Localizada entre as avenidas Andrade Neves, Barão de Itapura e a Rua Saldanha Marinho, a Praça Regente Isabel tem sua história entrelaçada às diversas mudanças que a região passou ao longo dos anos.
O aumento da importância das avenidas em seu entorno, a construção da Estação Rodoviária Dr. Barbosa de Barros e a sua posterior demolição são os principais destaques para a alteração de suas características. Junta-se a isso à história de Paulo Sales, 50, dono de uma pequena lanchonete localizada no local.
Nascido em Promissão, Bahia, Sales veio para São Paulo em busca de oportunidade de emprego. Proprietário do comércio há 13 anos, acompanhou algumas mudanças; inclusive que afetaram diretamente seu dia a dia.
“Eu comprei esse lugar depois que passei por aqui e vi o anúncio de venda da antiga proprietária. Logo percebi que esse ponto poderia me trazer bons frutos”, conta. A decisão da compra, no entanto, foi influenciada por outros motivos, principalmente por algumas lembranças que a praça lhe trazia.
Por volta de 1990, Sales estava desempregado e passou por um período com sérias dificuldades financeiras. Naquela época, o despejo de pensões e a falta de dinheiro para sustentar a família eram constantes; a praça, por sua vez, se tornou um local para o lamento. “Eu estava em um momento muito difícil da minha vida. A tristeza era tanta que, um dia, sentei na escadaria dessa praça e comecei a chorar”, relembra.
O tempo passou. Com o apoio da família, principalmente de seu filho caçula, Jonatas, os lucros da banca vieram. A principal vantagem do ponto de venda de Sales era, sem dúvida, a rodoviária da cidade, antigamente localizada bem em frente à praça. No entanto, a construção do novo Terminal Metropolitano Ramos de Azevedo e a implosão da antiga Estação Rodoviária comprometeram as vendas da pequena lanchonete.
“A nova rodoviária foi um grande avanço para a cidade; mas para mim, infelizmente, foi um problema. Essa praça faz parte da história da minha vida, mas não sei o que será de mim daqui para frente”, lamenta.
Diante das possíveis negociações de novas construções para o terreno, Sales logo se entusiasma. “Torço muito para que essa área seja revitalizada e eu possa continuar aqui. Já fiz muitos amigos, ajudei muitas pessoas e não quero sair daqui à toa”, torce esperançoso.
À Princesa da Lei Áurea
A Praça Regente Isabel é uma homenagem à Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, mais conhecida como Princesa Isabel.
Responsável pela assinatura da Lei Áurea, em 1988, a princesa é lembrada por abolir a escravidão, ainda vigente no país.
A determinação da Câmara Municipal de Campinas, no entanto, aconteceu em 1921 após diversas discussões entre os vereadores republicanos e abolicionistas. Curiosamente, uma das opções defendidas era dar o nome da princesa à atual Avenida Francisco Glicério, na época ainda com a denominação de Rua do Rosário.
Os principais argumentos eram que os antigos escravos já eram relembrados com a Rua 13 de Maio e, para alguns vereadores, aquela legenda bastava.
Na praça há ainda um monumento em homenagem à Dr. José Barbosa de Barros, médico que também dava nome à antiga rodoviária da cidade.
Princesa Isabel nasceu em 1846 e foi herdeira do trono brasileiro, já que era filha de Dom Pedro II. Após a queda da monarquia e a Proclamação da República, em 1889, foi exilada e se mudou para a Europa. A princesa faleceu em 1921, na França.

10/06/2026/
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