Reunindo cerca de 60 pessoas, o terceiro Ciclo de Debates sobre a Mobilidade Urbana trouxe, novamente, a importância de uma mobilidade eficiente para o desenvolvimento urbano, como principal tema. O Ciclo foi realizado na sede da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) na última quinta-feira, dia 30 de junho.
O debate foi ministrado por Diógenes Cortijo Costa, engenheiro e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e contou com a participação de representantes de escolas da Região Metropolitana de Campinas (RMC), prefeituras, Movimento da Terceira Idade e técnicos da EMDEC.
Para iniciar o debate, o professor abordou, primeiramente, estimativas sobre a atual situação das principais formas de transporte pela população. Apesar de não se tratar de dados oficiais, fica claro um dos principais problemas enfrentados pelo trânsito: o uso excessivo de veículos particulares.
Mesmo reconhecendo que a compra de automóveis é um fenômeno novo no país, Costa defende que a situação já está no limite. “Diferente do que aconteceu em países europeus e nos Estados Unidos, o carro passou a ser um sonho de consumo dos brasileiros somente nos últimos cinco anos. Mas isso precisa mudar, porque não temos estrutura para suportar essa ‘novidade’”, afirma.
Para ele, o uso de outros meios de transporte deve ser incentivado com urgência. “A população tem que ser incentivada e perceber que existem outras formas para se locomover tão eficientes quanto o carro. Obviamente que o automóvel traz um conforto pessoal, mas nós temos que pensar nos benefícios à sociedade e não apenas a nós mesmos. Já faria grande diferença, por exemplo, se as pessoas preferissem usar a bicicleta ou o transporte público e as empresas oferecessem ônibus fretados aos funcionários”, sugere Costa.
No entanto, Costa afirma que o sucesso de qualquer projeto elaborado para a cidade deve ter a participação da população. “Independente dos objetivos que deseja alcançar e das estratégias que serão tomadas, a sociedade é a peça principal. É ela quem sabe quais as dificuldades que são enfrentadas no dia a dia; e, provavelmente, é ela que saberá que rumo tomar. De nada adianta elaborarmos projetos, dentro do escritório, se não conferirmos, na prática, o que está sendo estudado.”
Após a palestra, os organizadores do Ciclo abriram o tema para os participantes fazerem perguntar e opinar, trazendo ao ciclo sua característica principal: o debate.
“Eu acho muito interessante e importante ter debates como esse. Todos sabem que o problema existe, mas ninguém tenta resolver. Hoje passei pela experiência da falta de mobilidade: demorei 3 horas para passar por um trecho de 40 km em São Paulo e levei apenas 2 horas para vir da minha cidade até aqui”, conta Gustavo Guedes, diretor de Trânsito e Transporte da cidade de Embu-Guaçu.
Para Maria Luiza Nogueira, representante do Movimento da Terceira Idade, a falta de mobilidade em Campinas está atrelada a outros motivos. “Campinas é uma cidade que cresceu muito nas últimas décadas e se tornou um polo educacional, de pesquisa e industrial. Pensar em Mobilidade vai contribuir mais ainda com o desenvolvimento da cidade.”
“A falta de mobilidade afeta os mais diversos setores da sociedade, desde a economia, o lazer e até a parte emocional da população; ou será que um congestionamento não deixa ninguém estressado? Uma mobilidade eficaz inclui a acessibilidade e a sustentabilidade social, econômica e ambiental”, conclui Costa.

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



