Um cenário diferente tomou conta da movimentada Rua Lidgerwood, em frente à Estação Cultura, nesta terça-feira, dia 22 de setembro. Bem no meio da via, que recebe em média 14 mil veículos por dia, pedaços de madeira foram dispostos no chão. Eles representavam os obstáculos que, cotidianamente, fazem parte da rotina no trânsito das grandes cidades. Carros, ônibus, caminhões, motocicletas, pedestres… Todos disputando o mesmo espaço. E, em muitas vezes, de maneira desordenada, sem respeito às regras estabelecidas. Na via fechada ao tráfego, um percurso de 20 metros foi criado. E o desafio lançado: percorrê-lo em cima de tamancos de madeira em formato de setas, representando as quatro direções (frente, atrás, direita e esquerda). Cerca de 400 alunos de escolas dos ensinos fundamental e médio de Campinas, que participam do Programa da Educação para Mobilidade da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) aceitaram a missão, que faz parte das atividades da Jornada Internacional “Na cidade sem meu carro”, dentro da Semana Municipal de Trânsito. Depois de percorrer o trajeto sem derrubar nenhum obstáculo, Jhonni Gomes, de 14 anos, aluno do 1º ano do ensino médio da E.E. “Orosimbo Maia” aprovou a atividade. “É bem legal, como se eu fosse um carro, tendo que respeitar a sinalização”. Para Deyse Sabrina, de 16 anos, estudante na mesma classe que Jhonni, o percurso foi difícil. “Tem que prestar atenção, não é fácil. Mas a idéia é bem interessante”, comenta. “É complicado! Não pode provocar congestionamento. Bem diferente e legal”, completa Thaís Romão, de 15 anos, também estudante na mesma escola. Já para Mateus Vinícius, de 10 anos, aluno da 4ª série da escola E.E. “Hugo Penteado Teixeira”, o passeio foi interessante. “Da hora! Foi fácil!”, se orgulha. Thaís Alves, de 10 anos, estudante na mesma classe acredita que nas ruas há muitos carros. “É melhor tirar os carros da rua e deixar as pessoas”. E Luis Felipe, 10 anos, completa: “os carros poluem muito a cidade, fazem muita sujeira”. Surpresa agradável para os pedestres Mesmo com a fina garoa que insistiu em cair durante todo o dia, a massagista Silvia Katauchi, de 60 anos, passou pelo local e resolveu fazer o percurso com os tamancos. “É um exercício difícil, mas muito interessante”, definiu. Ela sempre andou de bicicleta, mas agora, por causa da idade, tem medo de cair e se machucar: “motorista não respeita pedestre e pedestre não respeita motorista”. A pequena Rebeca Ortiz, de 6 anos, também quis experimentar o passeio. “Gostei! Tenho medo de atravessar a rua por causa dos carros”. A mãe dela, Danieli Ortiz, acompanhou a filha no percurso e também aprovou a iniciativa “é muito bom para a conscientização, uma maneira de fazer as pessoas pensarem”. Arte como forma de educar A intervenção artística “SETAMANCO” foi idealizada pela artista plástica Lia Chaia. Ela confeccionou 60 pares de tamancos em madeira no formato de setas, nos tamanhos pequeno, médio e grande. O objetivo do trabalho é fazer com que as pessoas tenham uma nova experiência ao andar pelas ruas, pensando em maneiras alternativas para diminuir o número de carros e, dessa forma, amenizar os efeitos danosos da poluição ao meio ambiente. Com vários trabalhos apresentados no Brasil e, também, exterior, está é a primeira vez que a artista plástica realiza a “SETAMANCO”. “Estou me divertindo muito. É bom ver o riso e a descontração das pessoas. Show!”, disse a artista plástica. A professora Elisângela Aparecida de Lima, que acompanhou os alunos da escola “Hugo Penteado Teixeira”, fez uma avaliação positiva do trabalho, principalmente pelo fato de trabalhar com crianças e adolescentes. “Conscientizando as crianças, teremos adultos melhores”, salienta. Teatro para a conscientização A garotada que compareceu às atividades da Jornada também pôde conferir uma série de apresentações teatrais, coordenadas pela Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), dentro de seu programa “Escolas nas garagens”. As apresentações contaram com a atuação do próprio público, que se vestiu com as fantasias de alguns dos personagens e pôde conferir mensagens educativas importantes, como a importância do respeito e da educação nas atividades cotidianas, e também no uso do transporte público. “Achei a peça muito engraçada. Também foi bom porque poderei ensinar tudo o que aprendi aos meus irmão”, disse Letícia Pereira de Souza, 10 anos, que tem outros quatro irmãos e é aluna da quarta série do ensino fundamental da E..E. “Hugo Penteado Teixeira”, no Parque da Floresta. Iniciativa com cuidado ecológico Durante a atividade na Rua Lidgerwood, foram distribuídas 200 mudas de árvores, como forma de compensar os impactos provocados ao meio ambiente. Quantidade quase 7 vezes superior ao cálculo estabelecido dentro da Lei de Compensação de Carbono – que considera o consumo de energia, emissão de poluentes dos carros envolvidos nos eventos, quantidade de lixo, entre outros itens – que deveria ser de 30 mudas. Também 5 mil adesivos e mil folhetos explicativos foram distribuídos para quem passou pelo local. A atividade contou com a participação de cerca de 40 colaboradores da EMDEC. Com o fechamento da Rua Lidgerwood, em frente à Estação Cultura, a EMDEC montou um esquema especial para o trânsito. Os motoristas seguiram pelas avenidas Andrade Neves, Campos Salles, Senador Saraiva (pista externa), Rua Dr. Costa Aguiar e Avenida dos Expedicionários, no sentido do Viaduto Dr. Miguel Vicente Cury. Não foram registrados pontos de lentidão no local, durante a realização do evento. Márcio Souza

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



