“Há homens que lutam um dia, e são bons; Há outros que lutam muitos dias, e são muito bons; Há homens que lutam muitos anos, e são melhores; Mas há os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis!”
A conhecida citação de Bertold Brecht se encaixa muito bem à figura de José Paulino Nogueira, mais conhecido por José Paulino, personalidade que dá nome a uma das mais movimentadas ruas do Centro de Campinas. Importante corredor do transporte coletivo, a Rua José Paulino é o percurso de 37 linhas do InterCamp, no trecho entre as avenidas Aquidaban e Orosimbo Maia.
Campineiro, José Paulino foi o quinto dos doze filhos de uma tradicional família, mas de poucos recursos. Amigo de outros ilustres como Campos Salles, Francisco Glicério, Américo Brasiliense e Salvador Penteado, elegeu-se vereador em Campinas e foi uma das poucas autoridades que não abandonaram a cidade durante a epidemia de febre amarela, em 1889.
Assumiu o governo de Campinas, mobilizou sócios e apelou na Capital, para que os amigos arranjassem meios para que se concluíssem os serviços de canalização de água potável e de instalação da rede de esgotos da cidade.
Em 1890, um novo surto da febre castigou a região. E pelos seus esforços na implantação de obras de saneamento, o povo campineiro, agradecido, o homenageou com uma placa de mármore na loja, onde ele teve seu primeiro emprego.
José Paulino também foi um dos fundadores da primeira grande indústria de Campinas, a Usina Ester, antes uma engenhoca de álcool. O nome da indústria foi uma homenagem a sua filha mais velha, Ester.
Em 1910, assumiu a presidência da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, cargo que ocupou até morrer, em 10 de novembro de 1915. Além disso, foi o primeiro presidente do Banco Comercial e fundou, ainda, a Companhia Paulista de Seguros.
José Paulino faleceu em São Paulo e está sepultado no Cemitério da Saudade, em Campinas, próximo de dois companheiros de toda a vida: Moraes Salles e Francisco Glicério.
Seu nome, Paulino, deu nome à cidade de Paulínia; pois um dos bairros que deu origem àquela cidade; chamava-se José Paulino.
Antiga Rua das Flores
Quem passa hoje por essa rua, toda tomada pelo comércio e pelo trânsito, mal pode imaginar que a José Paulino também já foi nomeada como Rua das Flores, pela existência de enorme quantidade de rosas brancas silvestres no seu entorno.
Atual via das noivas


A Rua perdeu as flores, mas ainda tem lá seu encanto, sobretudo para as noivas, que encontram nessa via mais de 20 lojas de trajes específicos para o casamento. Todas instaladas no trecho que fica entre a Avenida Moraes Salles à Aquidaban.
Segundo a proprietária de uma loja de aluguel de vestidos de noivas, nessa via, Rosemary Batista, há cinco anos na José Paulino, a escolha do ponto foi bem acertada. “Não tenho o que reclamar sobre o local, a concorrência é grande, mas a procura também.”
O lugar é procurado não só pelos moradoras de Campinas, mas também de outras cidades como Hortolândia, Sumaré, Valinhos, Americana, Cosmópolis. Algumas pessoas vêm até de outros estados como o Paraná e Minas Gerais. O aluguel de um vestido de noiva varia em média de R$ 200,00 a 1.500,00.
Além dos vestidos, na Rua José Paulino também se podem encontrar lojas de gala, de debutantes, fantasias e de trajes masculinos, como é o caso da Roupas Jacobucci, há 80 anos no local e precursora do ramo na rua.
Luis Carlos Zanardo, funcionário há 30 anos, conta que o trânsito mudou muito neste período. “A cidade cresceu e o número de carros também; mas a rua ainda tem um ar de tranqüilidade”. Isso, porque a loja está instalada logo no início da via, na altura da Aquidaban.
ACIC é importante referência
Um dos prédios que compõem a paisagem da José Paulino é o da Associação Comercial e Industrial de Campinas, considerada uma das maiores associações do Estado de São Paulo, e fundada em 1920.
A ACIC está instalada há 56 anos nesta rua, pois só inaugurou oficialmente o seu prédio em 1955.
Em 1963, comerciantes lojistas compareceram no local para criar a Associação Profissional dos Lojistas do Comércio de Campinas.
Em 1993, o Sindicato dos Lojistas ampliou seus trabalhos e passou a englobar mais sete cidades: Cosmópolis, Hortolândia, Indaiatuba, Jaguariúna, Monte Mor, Sumaré e Valinhos. A entidade passou a denominar-se Sindicato dos Lojistas do Comércio de Campinas e Região.
A entidade crescia e o investimento em infra-estrutura foi novamente realizado. Em 1999, o presidente Carlos Gobbo informou em reunião que o Sindicato havia adquirido um andar situado na rua General Osório, permanecendo na José Paulino apenas a ACIC.
Externato São João
A José Paulino também conta com construções antigas, como o Externato São João, tombado pelo Patrimônio Histórico.
Fundado, em 1909, pelos padres salesianos, o Externato São João ocupou por muitos anos, o antigo casarão, construído muito antes de 1860, pertencente à família Estanislau de Campos Salles.
Redimensionado para sediar um projeto voltado exclusivamente a jovens carentes e localizado na área central, a escola atraiu muita gente e ali funcionou por 85 anos.
Em abril de 1994, o velho casarão foi parcialmente demolido; restando, porém as salas de aula, a capela e o antigo teatro. Em 1995, a capela e o teatro, já restaurados pelos salesianos, foram tombados pelo CONDEPACC.
Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos
Fotos: Acervo pessoal – Wagner Paulo dos Santos
Fontes Complementares:
Ruas da época imperial – Edmo Goulart
Associação Comercial e Industrial de Campinas – ACIC
Externato São João:
http://2009.campinas.sp.gov.br/campinas/atracoes/culturais/patrimonio/externato_saojoao/
Bibliografia José Paulino:
http://seuarmario.blogspot.com/2007/10/jos-paulino-casamenteiro.html
ACIC:
http://www.acicnet.org.br/acic/historia.php
Sindicato dos Lojistas:
http://www.sindilojascampinas.com.br/lojistas-comercio/o_sindicato.html




