Três empresas vão lançar no mercado nacional cadeirinhas para crianças que podem ser utilizadas em veículos com cintos de segurança de dois pontos, que é o sistema instalado em veículos fabricados no País até o ano de 1998. Com isso, os proprietários de aproximadamente 12 milhões de veículos, que utilizam este tipo de sistema de segurança, vão ter condições de cumprir a lei que obriga o uso das cadeirinhas para crianças de até dez anos, que começa a vigorar em setembro.
A novidade foi revelada ontem pelo engenheiro Celso Arruda, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que vai avaliar nos próximos dias o relatório com o resultado dos ensaios de segurança que estão sendo realizados em laboratórios da Europa. Após esta análise do especialista da Unicamp, as novas cadeiras vão ser encaminhadas ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para certificação final.
Arruda manteve em sigilo o nome das empresas, porém adiantou que o objetivo dos fabricantes é de disponibilizar as novas cadeiras no mercado a partir de outubro nas lojas especializadas. O especialista explicou que, caso não fossem criados esses modelos para cintos de segurança de dois pontos, os proprietários de veículos fabricados até 1998 seriam obrigados a passar por um recall nas montadoras de veículos para adaptar os cintos de segurança de três pontos em seus automóveis.
A instauração deste recall causaria muitos transtornos. “Para garantir o cumprimento da nova lei, as montadoras seriam obrigadas a fazer gratuitamente as adaptações e isto seria um transtorno para os donos e também para os fabricantes de automóveis, que teriam que dispor de uma estrutura especial em suas concessionárias para atender a demanda”, avaliou Arruda.
Não há um levantamento oficial sobre o volume da frota de carros com cintos de segurança de dois pontos, porém, dos quase 30 milhões de veículos de passeio que circulam no País, aproximadamente 12 milhões foram fabricados antes de 1998, segundo o mais recente estudo sobre a frota circulante feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).
Arruda explicou que as 25 empresas fabricantes de cadeirinhas (sete nacionais e 18 estrangeiras) que atuam no mercado brasileiro disponibilizam 97 modelos de cadeiras, todos para cintos de três pontos. “É um risco utilizar essas cadeiras nos veículos mais antigos, pois não foram fabricadas para essas condições, nem houve teste de segurança. Para solucionar a questão, três fabricantes decidiram testar suas cadeiras em cintos de dois pontos e obter a certificação do Inmetro para comercializar nesse segmento”, disse.
Segundo Arruda, não houve mudanças drásticas nas cadeiras e não haverá alterações na linha de produção dos fabricantes. A nova cadeira deverá entrar no mercado um mês após a lei entra em vigor e a fiscalização de trânsito deverá utilizar o “bom senso” nos primeiros meses de vigência da lei. Afinal, os proprietários de veículos que foram fabricados antes de 1998 não vão contar com opções para cumprir a lei e deverão aguardar o surgimento das novas cadeirinhas no mercado para transportar as crianças com idade até dez anos.
Preocupação
A aposentada Custódia Gonçalves, que tem um VW Fusca ano 1970, disse que está preocupada com essa situação, pois às vezes transporta seus netos Juliano e Gustavo em passeios e em visitas em sua casa. “Meus netos vão precisar das cadeiras, porém, não existe modelo que sirva para o cinto de segurança do carro”, disse. “Fiquei feliz com a notícia de que vão fabricar essas cadeirinhas para os carros mais antigos. Só espero que o valor não seja elevado”, disse.
Já a administradora Luciana Cunha Pizatto disse que não teve problema em seu Palio 2007, que conta com cinto de três pontas, possibilitando a instalação de uma cadeirinha adequada para transportar seu filho Davi, de dez meses de idade. “Apesar disso, muitos colegas de trabalho que possuem filhos de até dez anos estão sem saber o que fazer porque utilizam veículos que não possuem o cinto de três pontas e vão ter que esperar o surgimento deste produto nas lojas”, disse.
Arruda lembrou que os proprietários de veículos devem ficar atentos também com o tamanho dos cintos de segurança de três pontos, independentemente do ano de fabricação. É que alguns veículos possuem um cinto muito curto para o uso das cadeiras destinadas para as crianças de até um ano de idade, conhecidas como bebê-conforto.
Contran adia nova regra para setembro
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu ontem adiar do dia 9 de junho para 1º de setembro o início do prazo para exigência da cadeirinha em automóveis em todo o País. A alteração do prazo, de acordo com o órgão, foi motivada pela falta do produto nas lojas. Alguns dispositivos de segurança para crianças em automóveis estavam em falta em Campinas e em todo o País, principalmente o assento de elevação, denominado como booster, a ser utilizado por crianças entre 4 e 7 anos e meio. O presidente do Contran, Alfredo Peres da Silva, informou que a resolução foi publicada há dois anos para que houvesse a adaptação e que a fiscalização teria início em 9 de junho, porém, algumas semanas antes da fiscalização ser iniciada, houve uma procura muito grande pelos dispositivos e os fabricantes não se prepararam para atender a demanda. Até setembro, o mercado deverá estar abastecido.
Fonte: Gilson Rei – Correio Popular: 29/07/2010

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