Nesta quinta-feira (26/04), a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), por meio da Gerência de Educação e Cidadania (GEC), deu início ao Ciclo de Conversas sobre Mobilidade Urbana, retomando os diálogos e debates a respeito do trânsito.
O evento, que aconteceu na Veris-Metrocamp, na Vila Industrial, foi conduzido por Naoko Silveira*, médica sanitarista da Secretaria de Saúde de Campinas, que abordou o tema “Trânsito e Saúde Pública: Novas Perspectivas”.
Na presença de profissionais de trânsito e transporte e de representantes da terceira idade, de pessoas com deficiência, da sociedade civil e de prefeituras da região, o secretário de Transportes e presidente da EMDEC, André Aranha Ribeiro, abriu o evento destacando a importância da série de encontros, como espaço privilegiado de debates. “Entrando no quarto ano de atividades, o Ciclo de Conversas sobre Mobilidade Urbana já envolveu cerca de mil pessoas nos debates”, afirmou.
Ao agregar segmentos e integrar saberes, os diálogos contribuem no enfrentamento dos altos índices de acidentes de trânsito. “Nossa meta para 2012 é, a partir de ações e esforços, reduzir mortes no trânsito e construir consciência sobre mobilidade e cidadania”, finalizou Ribeiro.
Palestra
Dando início à sua exposição, Naoko esclareceu as relações entre trânsito e Saúde Pública, uma vez que os índices de acidentes de trânsito apresentam três características: magnitude – a frequência com que acidentes acontecem; transcendência – pela gravidade das ocorrências, na medida em que têm inúmeras implicações e prejuízos econômicos e sociais; e vulnerabilidade – por atingirem, na maioria das vezes, segmentos específicos da população.
Naoko lembrou que os profissionais de saúde não trabalham apenas com a “cura”; mas, principalmente, os que atuam na Saúde Pública, têm como foco de trabalho, “medidas de prevenção”.
Para contextualizar o cenário em que vivemos, a palestrante trouxe alguns números alarmantes que colocam o Brasil como o quinto país no mundo, em acidentalidade de trânsito. E, apesar das oscilações, entre 1996 e 2010, o país tem o trânsito como uma das principais causas de morte.
Estudos apontam, ainda, que boa parte desses números esta associada à falta do uso de equipamentos, como capacetes e cintos de segurança “o que nos permite inferir que muitos acidentes poderiam ser evitados, colocando em xeque o termo acidente, comumente usado”.
Como resposta a esse cenário, de acordo com Naoko, o Governo Federal estabeleceu a Política Nacional de Redução da Morbimortabilidade por Acidentes e Violência (2001) e a Política Nacional de Promoção de Saúde (2006), que preconizam a estruturação de redes de trabalho e a disseminação de boas práticas de segurança no trânsito. A sanitarista destacou, também, o estabelecimento da Década de Ação para a Segurança no Trânsito (2011-2020), para construir uma Política de Estado com envolvimento de toda a sociedade organizada, a partir de ações que contemplem os aspectos: fiscalização, educação, saúde, infraestrutura e segurança veicular.
No município de Campinas, Naoko ressaltou a formação do Núcleo de Prevenção de Violências e Acidentes, Promoção à Saúde e Cultura da Paz. “O Núcleo envolve esforços multissetoriais. As ações partem de um olhar sistêmico, já que prevenir acidentes depende da atuação em diversas frentes – trânsito, saúde e educação, por exemplo”.
A Gerência de Educação e Cidadania (GEC) da EMDEC prevê mais seis encontros do “Ciclo de Conversas sobre Mobilidade Urbana” este ano. Acompanhe a programação dos próximos eventos e participe!
*Dra. Naoko Silveira, médica sanitarista da Secretaria de Saúde de Campinas, atuante na área de Vigilância Epidemiológica de Doenças Não Transmissíveis e coordenadora do Núcleo de Prevenção de Violência e Acidentes e Promoção à Saúde e Cultura da Paz.

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