"O comportamento no trânsito não é um comportamento isolado. A vivência e os hábitos do dia a dia influenciam diretamente as atitudes”. A afirmação é de Eduardo Biavati, palestrante da segunda mesa do Seminário de Educação para o Trânsito e Mobilidade Urbana, promovido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), nesta terça, dia 30, na Unicamp.
O tema Mobilidade Urbana e Saúde Pública: trânsito, violência e segurança foi abordado por Biavati, presidente da Em Trânsito Consultoria, e Cheila Lima consultora-técnica da área de vigilância e prevenção de violência e acidentes do Ministério da Saúde.
Para a representante do Ministério da Saúde, o trânsito deve ser tratado também como problema de saúde pública, afinal, é um dos maiores responsáveis por mortes no mundo. A relação entre trânsito e saúde é tamanha que a Organização Mundial de Saúde recomenda políticas de transporte e uso do espaço, melhorias na rede viária e intensificação da fiscalização como medidas que possam prevenir acidentes e, consequentemente, melhorar a saúde da população.
Como atingir os jovens
Segundo Cheila, acidentes de trânsito são a primeira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Para Biavati, o problema está no modo como a juventude é educada sobre esse perigo.
Como solução, ele propõe uma mudança na educação para o trânsito, para que esse público seja realmente atingido. “É preciso divulgar mensagens diferentes para atingir, de fato, os jovens. É preciso também repensar as ferramentas de comunicação”, afirmou.
“A chave está na interdisciplinaridade, no cruzamento de conhecimentos”, reforçou o consultor. Ele apresentou pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com jovens do ensino fundamental, médio e universitários. Os resultados mostram que a mensagem sobre os perigos no trânsito é melhor assimilada quando tratada junto com outros assuntos que também exigem conscientização.
A conclusão é de que os jovens formam hábitos de risco e não se preocupam com o próprio cuidado. Para Biavati, a junção dos temas em campanhas educativas poderá educar e prevenir problemas de saúde e de trânsito, ao mesmo tempo.
Um exemplo é abordar cinto de segurança, álcool, drogas e sexo, de uma só vez. Segundo as pesquisas, 30% dos jovens não usam camisinha, 25% já fumaram, 70% consomem álcool, 80% voltam da balada com alguém que bebeu e 26% não usam cinto de segurança – todos esses hábitos considerados nocivos à saúde e ao bem-estar no trânsito.
“As campanhas de prevenção e educação para o trânsito são fundamentais para combater os problemas. Muitas cidades se espelham nas campanhas de Campinas”, relembrou a consultora Cheila.
Acidentes podem ser prevenidos
Cheila Lima também apresentou aos participantes do Seminário o Plano de Ação de Prevenção no Trânsito – 2011 a 2020, do Ministério da Saúde. No Brasil, a meta na década é estabilizar e reduzir a morte por acidentes de trânsito. A consultora enfatizou que todos os acidentes são possíveis de se prevenir. Por isso, nenhum deles tem que acontecer.
Os principais problemas enfrentados no trânsito são a combinação de álcool e direção, a alta velocidade, a falta de uso do cinto de segurança, do capacete e da cadeirinha para crianças, todos dependentes da conscientização das pessoas.
Cheila concluiu que os problemas de trânsito e saúde são os mesmos em todo o país, mas cada cidade deve aplicar resoluções de acordo com a sua estrutura. “Não dá para investir em ações no trânsito sem conhecer a realidade local. Campinas está desenvolvendo um ótimo trabalho de educação, por meio da EMDEC”, afirmou.




