Quatro empresas brasileiras se uniram ao consórcio de empresas sul-coreanas do setor da construção para disputar a concessão do trem de alta velocidade (TAV) que vai ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, informou ontem o presidente da construtora de ferrovias Korea Rail Network Authority (KRNA), Cho Hyun Yong. Ele afirmou que o projeto coreano para o TAV vai aliar uma nova proposta de traçado, mais barata, à exploração imobiliária das regiões da estação do trem. Além de três empresas públicas coreanas, o consórcio tem, até o momento, o interesse de cerca de 15 empresas da construção civil, entre elas a GS, Samsung, Daewoo, SK, Daelin e Lotte.
Os nomes das empresas brasileiras não foram divulgados. Uma delas, no entanto, já é conhecida. No final do ano passado, o Grupo Bertin, que atua na área de infraestrutura por meio da construtora Contern, anunciou sua adesão ao consórcio. “Por enquanto, temos um consórcio de interessados. Só saberemos quais empresas estarão conosco quando o edital de concessão for publicado e cada uma analisar suas possibilidades”, disse o coordenador geral do grupo coreano para o TAV, Daniel Sunduck Suh.
O sul-coreanos estudam há quatro anos a possibilidade de construir o trem. “Estamos bem adiantados e será possível apresentar uma proposta bastante competitiva”, afirmou o coordenador local do projeto, Paulo Benites, da Trends-Engenharia.
O novo traçado a ser proposto pelo grupo, segundo Suh, vai alterar trechos do trajeto indicado pelo governo no estudo de viabilidade que está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU). Ele não informou quais serão as alterações. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aguarda a aprovação da documentação em análise no TCU para divulgar o edital. O tribunal havia incluído a votação na pauta da sessão de hoje, mas a assessoria de imprensa informou que o projeto só deverá ir a plenário na próxima semana.
“Precisamos começar as obras no início de 2011 para que os 511 quilômetros entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro estejam concluídos até 2016, quando ocorrerão os Jogos Olímpicos”, disse o presidente da KRNA. Se vencer o leilão de concessão, o grupo montará várias frentes de trabalho para concluir a ferrovia em curto prazo.
Para os sul-coreanos, a flexibilidade será muito importante nas regras que serão estabelecidas pelo governo. “Precisamos de flexibilidade para buscar nossos objetivos, aumentar receita e atingir a demanda necessária”, afirmou Yong.
Riscos
Preocupam o consórcio os riscos ambientais e de desapropriação que virão da implantação do trem. O governo assumiu o compromisso de arcar com os riscos que estiverem dentro do traçado referencial sugerido pelo estudo de viabilidade. O que estiver fora dele, ficará por conta do construtor. Outros riscos que preocupam são o de demanda e de construção. Os sul-coreanos acham que o número de passageiros estimado pelo governo brasileiro, de 32,6 milhões no primeiro ano de operação do TAV, está superestimado, o que equivale dizer que a receita prevista no estudo não irá se configurar.
‘“A demanda vai depender da velocidade do trem, do número de estações, da frequência e da tarifa. Se, no edital, o governo nos der flexibilidade para mexer nesses parâmetros, o número de passageiros poderá variar e nós teremos condições de alcançar a receita desejada”, afirmou Suh.
Os sul-coreanos, assim como outros consórcios estrangeiros que pretendem disputar o leilão de concessão, querem poder explorar empreendimentos ao longo das linhas, incluindo um misto de comércio, residências e shoppings. “Esse modelo de negócio garante o retorno econômico do trem caso a demanda de passageiros não atinja as expectativas”, disse Benites. Além dos sul-coreanos, estão interessados no TAV os japoneses, espanhóis, italianos, franceses, alemães e chineses.
Fonte: Correio Popular, 28/04/2010

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