Para diminuir os índices de acidentes e evitar a perda de vidas no trânsito da cidade, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) lança nesta quarta-feira, dia 4 de julho, a campanha “Cuide-se! Na moto, o para-choque é você”.
A campanha é mais um trabalho de conscientização, orientação e educação com objetivo de criar uma cultura de segurança e identificação de riscos entre os motociclistas, que se envolveram em mais da metade das mortes no trânsito de Campinas no ano passado.
Estudos das áreas de trânsito e saúde pública confirmam que muitos fatores de risco no trânsito estão relacionados ao comportamento dos usuários. A condução sob efeito de álcool, a velocidade, a negligência ao uso de capacetes e de mecanismo de contenção, bem como deficiências na infraestrutura, são os principais fatores de risco de acidentes.
Em Campinas, 81 pessoas morreram no ano passado em acidentes que envolveram motociclistas, representando 55% das 147 mortes no trânsito registradas na cidade. No Brasil, ocorrem 125 mil mortes por ano no trânsito e mais de 300 mil pessoas ficam incapacitadas anualmente, a grande maioria composta por motociclistas e jovens.
Diversos fatores contribuíram com o aumento nos índices de mortes: a expansão da frota de carros e motocicletas para trabalho, transporte e lazer; o maior número de deslocamentos realizados por veículos individuais; a imprudência e inexperiência de motoristas e motociclistas; o processo falho na obtenção de Carteira Nacional de Habilitação (CNH); e a falta de conservação dos veículos, entre outros. Porém, a combinação entre bebida e direção, é a causadora da maioria dos acidentes.
Os segmentos mais vulneráveis no trânsito são pedestres e motociclistas. Os estudos apontam que a tríade homem-jovem- motociclista é a que mais preocupa.
Uma das causas destas mortes no trânsito é o aumento no número de motocicletas em circulação. A motocicleta tornou-se um meio de transporte acessível para o usuário, ao considerar a relação custo-benefício individual. O aumento de oportunidades de financiamento e incentivos fiscais “convida” a classe social emergente e até as demais classes sociais a adquirir motocicletas para uso em diversas situações, desde a simples locomoção até para o trabalho, estudo e lazer.
Por outro lado, os custos sociais desse modo de deslocamento são altos, principalmente pela questão da acidentalidade. As vidas são ceifadas e, quando não há vítima fatal em acidentes com motos, surge outro “fantasma”: os traumas, as lesões e as fraturas.
Foi com este enfoque – de escancarar a violência causada pelos acidentes de trânsito nas vidas humanas – que surgiu a campanha “Cuide-se! Na moto, o para-choque é você”. A meta desta campanha é mostrar que o trabalho de prevenção é possível e que é também a melhor saída para reduzir os riscos, diminuindo os índices de mortes.
A campanha mostra as sequelas provocadas pelos acidentes, por exemplo, em casos de traumatismo crânio-encefálico. É a mais importante causa de morte e de deficiência física e mental, superado apenas pelo AVC (Acidente Vascular Cerebral), mais conhecido como “derrame”. O maior número de atendimentos ocorre entre homens de 15 e 40 anos. Os acidentes de trânsito são a maior causa das lesões.
Mostra também o resultado das lesões de medula. É um problema que ocorre quando um trauma resulta em lesão das estruturas medulares, interrompendo a passagem de estímulos nervosos pela medula. As lesões mais recorrentes são a tetraplegia e a paraplegia, sendo que a primeira acomete todo o corpo e a segunda normalmente da cintura para baixo. Nas lesões de medula completas ocorrem paralisias e perda de todas as modalidades sensitivas.
As ocorrências de fraturas dos ossos fazem parte também da campanha. Uma fratura é a ruptura dos ossos, ou seja, após o trauma, quando acontece a perda da continuidade óssea, o osso divide-se em dois ou mais fragmentos. Existem vários tipos de fraturas, sendo a exposta a de maior gravidade, pois pode causar sérias infecções quando não é tratada de forma adequada.
PERFIL DOS MOTOCICLISTAS
As estatísticas do Departamento de Georreferenciamento e Sistematização de Dados da EMDEC mostram que os ocupantes de motocicletas mortos no trânsito de Campinas são predominantemente jovens. A maior concentração está na faixa etária de 18 a 29 anos, pois foram 39 mortes, que representaram 57,3% dos 68 ocupantes de motos vitimados nos acidentes.
A faixa etária dos 18 aos 23 anos liderou o ranking das mortes em motocicletas, que chegou ao percentual de 34,8%. A faixa entre 24 e 29 anos ficou em segundo lugar, representando 21,7%. Uma estatística que também chamou a atenção foi sobre a morte de motociclistas na faixa entre 12 e 17 anos, totalizando 8,7% do geral.
Os homens são as maiores vítimas sobre duas rodas. Os motociclistas mortos envolvidos em acidentes de trânsito são 94% do sexo masculino e 6% do sexo feminino. O levantamento de dados da EMDEC identificou também as características dos acidentes que resultaram em mortes com motocicletas. O mito de que os motoboys são causadores de acidentes caiu por terra neste levantamento.
Confira principais gráficos. Aqui.
PESQUISA INÉDITA
Uma pesquisa inédita, elaborada pela Gerência de Educação e Cidadania da EMDEC para embasar a campanha “Cuide-se! Na moto, o para-choque é você” revela características do motociclista de Campinas. Um questionário foi respondido por 709 motociclistas de todas as regiões da cidade. Além disso, houve uma entrevista com familiares dos motociclistas mortos no trânsito em 2011.
Um dado, por exemplo, mostra que a maior parte dos motociclistas que morreram em 2011 foi para o deslocamento de ida e volta do lazer, com 69,5% dos casos. Entre os motociclistas que morreram no ano passado, 22% deslocavam-se no trajeto de ida e volta do trabalho e 5,1% foram motoboys que morreram exercendo a profissão.
Outro dado importante foi com relação à habilitação dos motociclistas. A pesquisa demonstrou que 64,4% dos motociclistas que morreram eram habilitados, mas que 35,6% não tinham a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Dos motociclistas vitimados nos acidentes fatais, 72,1% não estavam transportando passageiro (carona) no momento do acidente e 27,9% estavam transportando passageiro.
O questionário feito com os motociclistas identificou que o veículo é utilizado intensamente, pois 38,8% usam a moto nos três períodos do dia e 32,7% pilotam nos períodos da manhã e da tarde. Quanto ao tempo de uso da moto, 26,8% respondeu que roda com a moto até uma hora por dia e 25,1% entre uma e duas horas por dia. Além disso, 63% dos motociclistas pesquisados usa o veículo todos os dias.
A motocicleta é utilizada por 20,2% para o trajeto em suas atividades e para o lazer. Um total de 17,3% usa sua moto para realizar seus trajetos, para o lazer e para desempenhar sua atividade profissional.
A maioria tem boa experiência em duas rodas, pois 36% pilota há mais de dez anos e 33% entre um e cinco anos. O uso de equipamentos de segurança é também uma prática comum, pois 71,1% dos entrevistados declararam que sempre utilizam. Outro dado importante sobre a segurança: a manutenção preventiva na moto é feita por 95,2% dos entrevistados.
Apesar dos cuidados, a pesquisa revelou que 55,6% dos motociclistas já se acidentaram de alguma forma e que houve a ocorrência de vítimas em 60,4% dos acidentes.
Os motociclistas informaram também que, em decorrência dos acidentes, 50,4% foram obrigados a pedir o afastamento no trabalho e que 76,4% dos casos tiveram seqüelas. O tempo de afastamento, para a grande maioria dos acidentados, foi entre um e seis meses, pois este período foi indicado por 73,3% dos entrevistados.
As vias mais utilizadas pelos motociclistas questionados foram: Avenida Francisco Glicério (15,4%); Via Expressa Suleste/Lix da Cunha (14,5%); Avenida das Amoreiras (14,1%); Avenida John Boyd Dunlop (13,8%) e Avenida Doutor Moraes Salles (12,8%), entre outras.
Outros dados importantes: 74,3% dos questionados responderam que usam a moto depois de irem a bares e restaurantes; 17,2% dos motociclistas admitiram que passam no semáforo vermelho; 6,6% informaram que falam no celular enquanto pilotam; 4,2% atravessam o canteiro; e 3,5% fazem conversão proibida.

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



