Em Campinas, “as mortes de motociclistas não são por falta de uso do capacete. São por excesso de velocidade”, defende o pesquisador associado Andres Vecino, do Departamento de Saúde Internacional da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health. A afirmação é um dos resultados constatados a partir de coleta de dados nas vias da cidade, em observação a fatores de risco elencados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), realizada desde 2022 pela Johns Hopkins International Injury Research Unit, por meio da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS). A ação teve relatório apresentado a cerca de 40 gestores e colaboradores da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), nesta terça-feira, dia 26 de setembro, na sede da empresa, como uma das ações da Semana da Mobilidade Urbana (Semob) 2023.O material foi elaborado pela Emdec, Secretaria de Transportes, Prefeitura Municipal, Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, Vital Strategies, Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health e Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
“Esta é uma ferramenta importante, que complementa o tratamento de dados e evidências para o trabalho de todas as áreas”, explicou a gerente da Divisão de Educação para Mobilidade Urbana da Emdec, Roberta Mantovani, que ressaltou a importância de considerar o relatório para tomadas de decisão e a construção do Plano de Segurança Viária do município.Coordenadora de dados da BIGRS, Mariana Novaski explicou que o estudo, ainda em andamento, também conta com a participação de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O relatório apresentado é referente a dados coletados entre outubro de 2022 e maio de 2023, em Campinas, e tem como destaques informações sobre excesso de velocidade e o uso de capacete, cinto de segurança e dispositivos de segurança para crianças.
Sobre os motociclistas e garupas – que foram as principais vítimas fatais em sinistros (acidentes) nas vias de Campinas, em 2022 -, o pesquisador Andres Vecino destacou que o uso correto de capacete tem bom índice: 94%. No entanto, no recorte de maio de 2023, o excesso de velocidade foi mais observado entre motociclistas (43%). Considerando todos os veículos que excederam a velocidade, o índice é de 21%.
Outro alerta feito pelo pesquisador a partir da leitura dos dados foi sobre o uso de cinto de segurança entre passageiros no banco traseiro e de dispositivo de segurança para crianças de 5 a 11 anos de idade, ambos com índices muito baixos.
“Os pais compram as cadeirinhas, mas quando já não precisam delas, não restringem as crianças (com outros dispositivos e cinto)”, aponta Andres. Segundo o relatório, apenas 13% das crianças com idades entre 5 e 11 anos utilizavam dispositivos de retenção. O dado contrasta com o percentual de 59% de uso de equipamento adequado para crianças com menos de 5 anos, apontado pelo pesquisador como um bom índice, se comparado a outras cidades onde a pesquisa também é realizada.
Já entre os passageiros adultos no banco traseiro, apenas 33% usavam cinto de segurança. Quando a observação considera o banco dianteiro, o cenário é outro: 90% dos condutores e 88% dos passageiros adultos utilizam o cinto de segurança.
Um destaque positivo do estudo foi a observação da queda do índice de excesso de velocidade em vias arteriais, como a avenida John Boyd Dunlop, em comparação realizada entre novembro de 2022 e maio de 2023. No primeiro recorte, o comportamento foi observado em 21% dos veículos. Já na segunda leitura, o percentual ficou em 8%. Durante o evento, os gestores levantaram hipóteses para o resultado, como o reposicionamento de radares, e a intensificação de ações de educação e fiscalização.
Nesta quarta-feira, dia 27 de setembro, uma equipe com colaboradores de diversas áreas da Emdec será capacitada para dar continuidade ao estudo, quando a parceria for encerrada. A metodologia será compartilhada durante formação que será realizada na sede da Emdec.




