A segunda fase da campanha “Pratique Cidadania”, que alerta contra a prática de viajar nos ônibus sem pagar a tarifa, será elaborada com a participação dos motoristas e cobradores do sistema de transporte público de Campinas (Sistema Intercamp).
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) convidou o Sindicato dos Rodoviários, que representa os motoristas e cobradores, para construir em conjunto as mensagens de conscientização e as ações de cidadania dentro dos ônibus e nos terminais. O convite foi aceito e haverá a primeira reunião de trabalho nesta terça-feira, dia 31 de julho.
Há um mês, no dia 29 de junho passado, a EMDEC lançou a campanha junto com a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc). Na ocasião utilizou como slogan a seguinte frase: “Não aceite proposta de pagamento irregular na tarifa de ônibus – Quem perde é você!”.
A viagem de transporte público coletivo sem pagamento de tarifa prejudica o equilíbrio econômico-financeiro do sistema. Com isto, a tarifa de ônibus fica mais alta para a população, afinal o valor da tarifa se baseia no custo do transporte coletivo dividido pela quantidade de passageiros pagantes. Ao transportar gratuitamente uma pessoa, a passagem acaba sendo rateada indiretamente entre os demais usuários do sistema.
Outro reflexo negativo é quanto ao número de veículos em cada linha. Quando um passageiro não paga, não há registro deste passageiro no ônibus, resultando em um número de ônibus abaixo do necessário nas linhas. Além disto, a programação de horários das linhas é prejudica. A população perde também investimentos em novos veículos e equipamentos e em estrutura viária para os ônibus.
O grupo formado pelos sindicalistas que representam os motoristas e cobradores; por integrantes da EMDEC; e pela associação das empresas concessionárias deverá envolver cada vez mais os operadores do sistema de transporte da cidade com o objetivo de garantir o pagamento das tarifas, afinal a remuneração e o salário de todos os envolvidos dependem deste pagamento de tarifa.
É importante destacar que a campanha visa também inibir a ação de usuários do sistema que viajam sem pagar a tarifa com ameaças aos cobradores e motoristas. Em outros casos, a conscientização tem o objetivo de avisar a necessidade de pagamento entre os usuários que possuem direitos especiais, como é o caso de pessoas obesas e mulheres gestantes em adiantado estado de gravidez. Estes usuários podem entrar pela porta traseira, mas não são isentos de pagar a tarifa.
Por força de lei municipal, as pessoas idosas – com idade acima de 65 anos – são autorizadas a embarcar e desembarcar dos ônibus do sistema de transporte coletivo urbano, por qualquer uma das portas, devendo apresentar o documento de identidade (RG) original ou cópia autenticada do mesmo.
A primeira fase da campanha de conscientização continua. Vale destacar que os usuários do sistema de transporte público coletivo devem informar a EMDEC se perceberem alguma irregularidade. Basta ligar e informar o número da linha, prefixo do ônibus, data e horário da ocorrência. O denunciante não precisa se identificar.
Tamanho do prejuízo
Fazendo uma simulação com a tarifa vigente (R$ 3,00), se apenas 1% das viagens sem gratuidades e sem as integrações realizadas em 2011 (total de 134.158.605 viagens) não tivessem sido pagas, o sistema teria registrado uma evasão de cerca de R$ 4,02 milhões.
Se 2,5% das viagens sem gratuidades e sem as integrações não tivessem sido pagas, a evasão teria sido de R$ 10,06 milhões; se 5% não tivessem sido pagas, a evasão teria sido de R$ 20,12 milhões. Caso o dinheiro não fosse desperdiçado, a tarifa poderia cair de R$ 3,00 para R$ 2,89.
Para se ter uma ideia da dimensão do prejuízo, o valor repassado pelo Executivo para subsidiar o transporte público coletivo gratuito de usuários idosos e portadores de deficiência (incluindo o PAI-Serviço) é de R$ 28 milhões em 2012. As perdas acima – de 1%, 2,5% e 5% – representariam, respectivamente, 14,37%, 35,94% e 71,87% do valor do subsídio. Não pagar a tarifa resulta no desperdício de um montante que poderia gerar economia de dinheiro público.
Com R$ 4,02 milhões, seria possível adquirir 14 ônibus acessíveis, ao preço de R$ 280 mil por veículo; com R$ 10,06 milhões, a frota poderia ganhar 36 novos ônibus; com R$ 20,12 milhões, mais 71 veículos.
Todo esse montante também poderia ser investido em novos veículos e equipamentos, novas linhas e número de partidas e em melhores condições de transporte nos ônibus.
O sistema de transporte público coletivo possui 1.235 veículos, sendo 462 acessíveis. A idade média da frota é de 4,49 anos. São 202 linhas que atendem, diariamente, cerca de 676 mil passageiros.

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



