Bem próxima a algumas das mais importantes e movimentadas avenidas da cidade, como a Anchieta, Orosimbo Maia e Júlio de Mesquita, a Rua 14 de Dezembro é um verdadeiro contraste à agitação das vias vizinhas. É uma via onde a tranquilidade impera. Em seus 270 metros de extensão, a via em muito se assemelha às pequenas ruas de bairros, já que, além de estreita, tem, em toda a dimensão, o calçamento em paralelepípedo.
Quem passa pela 14 de Dezembro, dessa forma, acaba encontrando, basicamente, antigas construções residenciais e pequenos estabelecimentos comerciais.
Exceções dessa serenidade, no entanto, estão apenas no início da via. Logo no cruzamento com a Rua Sacramento, está o SENAC, escola técnica e profissionalizante; na Rua Marechal Deodoro, bem próximo, está o Campus Central da PUC-Campinas; e, na própria via fica a escola Cooperativa do Saber. A presença dos colégios e, consequentemente, dos estudantes, garante uma certa movimentação ao local.
Nos intervalos das aulas, as padarias e lanchonetes da via tem grande procura. O Edifício Pitangueiras, por exemplo, soube aproveitar esse público, combinando preço acessível e comodidade aos jovens estudantes. O espaço oferece kitnets disputadas por jovens de outras cidades que estudam em Campinas.
Thaís Calsoni, 21, é um desses exemplos. Aconselhada pelo primo, a estudante de Direito da PUC-Campinas, mora no prédio há 8 meses e não se arrepende da escolha. “Não tenho o que reclamar daqui. A via além de ser tranqüila, está na região central. Basicamente tudo que precisamos está perto, temos na região supermercados, farmácias e a própria faculdade que estudo.”, declara Thais.
O lado tranqüilo da via não é recente. Segundo historiadores, a Rua 14 de Dezembro sempre foi residencial, principalmente pela proximidade com a Rua do Comércio, a atual Dr. Quirino. “A 14 de Dezembro sempre foi muito parecida com o que é hoje. A Rua do Comércio atraía os comerciantes e as vias em seu entorno eram tomadas pelas residências”, explica Wagner Paulo dos Santos, historiador.
Via dos Alecrins
A primeira denominação dada à atual 14 de Dezembro aconteceu, no início do século XVIII, quando a cidade era composta apenas pelo povoado da Freguesia de Campinas do Mato Grosso. Com a presença de uma chácara existente na esquina com a Rua Luzitana, que se dedicava à plantação de alecrins, a população passou a denominá-la dessa forma: Rua dos Alecrins.
É importante ressaltar que, na época, a erva aromática era muito utilizada pela população, seja como tempero em alimentos, uso medicinal ou em rituais das religiões africanas. Por esse motivo, a chácara em questão se tornou referência na via, já que era procurada pelos interessados para compra.
Esse nome permaneceu até 1848. Nessa época, a rua tinha praticamente duas quadras, iniciando na esquina com a atual Rua Luzitana e com término na Rua Sacramento.
O sobrado dos Mascarenhas


Por volta de 1850, a Rua dos Alecrins recebeu uma das primeiras construções em forma de sobrado da cidade. Por se tratar de algo raro para a época, o sobrado se destacou na via e se tornou, também, um ponto de encontro, uma referência aos moradores. Um fato curioso, no entanto, é que não há registros do proprietário da residência, sabe-se, somente, que pertencia à família Mascarenhas.
Com o passar do tempo, a população passou a chamar a Rua dos Alecrins, também, de Rua dos Mascarenhas.
Com o passar do tempo, o sobrado foi vendido a outras famílias até se transformar, em 1921, no Colégio Ateneu Paulista, um dos mais procurados pelos estudantes da época.
Já em 1970, o prédio passou a estabelecer uma escola estadual, denominada Colégio Estadual Aníbal Freitas. Algum tempo depois, a escola foi transferida para o bairro Guanabara e o sobrado demolido.
A homenagem à Guarda Nacional
Em 1894, a Câmara Municipal decidiu alterar novamente o nome da via.
A decisão foi tomada após a Guarda Nacional seguir para Florianópolis, em 14 de dezembro de 1894. O motivo da ida do Exército ao sul do país era a Revolta da Armada, movimento contra o então presidente Marechal Deodoro, realizado pela Marinha Brasileira, que alegava ser politicamente inferior ao Exército. A insatisfação teve início no Rio de Janeiro em 1891, porém, com a falta de apoio, os marinheiros migraram para o Sul do país.
A pedido do presidente da República, que passou a ser Floriano Peixoto, a Guarda Nacional, que contou com uma frota de navios estrangeiros, conseguiu conter os revolucionários e encerrar a Revolta.
A homenagem feita pela poder público ressaltava que a via seria dedicada à Guarda Nacional de Campinas e a um médico da cidade, que seguiu para a batalha junto com os combatentes. Um fato interessante é que o médico em questão tinha o sobrenome de Mascarenhas, família proprietária do sobrado na via que, a partir da decisão, passaria a ser chamada de Rua 14 de Dezembro.
Vale destacar que 14 de Dezembro também é a data que a Freguesia de Campinas do Mato Grosso foi elevada à categoria de Vila de São Carlos, em 1797.






