A Rua Luís Gama não faz parte do hall de vias famosas da cidade de Campinas. O personagem que dá nome à rua no Guanabara, no entanto, foi um importante abolicionista da história brasileira e um exemplo de superação. 
A via, que começa no entroncamento com a Rua Emílio Henking e termina na Rua Dr. José Pinto de Moura, no Bonfim, apresenta uma peculiaridade no seu traçado. Ela é cortada ao meio. A via segue até a casa de número 500 e para neste ponto. Mas, qualquer desavisado que pode pensar que ela termina ali, surpreende-se; pois ela continua. Para chegar ao fim da via, deve-se seguir até a Rua Padre Camargo Lacerda, onde a via volta a ter o mesmo nome.
Sobre o personagem
Luís Gonzaga Pinto Gama nasceu na Bahia, em 1830; filho de uma africana livre, Luiza Mahin, uma das principais personagem da Revolta dos Malês; e de um fidalgo branco de origem portuguesa, que gostava da boa vida e dos jogos de azar.
Quando tinha 10 anos, Gama foi vendido pelo próprio pai como escravo; sua mãe, que havia sido exilada, nada pôde fazer. Foi comprado por um alferes e levado para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo.
Chegou a Santos e depois seguiu para Campinas numa longa e literal caminhada. Chegando à cidade não foi comprado por ser baiano. Na ocasião, os negros baianos eram considerados fujões e revoltosos.
Em 1847, o alferes recebeu a visita de Antônio Rodrigues do Prado Júnior, estudante de Direito que se tornou amigo de Gama e o ensinou a ler e escrever. Um ano depois fugiu, pois sabia que sua situação era ilegal, pois era filho de mãe livre.
Na década de 1860, se tornou jornalista e era ligado ao Partido Liberal. Entre 1864 e 1875, colaborou em diversas publicações.
Em 1869, fundou o jornal Radical Paulistano e quatro anos depois participou da criação do Partido Republicano Paulista. Por volta de 1880, foi líder da Mocidade Abolicionista e Republicana.
Gama era advogado provisionado e atuava juridicamente contra a escravidão, conseguindo libertar mais de 500 escravos.
Ele também era patrono da cadeira número 15 da Academia Paulista de Letras. Sua primeira obra veio a público em 1859, com o título de “Primeiras Trovas Burlescas do Getulino”. O livro ridicularizava a aristocracia com poesias satíricas.
Luís Gama morreu em 24 de agosto de 1882, sem ver concretizada a Abolição.
Praça Jacomo Lott
No trecho da Rua Luís Gama próximo a Rua Adolfo Lutz fica a Praça Jacomo Lott. Alzira Lot é nora do homem que dá nome ao espaço.
“Tinha uma placa com o nome dele lá na praça, mas caiu e eu peguei para guardar. O nome foi escrito errado. Lot é com um ‘T’ só; e não com dois!”, reclama Dona Alzira.
Ela veio do Paraná para Campinas na década de 1960. Chegou com 17 anos. “Eu era um brotinho”, disse. Quando chegou, conheceu Olívio Lot, filho de Jacomo. “A gente se conheceu. Então, namoramos cerca de dois anos e depois nos casamos”, disse.
Olívio era técnico de precisão da Prefeitura, onde trabalhou durante 15 anos consertando aparelhos utilizados por dentistas e médicos, como medidor de pressão, por exemplo.
“Um dia ele estava arrumando a calha e eu estava embaixo, segurando a escada. De repente, ele despencou lá de cima”, lamenta. O vizinho, Antônio Bellinello, e morador da rua desde a década de 1950, completa: “ele machucou a cabeça e nunca mais foi o mesmo.”
Dona Alzira se lembra bem da data de morte do sogro, 24 de setembro de 1944. O nome da praça foi dado, segundo ela, pelo vereador Luís Rafael Lot, parente da família.

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