Mais de 250 pessoas acompanharam a cerimônia de abertura da 5ª Conferência Municipal de Trânsito e Transporte, nesta sexta-feira, dia 18, à noite, no Auditório do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Participaram do evento o prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra; o secretário de Transportes, Sérgio Torrecillas; o deputado estadual (PT-SP), Gerson Luis Bittencourt; além de secretários municipais, vereadores, autoridades do setor de transportes dos mais diversos segmentos e população interessada em discutir o futuro da mobilidade em Campinas.
O prefeito Demétrio Vilagra destacou que são grandes os desafios da circulação e que o trânsito ainda é um tema que incomoda toda a sociedade. “O futuro da circulação não está apenas nas mãos dos técnicos da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), mas precisa ser debatido por todos, com muita participação popular,” afirmou.
Vilagra ressaltou, ainda, a importância das discussões em torno das macrozonas e sua relação com a circulação. “Campinas é uma cidade com uma área de 800 km2, cujo metade do território ainda é rural. É preciso pensar e planejar a ocupação dos vazios urbanos para que Campinas cresça de forma sustentável para minimizar o impacto dos deslocamentos.”
O prefeito lembrou que em espaços como a Conferência podem surgir propostas e respostas para melhorar a circulação em Campinas, além de surgirem novos avanços. “Campinas é referência para o Brasil no campo da mobilidade. “Um exemplo positivo nas políticas de trânsito e do transporte público, pelo trabalho qualificado que foi realizado nos últimos anos, mas vamos buscar mais recursos para os corredores, para a requalificação do Viaduto Cury; enfim, para o interesse da cidade.”
Ele acrescentou, também, que quer entregar a cidade, no final de 2012, com as finanças em dia, dentro de um transição democrática e transparente, com mais habitação, mais saúde, mais saneamento, mais educação e mais transporte. “Esse é o meu compromisso,” disse.
Já o secretário de Transportes, Sérgio Torrecillas agradeceu a participação da população na Conferência, lembrando as presenças dos segmentos do transporte público, com os operadores; do serviço de táxi; das concessionárias e dos alternativos; da população em geral; e definiu o momento como um exemplo de “exercício direto da democracia”, um espaço privilegiado para mais propostas, novos encaminhamentos e avanços para melhoria da Mobilidade Urbana.”
O deputado estadual pelo PT, Gerson Luís Bittencourt, que foi secretário de Transportes e presidente da EMDEC, nos anos de 2005 a 2011, ressaltou que a Conferência e o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes são espaços democráticos que precisam ser fortalecidos e valorizados.
Ele lembrou que já presidiu o Conselho, que também já foi ocupado por presidentes que representaram a sociedade civil e o Poder Público. “Apenas os operadores ainda não tiveram a oportunidade de ocupar esse espaço”.
Bittencourt disse que o principal tema de seu mandato e ação parlamentar tem foco na Mobilidade Urbana, destacando seu trabalho para a implantação do Bilhete Único Metropolitano; e, mais recentemente, seus esforços e acompanhamento nos debates sobre a extensão da Linha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na ligação São Paulo-Jundiaí e Campinas.
Dois vereadores representavam a Câmara Municipal na Conferência. Josias Lech (PT) e Sebastião dos Santos. Lech defendeu a importância da participação popular na manutenção das conquistas do setor.
Santos lembrou que só quem trabalha na área do transporte e do trânsito sabe da importância e conhece as dificuldades na organização da mobilidade de uma cidade com a dimensão de Campinas.
O coordenador da Conferência e presidente do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes, Edson Dias Gonçalves, fez um balanço da gestão 2010/2011, resumindo as atividades do sua gestão no Conselho. “Realizamos 12 reuniões, acompanhamos as principais conquistas do transporte como reforma de terminais, inaugurações de Estações de Transferência, debates, eventos e projetos sobre acessibilidade, tarifa, Bilhete único, Educação de Trânsito, corredores, biodiesel, ciclofaixas; além de reivindicações contra pedágios abusivos entre outros”.
Palestra
Após a cerimônia de abertura, o público presente pôde conferir a palestra “Políticas Públicas de Mobilidade Urbana – Conquistas e Desafios”, conduzida pelo professor doutor em Engenharia de Transportes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Diógenes Cortijo Costa.
Costa apresentou conceitos sobre Mobilidade Urbana e Sustentabilidade; e destacou a importância da relação com a acessibilidade.
“Uma das principais problemática do tema, disse, é que o crescimento desordenado das cidades compromete os deslocamentos, com impacto na economia, custos sociais, custos para a saúde, impacto ambiental pela emissão de CO2 e para o próprio transporte.”
O professor falou, ainda, sobre impactos no espaço viário, custos dos acidentes, custos de desembolso, tempo gasto com as viagens nas metrópoles de acordo com cada modal utilizado, prevalência dos modais de deslocamentos, motivações das viagens, distâncias percorridas; poluição ambiental causada pelos veículos, custos dos deslocamentos por modais, construindo um amplo painel sobre o tema. Os dados foram de uma pesquisa da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).
Argumentou que atualmente para se discutir Mobilidade Urbana é indispensável falar sobre a bicicleta nos deslocamentos, lembrando vantagens como rapidez, consumo de energia, baixo impacto ambiental, além de baixa ocupação viária. Sobre esse item ele exemplificou que em uma vaga para um automóvel cabem cerca de 12 bicicletas.
O professor também lembrou municípios e experiência bem sucedidas no uso da bicicleta como os 42 km de ciclovias de Sorocaba; a malha cicloviária de 140 km do Rio de Janeiro e as ciclofaixas de lazer de São Paulo.
Diógenes Cortijo Costa ainda enumerou uma série de ações a curto, médio e longo prazos para melhoria da Mobilidade Urbana.
Citou a necessidade de definição de estratégias, planos, critérios para legislação urbanística, além de diretrizes gerais para políticas de transporte na Região Metropolitana de Campinas. Destacou a necessidade de ampliação da acessibilidade, redução do tempo de viagens, racionalização da infraestrutura, da segurança e da hierarquização do sistema viário.
Costa defendeu que, ao pensar nas políticas urbanas, é necessário atender ao Planejamento Urbano, ao Planejamento do Transporte e ao Planejamento da Circulação. “O transporte coletivo deve ser competitivo com os automóveis, contar com infraestrutura adequada, corredores e faixas exclusivas, BRTs (Bus Rapid Transit), modelos que são o futuro da Mobilidade Sustentável.” Também é preciso contemplar pedestres e ciclistas, acrescentou.
As melhorias no trânsito, segundo o professor, passam pela fiscalização da frota, da implantação de rodízios, aumento no uso do fretamento, melhorias na sinalização, Plano de Orientação de Tráfego e Educação. “tudo isso a curto prazo”.
A médio prazo, ele destacou a necessidade de pedágio urbano, veículos menores, mais uso do serviço de táxi, tarifas mais baratas no transporte coletivo, implantação de ciclovias, BRTs, fiscalização e educação.
E, por fim, numa última etapa, pelo planejamento, Plano Diretor de Transportes, Automação do Trânsito, entre outras iniciativas.
Ele exemplificou que modelos como o Metrobus, no México; e do Transmilênio, em Bogotá, devem ser seguidos.
Debate
Já o secretário Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Campinas, Alayr Roberto de Godoy, polemizou com Costa e deixou temas para a reflexão dos grupos. “Não adianta pedágios urbanos, se não houver investimentos no transporte público. Também acredito que não dá para sair do Vida Nova e ir para Sousas de bicicleta. É preciso refletir sobre mudanças radicais.”
Segundo Godoy, todas as vezes que se destaca a Mobilidade, o tema aparece como um problema da falta de planejamento e não se aborda como as cidades se constituíram historicamente, de forma espalhada. “Primeiro ao longo das ferrovias; e, depois, ao longo das grandes avenidas, que eram antigas estradas”, lembrou.
Ele comentou que os deslocamentos individuais passaram a ser priorizados a partir da década de 70 e continuam até hoje. “O Transporte coletivo só conseguirá concorrer com os carros se for competitivo, se puder contar com corredores, se tiver capacidade para transportar todo esse contingente.”
Godoy também destacou a necessidade de pensar nas “não-viagens”. Precisamos reduzir os deslocamentos e as viagens desnecessárias, aproximando bens, serviços e infraestrutura da população, com respeito ao meio ambiente e ampliação da segurança.
Após a palestra, o público presente acompanhou a leitura do regimento Interno da Conferência, que define a condução dos trabalhos no sábado, dia 19 de julho.
Confira a programação da 5ª Conferência:
Dia 19/11 – Auditório do IAC, à Rua Barão de Itapura, 1481.
9h – Apresentação do Plano Cicloviário
Wilson Folgozi, Diretor de Desenvolvimento e Infraestrutura Viária da EMDEC.
Participação: Eduardo Gomes, Domingueiras Bike; Juarez Bispo Mateus, Chefe do Departamento de Controle de Atendimento da EMDEC; e Luiz Yabiku, Secretário Municipal de Urbanismo.
10h às 11h30 – Trabalho em grupos das 5 regiões (Sul, Sudoeste, Leste, Norte e Noroeste)
Apresentação do relatório das pré-conferências de cada região.
11h30 às 12hs – Eleição dos Conselheiros da Sociedade Civil por região
14h – Plenário
Apresentação geral das 5 regiões.
16h – Apresentação do Novo Conselho
17h – Encerramento

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



