Crônicas sobre quando Campinas tinha bonde com tração animal e a economia era puxada pelo trabalho escravo farão
parte do acervo do Projeto Leitura, a Melhor Viagem, mantido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). O advogado, escritor e membro da Academia Campinense de Letras, Jorge Alves de Lima, fez esta semana uma doação de 30 exemplares de seu livro “Crônicas de Campinas – Século XIX e XX”, lançado em 2011, para ser disponibilizado nas estantes instaladas nos 11 terminais da cidade. A iniciativa do escrito visa contribuir com o projeto da Emdec que leva opções de leitura para os usuários de ônibus, proporcionando lazer e cultura à população.
As crônicas de Jorge Alves de Lima – um paranaense de Joaquim Távora que adotou Campinas em seu coração, onde estudou e escreveu sua própria história – tratam de fatos reais garimpados nos arquivos, jornais antigos e centros de memória da cidade. Relatos que ele tem trabalhado para preservar no Instituto de História, Geografia e Genealogia de Campinas, instituído em 2006 e que preside desde o começo deste mês.
As crônicas reunidas em seu livro, publicadas na década de 90 no jornal Correio Popular, emocionam porque resgatam fatos, que não deveriam, mas que estão há muito esquecidos do imaginário do nosso povo. Um exemplo: o pesquisador esteve envolvido recentemente na defesa do nome da Praça 15 de Novembro, no Cambuí. “Lutamos para manter o nome 15 de novembro porque era um local de reunião dos republicanos e nove dias depois da Proclamação da República, a Câmara Municipal de Campinas promulgou a lei dando o nome à Praça”, conta o acadêmico, que se orgulha do parentesco com o poeta campineiro Guilherme de Almeida (1890-1969).
Para o diretor de Desenvolvimento Institucional, Humberto Alencar, a doação dos livros é uma honra para Emdec e traz mais valor ao Projeto Leitura, a Melhor Viagem. “Para nós é muito importante que um intelectual como Jorge abrace este projeto e inspire outros autores da cidade a doarem suas obras também para que os campineiros possam ter mais acesso à cultura produzida na cidade. A chancela do Instituto de História, Geografia e Genealogia também nos é muito cara”. O Leitura, a Melhor Viagem já recebeu em seus cinco anos de existência mais de 160 mil exemplares de livros.
Projeto
Jorge Alves de Lima, nascido em 1937, chegou em Campinas para estudar Direito na PUC-Campinas em 1963 e adotou a Princesa d’Oeste como sua terra natal. Filho de pai farmacêutico, dedicou sua vida à advocacia e à política, colaborando na eleição do prefeito Ruy Novaes. Foi procurador da Prefeitura por 35 anos de sua vida.
Segundo ele mesmo afirma, “encontrou na história e na literatura um novo alento, um objetivo para a velhice”. Hoje ele 75 anos. Sua mente atenta foi buscar nos periódicos do passado as pequenas e encantadoras histórias que recheiam seu livro, como detalhe do rouxinol que cantou por 10 minutos no velório de Carlos Gomes, no Pará, e do canário que repetiu a cena em Campinas. Ou, ainda, do escravo que ganhou sua liberdade correndo contra um cavalo e um atleta europeu. Estas histórias retiradas das fontes amareladas das páginas esquecidas ganham o colorido na narrativa apaixonada e atenta nos detalhes encantadores.
Jorge Alves de Lima pretende realizar a doação direta de seus livros na rua 13 de maio, em frente à Catedral Metropolitana. A iniciativa organizada pela Academia Campinense de Letras ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer provavelmente em maio, segundo o autor.




