Após dois anos em vigor, a Lei Seca contribuiu para uma diminuição de 65,9% no número de mortes em acidentes de trânsito no município neste período, segundo avaliação da Polícia Militar (PM).
Dados do setor de comunicação do Comando de Policiamento do Interior – 2 (CPI-2) revelam que seis meses antes das mudanças na lei (entre dezembro de 2007 e maio de 2008), Campinas registrou 41 mortes em acidentes e, nos últimos seis meses (de dezembro de 2009 a maio de 2010), foram registradas 14 vítimas fatais no trânsito da cidade. O número de acidentes com vítimas no mesmo período caiu 25,9% — foram 3.169 ocorrências seis meses antes da lei ante 2.711 registros desse tipo nos últimos seis meses.
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) reforça a influência da lei na redução de casos. Segundo a EMDEC, de 138 mortes registradas em 2008, o Instituto Médico Legal (IML) fez a coleta de sangue para análise da dosagem alcoólica em 58 vítimas. Destas, 28 apresentaram dosagem alcoólica negativa (56%) e 21 (42%) estavam com dosagem alcoólica igual ou superior a 0,6 g/l (crime e infração de trânsito). Uma vítima apresentou dosagem alcoólica menor que 0,6 g/l (considerada como infração de trânsito).
As estatísticas revelam ainda que houve queda de ocorrências em 2009. Das 117 vítimas fatais registradas no trânsito no ano passado, o IML fez a coleta de sangue para análise da dosagem alcoólica em 63 vítimas e, desse total, 39 apresentaram dosagem negativa (65%). Ao todo, 17 vítimas estavam com dosagem alcoólica igual ou superior a 0,6 g/l (20,3%) e quatro tiveram dosagem alcoólica menor que 0,6 g/l.
Por conta da Copa, a PM vai realizar blitze especiais em Campinas e no Estado a partir de hoje, nos dias de jogos do Brasil. Os bloqueios serão montados após o término das partidas e estarão espalhados pela cidade, principalmente próximo a bares. Motoristas ouvidos pela reportagem disseram que, apesar da redução de acidentes, a sensação é de que as blitze pararam.
Números
O CPI-2, de Campinas, diz que as operações especiais da PM com bafômetro estão sendo realizadas normalmente. Nestes dois anos de Lei Seca mais rigorosa, o CPI-2 realizou a abordagem de 9.009 pessoas em Campinas e 1.250 condutores passaram pelo teste feito com equipamento que mede a dosagem alcoólica. No total, 291 motoristas foram autuados e 68 conduzidos para exames de laboratório e clínicos. Para as operações, o CPI-2 conta com 13 bafômetros para ações em Campinas, Valinhos, Vinhedo, Indaiatuba e Paulínia. A corporação diz também que flagra casos de abuso de bebida em operações de rotina.
Sensação nas ruas é de que ações pararam
Apesar da redução confirmada no número de acidentes, motoristas em Campinas dizem acreditar que a fiscalização não é frequente e que poderia ser mais intensa. A professora Eliane Dutra disse que viu operações com bafômetro apenas nos dois primeiros meses da lei. “Depois disso, nunca mais vi as fiscalizações. A Polícia Militar tem que se estruturar melhor e fiscalizar constantemente.” O motorista Daniel Moreira Alves defendeu também maior volume de blitze. “A lei é boa porque evita mortes. Quem não respeita tem que ser punido e, por isso, o governo tem que garantir condições para a polícia fazer uma fiscalização intensa”, disse. “É comum ver gente bebendo em bares e saindo com o carro na sequência”, disse o vendedor Robson André de Mello.
Um universitário que não quis se identificar disse que está acostumado a dirigir depois de beber alguns copos de cerveja. “Eu não abuso na bebida e nunca aconteceu nada. Quando a lei ficou mais rigorosa até cumpri as regras. Como não vi mais nenhuma blitz com bafômetro, voltei a beber e dirigir.”
SAIBA MAIS – Balanço das abordagens em dois anos da Lei Seca
Pessoas abordadas – 9.009
Condutores abordados – 6.803
Condutores aferidos – 1.250
Conduzidos para exames de laboratório – 61
Conduzidos para exames clínicos – 7
Autuados (*) (artigo 306 do CBT) – 42
Autuados (**) (artigo 165 do CBT) – 249
Autuações diversas – 937
(*) concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas
(**) concentração de álcool por litro de sangue inferior a 6 decigramas
Fonte: Gilson Rei (Correio Popular – 15/06/2010)




