidade por causas externas”. Marilisa mostrou que os acidentes de trânsito são responsáveis por 25% das mortes de homens entre 2004 e 2006 foram ocasionadas por acidentes de trânsito e atropelamentos. Enquanto os atropelamentos aumentam com a idade, atingindo principalmente idosos, os demais tipos de acidentes têm índices altos com pessoas de 15 a 24 anos, decaindo gradativamente após esta fase. Ela afirmou que houve um declínio seguido por uma fase de estabilidade do risco de morte por acidentes de trânsito e que Campinas tem bons índices, na comparação com outras cidades do país, mas que é necessário adotar ações voltadas para grupos mais vulneráveis. “O nosso objetivo, com esse estudo, é obter informações sobre mortalidade que possam ser usados por outros setores e outras secretarias da cidade”, afirmou ela. A terceira palestra foi ministrada pela médica sanitarista da Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Naoko Yanagizawa da Silveira, e teve como tema “Inquérito de Violências e Acidentes em Campinas”. Assim como os demais palestrantes, Naoko destacou a importância de se tratar o acidente de trânsito como questão de saúde pública e de implementação de medidas para prevenir o aumento dos índices. Ana Carolina Bertho




