A palestra sobre acidentalidade e vulnerabilidade social, realizada na manhã desta quarta-feira, dia 9, na Sala de Treinamento da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas – EMDEC – revelou dados importantes sobre os acidentes de trânsito na cidade, relacionado ao ano de 2006.
Aproximadamente 50 pessoas acompanharam a apresentação da jornalista e doutoranda em Demografia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp – Ana Carolina Bertho. A jornalista já apresentou a temática em congressos nacionais e internacionais, como em Minas Gerais, Pernambuco e em Cuba.
A pesquisadora afirmou que o objetivo do estudo foi contribuir com o conhecimento sobre os padrões e tendências recentes dos acidentes de trânsito na cidade e verificar as características sociodemográficas que tornam grupos populacionais mais vulneráveis aos riscos de se ferir ou morrer nos acidentes de trânsito.
Para realização da pesquisa foram utilizados dados da EMDEC e boletins de ocorrência com vítimas fatais e não fatais nas vias de Campinas no ano de 2006. O local de residência da vítima é usado como uma aproximação de sua condição socioeconômica. Os números da pesquisa mostram resultados para cada 100 mil habitantes.
O estudo revelou que em Campinas, no ano de 2006, os motociclistas se destacaram entre as vítimas fatais e não-fatais, totalizando 44%. Na sequência, ficaram os ocupantes dos demais veículos com 33%; pedestres com 16% e ciclistas com 3%.
A taxa de vitimização é mais alta entre os homens com idade entre 20 e 24 anos. Os atropelamentos acontecem em sua grande maioria no centro da cidade e as maiores vítimas são crianças de 0 a 14 anos e pessoas com mais de 60 anos. A pesquisadora afirmou que entre os jovens existe uma relação entre vulnerabilidade social e a ocorrência de acidentes, pois a maioria das vítimas morava em áreas periféricas. Já no caso dos idosos não foi encontrada tal relação, já que a maior parte dos atropelados morava no Centro, área de pouco vulnerável.
“Os mais pobres não são necessariamente os mais atingidos pelos acidentes, mas há uma situação intermediária em que a população consegue escolher como fará o deslocamento e, ainda que vença outros riscos graças à facilidade para fazer as viagens, acaba se expondo mais aos riscos do trânsito”, defendeu a pesquisadora. Ao trocar o ônibus pela motocicleta, por exemplo, os jovens podem ganhar em tempo de deslocamento, mas se tornam mais suscetíveis aos acidentes.
Segundo a doutoranda, uma solução para a redução dos acidentes está no uso do transporte coletivo. “Seria importante que as pessoas percebessem que andar de ônibus é mais seguro, já que a taxa de acidentalidade é menor nesse tipo de transporte.”

11/06/2026/
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