Holismo (de holos, em grego) expressa a noção de que um sistema não pode ser definido apenas pela soma de seus componentes. Por que, então, excluiríamos dessa ideia o trânsito, tendo em vista a interdependência entre seus partícipes?
A evolução da visão fragmentada à visão sistêmica embasou a atividade do Módulo I (Mobilidade Urbana) do Curso de Formação para Técnicos de Mobilidade Urbana, realizado nesta quarta-feira, dia 4 de maio, pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas – EMDEC.
Técnicos IV e V da Mobilidade Urbana participaram da palestra da analista de Educação da Mobilidade Maria Cristina Ferrari Maciel e da técnica administrativa e financeira Reni Paschoalino de Brito, ambas do Departamento de Programas de Educação da EMDEC.
Os participantes – cerca de 30 por período – debateram progressos legislativos e práticas costumeiras relacionadas à Mobilidade Urbana no Brasil, recordaram imagens de ontem (1940) e hoje de vias importantes de Campinas – como o cruzamento da Avenida Francisco Glicério com a Rua Conceição – e assistiram ao vídeo “Sociedade do Automóvel”, dos jornalistas Branca Nunes e Thiago Benicchio, que foi trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da PUC-SP em 2004.
Mas o ápice chegou com a discussão, em grupos, do texto “Visão fragmentada x Visão sistêmica: Uma análise”, do especialista em Comunicação Empresarial e Comunicação para a Sustentabilidade Luís Antônio Gaulia.
Gaulia exemplifica, no texto, a precariedade de uma visão de mundo fragmentada: “Numa conversa com um engenheiro de uma fábrica de bombas, mísseis e explosivos, foi perguntado se o sujeito tinha algum tipo de culpa pelo que produzia. A resposta veio como um tiro de fuzil: ‘Não tenho culpa de nada. Aqui eu só faço a colocação do detonador. Nem sei quanto de explosivo existe nesse artefato. Também não sou eu quem jogará essa bomba em cima dos outros’”.
O autor conclui, assim, que a visão sistêmica – “que considera o conjunto, o todo e a teia de conexões de qualquer atividade humana” – é fundamental para a sobrevivência da espécie humana na Terra.
Critica, ainda, o pensamento de Descartes e Newton, que, segundo ele, “transformaram o mundo pela força de suas ideias, mas estavam parcialmente certos”.
“Quando se determina que a verdade é tudo aquilo que a razão pode explicar, privilegia-se o mental, o racional, matemático e deixa-se de lado outras visões da verdade, como os costumes, a cultura, a emoção, a espiritualidade, não de uma religião, mas de uma crença maior nos mistérios da vida”, opina o especialista em Comunicação Empresarial.
A partir dessa premissa, analistas e técnicos da EMDEC propuseram reflexões e soluções, buscando conciliar teoria e prática, com repercussão qualitativa nas próximas tarefas.
Além dos colaboradores da EMDEC, técnicos e agentes de trânsito de Atibaia participam dessa formação; entre eles, o diretor do Departamento de Trânsito de Atibaia, Jarbas José de Oliveira. Atibaia, segundo o Censo 2010, conta com 126.614 habitantes. Campinas tem 1.080.999.
“Um olhar ampliado nos fará direcionar e readequar obras e serviços”, aposta Oliveira.
A metáfora do agente de Trânsito da Estância, Sílvio Ciccone, resume essa intenção: “Você não monta um quebra-cabeça sem antes conhecê-lo por completo”.
Já o assessor da Gerência de Educação e Cidadania da EMDEC, Reginaldo Batista Paiva, ressalta o aspecto político do sistemismo. “Somos agentes da história, não podemos ficar observando o trem passar. É preciso ouvir a comunidade, as críticas; permitir, enfim, uma democracia participativa”.
A palestrante Maria Cristina propõe superar as limitações da ideia de localidade. “A visão sistêmica é holística a partir do momento em que reconhece e identifica o todo; nosso espaço, nosso endereço, é a Terra; não é meu bairro, não é Campinas. A consequência de nossos atos é transcendente”.
A partir da análise de Reni, pode-se aferir que não apenas com “amarelinhos” se conduz o trânsito. “Todos somos agentes da Mobilidade Urbana, todos somos veículos, seja enquanto colaboradores aqui da empresa, seja enquanto cidadãos”.
O Curso de Formação para Técnicos de Mobilidade Urbana terá, no total, 75 horas. Foi articulado por Paulo Takashi Takarabe, assessor da Diretoria de Desenvolvimento e Infraestrutura Viária, e é coordenado pela Gerência de Recursos Humanos – GRH.
A programação inclui módulos como Mobilidade Urbana, Gerenciamento do Transporte Público, Sistema de Transportes e Rede, Planejamento, Programação e Controle operacionais, Sistema de Informação e Monitoramento, Fiscalização, Tecnologia em Inspeção Veicular, Planilha Tarifária e Rede de Computadores.




