Mais de 200 pessoas das áreas do trânsito, transporte, cultura, educação, representantes da sociedade, entre eles idosos, pessoas com deficiência, universitários, consultores, acompanharam, nesta terça, dia 30 de março, os debates do Seminário Educação para o Trânsito e Mobilidade Urbana, no Centro de Convenções da Universidade de Campinas (Unicamp).
O evento, organizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas – EMDEC, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Unicamp, atraiu público de mais de 30 cidades interessado na discussão da Educação de Trânsito e suas interfaces com outras áreas.
O Seminário foi iniciado num clima de comemoração, uma vez que a EMDEC acabou de divulgar dados de acidentalidade que comprovam a redução da violência no trânsito em Campinas, com queda nas mortes, no total de acidentes, nos atropelamentos e com motociclistas.
Segundo o secretário Municipal de Transportes, Gerson Luis Bittencourt, não só a EMDEC, mas também a cidade tem muito a comemorar.
“Registramos, em 2009, o menor índice de mortes por 10 mil veículos desde 1995 – números que só foram alcançados em 2005, quando Campinas contabilizou 1,68 mortes para cada grupo de 10 mil veículos;” destacou.

Bittencourt ressaltou que as mortes no trânsito caíram mais de 16% no ano de 2009, no comparativo com 2008. “Mas, se observados os dados de 2005, essa redução foi mais drástica. Em 2005, o trânsito de Campinas registrou 181 mortes; e, em 2009, 115 vítimas fatais” informou o secretário.
Ele, ainda, frisou que, em 2005, a frota da cidade era praticamente a metade da atual. “Podemos comemorar, pois quase duas vidas foram poupadas por mês no ano passado”.
Bittencourt, também, lembrou o crescimento da frota de motos, argumentando que a cada 10 motos vendidas, quatro são para mulheres. Ele deduz que esse fato pode ter influenciado na redução da violência, uma vez que as mulheres são mais cuidadosas no trânsito; e, que em qualquer lugar do país, os homens respondem pela grande maioria das mortes e acidentes. “Talvez esse fato deve ser levado em conta na queda dos números.”
No geral, os bons resultados do balanço de acidentes devem ser atribuídos a uma combinação de fatores, defende Bittencourt.
“A redução da violência é resultado das ações de fiscalização, sinalização, dos investimentos no transporte público e do trabalho de educação, com a campanha “Preferência pela Vida”, que articula, coordena, conceitua e permeia os projetos da EMDEC. Em 2005, trabalhamos com todos os públicos, mas a EMDEC tem focado suas iniciativas nas faixas de risco.”
Bittencourt defende que não dá para atuar na generalidade. “A EMDEC busca adotar linguagem e conteúdos voltados para cada segmento. “Se não fosse assim não teríamos tantos êxitos. Nosso trabalho de educação tem a marca da ousadia e da criatividade”, elogiou.
O secretário Municipal de Saúde, José Francisco Kerr Saraiva, reforçou a informação da participação masculina nas mortes por causas externas (mortes violentas como as de trânsito, por exemplo) no município.
“A redução das mortes no trânsito é resultado de um conjunto de ações, entre elas, destaco o trabalho da EMDEC”. Nós temos que comemorar, porque poupar 23 vidas, em um ano, não é pouco. Mas para diminuir, ainda mais, esses números, precisamos de uma ampla frente de trabalho, com todas as áreas”, argumentou.
O secretário de Saúde defendeu que a realização do Seminário é importantíssima. “Nós estamos discutindo hoje, aqui, a esperança de vida ao nascer. Para os homens, em Campinas, ela não passa dos 72 anos; enquanto as mulheres têm expectativa maior, de 78 anos.
O secretário de Educação, José Tadeu Jorge, afirmou que o tema Educação e Mobilidade é um tema multidisciplinar e não pode ser visto ou discutido de forma fragmentada.
“Temos neste seminário as universidades, o Legislativo, profissionais de diversas áreas; pois é preciso reunir todos para tratar essa questão e encontrar os melhores caminhos para Campinas”, comentou.
Para o representante da Câmara Municipal, vereador Josias Lech (PT), “a importância do seminário está na preocupação em discutir a cidade que cresce, se transforma e precisa enfrentar os desafios do transporte, do trânsito, da Educação para a Mobilidade. Todos aspectos que salvam vidas.”
O vereador lembrou que, nesta quarta, a Câmara Municipal votará um Projeto de Lei, em segunda votação, que trata a inclusão do tema, de forma mais integrada nas escolas.
“A Educação não tem sentido se voltada apenas para a lógica do mercado e para a capacitação profissional. É preciso pensar na educação anterior, naquela que acontece em casa, que forma cidadãos.”




