A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) apresentou na manhã de sábado, dia 19, durante a 5ª Conferência Municipal de Trânsito e Transporte, o Plano Cicloviário 2011-2016.
O analista de Mobilidade Urbana André Aranha Ribeiro levou ao anfiteatro do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) estatísticas da última pesquisa Origem/Destino, realizada em 2003, que contabilizam o número de viagens com bicicletas efetuadas naquele ano em Campinas.
O palestrante também discorreu sobre objetivos e metas do Plano Cicloviário, ações futuras, cronogramas e investimentos. Na plateia, muitos ciclistas e representantes de grupos organizados que defendem a bicicleta como meio de transporte, além de representantes de diversas regiões da cidade na 5ª CMTT, representantes do Poder Público e dezenas de munícipes.
“O objetivo estratégico do Plano Cicloviário é incentivar o uso de bicicletas como meio de transporte, contribuindo para o desenvolvimento da Mobilidade Urbana sustentável; é incentivar este uso como um hábito saudável que pode ser integrado à rotina da população, com impacto na qualidade de vida”, explicou Aranha.
Além de fortalecer a cultura da bicicleta, o Plano Cicloviário visa à implementação de ciclovias e ciclofaixas em toda a cidade, delimitadas por sinalização específica ou infraestrutura integrada com vias, avenidas, parques e bosques, entre outros trechos urbanos de interesse público e turístico.
Seriam promovidas, também, atividades educativas buscando a formação de comportamento seguro e responsável no uso da bicicleta e do espaço compartilhado.
Parelelamente, a EMDEC pretende promover o lazer ciclístico e a consciência ecológica. “O uso da bicicleta em momentos de lazer é um primeiro passo para estimular sua adoção enquanto meio de transporte”, destacou o analista.
A meta é atingir mais de 100 km de ciclovias e ciclofaixas até meados de 2016.
Quem mais pedala
A pesquisa Origem/Destino realizada em 2003 aponta que foram feitas 123.334 viagens com bicicleta naquele ano – o que representa 3,4% do total de viagens na Região Metropolitana de Campinas – RMC. Em Campinas, esse tipo de viagem respondeu por 0,9% do total de deslocamentos.
De maneira geral, nas cidades com mais de 1 milhão de habitantes, a participação das bicicletas nas viagens é de 0,8% (média nacional, segundo o Caderno de Referência para Elaboração de Plano de Mobilidade por Bicicletas nas Cidades – publicação do Ministério das Cidades, 2007).
As regiões de Campinas onde se destaca o uso da bicicleta são os jardins São Marcos, Santa Mônica e Campineiro, com número significativo de viagens entre os bairros, principalmente em função de trabalho; Barão Geraldo, com muitos deslocamentos por motivos educacionais e também profissionais (prestadores de serviço aos condomínios – jardineiros, pedreiros etc); região do Parque Oziel, que, quantitativamente, se destaca; e região do bairro Campo Grande, que apresenta importante estatística de viagens internas de bicicleta. Lá há um grande corredor, a Avenida John Boyd Dunlop, que concentra elevado número de estabelecimentos comerciais.
Restaurações, implantações e projetos
As ações do Plano Cicloviário contemplariam todas as regiões da cidade. A rede de ciclovias e ciclofaixas seria interligada ao Sistema InterCamp, possibilitando a integração com o transporte público coletivo. Os trajetos definidos atenderiam, necessariamente, a equipamentos públicos importantes, como escolas, creches, centros de saúde e áreas de lazer (bosques, praças, teatros, entre outros).
As ciclovias e ciclofaixas passariam por vias arteriais das principais regiões, chegando até os terminais urbanos ou estações de transferência. Além disto, a EMDEC também pretende dotar vários locais estratégicos com bicicletários.
O plano apresentado também recebeu contribuições/sugestões da população. Agora, a EMDEC irá avaliar as solicitações para apresentar o Plano Cicloviáro definitivo à sociedade, por meio da imprensa.
Após a explanação de André Aranha, Eduardo Gomez, representante do grupo aberto de mountain bikers de Campinas, Domingueiras Bike, apresentou diversas ações realizadas por ciclistas em Campinas, incluindo reuniões com o Poder Público em prol da consolidação da bicicleta como meio de transporte.
Gomez mostrou exemplos positivos de ciclovias, como as de Sorocaba e Santos, e defendeu que o espaço público necessita ser melhor compartilhado; criticou o uso das vias como estacionamento de veículos particulares, enquanto deveriam, segundo ele, viabilizar outras formas de deslocamento no espaço ocupado pelos veículos.

10/06/2026/
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