Atenção e reflexo reduzidos, percepção e tomada de decisão prejudicados. Estas são consequências de um comportamento que pode ser fatal no trânsito: o uso do celular na direção. Até maio deste ano, os agentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) registraram e autuaram 5,5 mil comportamentos de risco deste tipo.
Ao longo de todo o ano passado, as infrações por uso do celular na direção ocuparam a quinta posição no ranking de condutas mais cometidas, com 13,6 mil autuações no total. Os dados consideram as autuações expedidas, ou seja, que efetivamente se transformaram em multas após os períodos de defesa e recursos.
A infração abrange situações em que o condutor do veículo está utilizando o telefone celular enquanto dirige, segurando o aparelho ou manuseando durante o trajeto.
Confira o total de autuações, por tipo, computadas até maio de 2026, e quais são as penalidades:
Infração Gravíssima – R$ 293,47 (sete pontos).
– Dirigir manuseando telefone celular: 1.280 infrações.
Infração Gravíssima – R$ 293,47 (sete pontos).
Período comparativo
As 5,5 mil infrações registradas neste ano representam uma queda de 7,1% em relação às 5,9 mil multas por uso de celular computadas no mesmo período de 2025. A redução ao longo dos anos, no entanto, tem como uma das explicações o avanço das tecnologias de comunicação por voz.
“Esse comportamento de risco depende da constatação visual por parte dos agentes da mobilidade urbana em campo. Atualmente, com o avanço tecnológico, os dispositivos são acessados em viva voz, sem que haja o manuseio do aparelho, dificultando a constatação, o que explica a queda no número de infrações”, explica o coordenador de Fiscalização e Operação de Trânsito da Emdec, Marcelo Carpenter. “Apesar disso, a orientação aos condutores é que evitem interações que possam dispersar a atenção durante a condução do veículo, como medida de proteção à sua vida e a do próximo”, completou.
Distração como fator de risco
O uso de telefone celular ou equipamentos eletrônicos por condutores ou pedestres é um dos fatores de risco observados nas análises que identificam as causas dos óbitos no trânsito. O comportamento prejudica a percepção e a tomada de decisão do condutor ou do pedestre. A distração abrange ainda discussões, brigas no trânsito ou o ato de fixar o olhar em objetos ou pessoas dentro do veículo enquanto dirige.
Em 2025, entre os casos fatais que puderem ter a causa comprovada, está um óbito envolvendo o uso de celular, registrado na rodovia Jornalista Francisco Aguirre Proença (SP-101). Um motociclista que prestava o serviço de transporte por aplicativo colidiu na traseira de um automóvel. Com o impacto, a passageira foi lançada ao solo e atropelada por outro veículo, resultando na morte. Segundo relato do condutor da motocicleta, ele se distraiu ao olhar o celular para verificar a próxima corrida.
Neste ano, ainda não foram comprovadas ocorrências fatais envolvendo distração. Porém, o fator de risco nem sempre pode ser comprovado no momento do sinistro e geralmente depende da confirmação dos envolvidos, o que resulta em alta subnotificação nas bases de dados.




