A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) acaba de concluir o balanço de acidentes de trânsito registrados no primeiro semestre de 2009 e os dados são animadores.
Os principais índices de acidentalidade caíram, com destaque para a significativa redução de 21,1% no número de vítimas fatais: foram 60 mortes nos primeiros seis meses de 2009 e 76 no mesmo período do ano anterior. "Comemoramos a vitória da vida com estes dados.
É muito bom, especialmente às vésperas do Natal, divulgar dados tão positivos quanto esses", disse o prefeito Dr. Hélio de Oliveira Santos. O balanço também apontou redução de 25% na mortalidade por 10 mil veículos, índice utilizado em todo o mundo para análise da violência no trânsito.
No primeiro semestre de 2008, Campinas registrou 1,20 mortes para cada grupo de 10 mil veículos. Já no primeiro semestre deste ano, o índice caiu para 0,90 mortes por 10 mil veículos. Já a redução do número total de acidentes foi de 8,1%, com queda das ocorrências de 9699 no primeiro semestre de 2008 para 8912 de janeiro a junho deste ano.
Outro bom resultado diz respeito à segurança do pedestre. O número de atropelamentos apresentou queda considerável de 15,9%: foram 375 ocorrências neste ano e 446 em 2008. As ocorrências com feridos caíram de 1999 para 1781 (redução de 10,9%) e os acidentes sem vítimas tiveram redução um pouco menor, de 6,9%: foram 7254 ocorrências em 2008 e 6756 no primeiro semestre deste ano.
Na avaliação da EMDEC, os dados registrados no balanço de acidentes do primeiro semestre de 2009 são resultado de um trabalho a médio e longo prazos iniciado em 2005, com o lançamento da campanha "Preferência pela Vida", que começa a refletir de forma mais significativa na preservação de vidas a partir deste ano. "Desde 2005, a EMDEC desenvolve uma série de ações de educação com os mais diversos segmentos sociais, numa grande mobilização em defesa da vida.
Com estas ações, somadas ao trabalho de nossa equipe de operação na rua, começamos a colher os bons resultados. Sem dúvida, é uma conquista para Campinas e trabalhamos para que estes dados sejam ainda menores nos próximos balanços", disse o secretário de Transportes, Gerson Luis Bittencourt.
Campanha "Preferência pela Vida"
A campanha "Preferência pela Vida" foi lançada em setembro de 2005, a partir da constatação do crescimento da violência no trânsito de Campinas e visa, a partir de ações pontuais e permanentes, mobilizar a sociedade na construção de um ambiente mais seguro e harmonioso nos deslocamentos de pedestres, motoristas, motociclistas e ciclistas.
Entre as ações desenvolvidas desde então, destacam-se o programa permanente "A gente aprende, agente ensina", que leva agentes da mobilidade urbana à sala de aula para apresentar aos alunos um pouco de sua rotina de trabalho, além de dicas para uma circulação segura. Lançado em 2007, o programa já visitou 92 escolas da cidade, atendendo um total de 55 mil alunos.
Já o programa "Educação para Mobilidade" atende anualmente 100 escolas das redes municipal, estadual e particular de ensino, atingindo cerca de 40 mil alunos por ano. A EMDEC também desenvolve um trabalho permanente com os idosos, cujas ações já foram premiadas pelo Banco Real em seu programa "Talentos da Maturidade". Outro público beneficiado com as ações de educação a partir de 2009 foi o universitário, que pôde participar do ciclo de debates "Conversas sobre a Mobilidade Urbana".
Sete edições do ciclo foram realizadas neste ano, aproximando o debate sobre a mobilidade do público da Unicamp, PUC-Campinas, Facamp e Metrocamp. Outra ação nas ruas desde 2008 é a instalação urbana "Evite Riscos. Não entre nessa", que consiste na simulação de um acidente envolvendo carros e motos, com histórias fictícias de vidas perdidas para a violência no trânsito relatadas nos capôs dos veículos.
Uma ação impactante, que desperta a atenção da população para a questão da violência no trânsito. A instalação é levada aos pontos com altos índices de acidentalidade e também aos campi universitários. Neste ano, as ações da campanha "Preferência pela Vida" também chegaram aos participantes do Jovem.com, programa municipal de inclusão digital, coordenado pela Secretaria de Cidadania, Assistência e Inclusão Social.
O trabalho foi realizado com 400 adolescentes e jovens (faixa etária que está entre aquelas de maior risco de mortalidade no trânsito), que discutiram as questões da mobilidade e segurança no trânsito. As ações de educação também envolveram a comunidade católica a partir de uma parceria entre a EMDEC e a equipe Arquidiocesana da Campanha de Fraternidade da Igreja Católica, que mobilizou as paróquias com o objetivo de trabalhar a temática da violência no trânsito e incluí-la nas atividades da Campanha da Fraternidade 2009.
Neste trabalho, os representantes de cada paróquia receberam um kit com o mapa de acidentalidade do entorno das igrejas, uma apresentação sobre os acidentes e os adesivos da ação, com o pedido de "Paz no Trânsito". Vale destacar ainda as ações pontuais de conscientização para os riscos da mistura entre álcool e direção, realizadas durante o Carnaval, nas visitas ao circuito de bares da cidade e no incentivo ao uso dos táxis.
Ações de operação
Além das ações de educação para mobilidade, destacam-se iniciativas que contribuíram para qualificar a atuação dos agentes da mobilidade urbana nas ruas, como a definição de pontos fixos para sua atuação em locais com grande fluxo de motoristas e pedestres e também de desrespeito à legislação.
Outra iniciativa importante foi a criação do "Agente da Mobilidade Urbana Ciclista", que garante mais agilidade no atendimento dos agentes para as ocorrências registradas na região central, a partir do uso de bicicletas.
Motociclistas ainda preocupam
Apesar dos bons resultados obtidos no balanço do primeiro semestre deste ano, reduzir as ocorrências com os motociclistas continua sendo um dos grandes desafios para o Poder Público. Das 60 vítimas fatais no trânsito campineiro nos primeiros seis meses de 2009, 30 eram motociclistas ou seus caronas, ou seja, 50% do total.
É a primeira vez desde 1995, quando este tipo de estudo passou a ser feito pela EMDEC, que a proporção de motociclistas mortos atinge percentual tão alto. Já os ocupantes de outros veículos representaram 21,7% do total de mortos (13 vítimas) e os pedestres, 28,3% do total (17 vítimas).
No ano passado, a elevada participação dos motociclistas nas ocorrências mais graves já havia despertado a atenção do Poder Público. Das 138 vítimas fatais em 2008, foram 68 ocupantes de motocicletas e outras 17 vítimas atropeladas por motocicletas. Ou seja, as motocicletas estiveram envolvidas em 62% das ocorrências fatais. Um dado preocupante porque as motocicletas representam apenas 14,2% da frota local (92.108 motocicletas).
Assim como os motociclistas, os jovens continuam sendo outro grupo exposto à violência no trânsito: 43,3% dos mortos (26) tinham entre 18 e 35 anos. O dado é ainda mais expressivo quando analisados apenas os ocupantes de veículos mortos: 58,1% do total estavam na faixa etária entre 18 e 35 anos.
Além dos jovens, os homens continuam sendo as principais vítimas da violência no trânsito. Das 60 vítimas fatais registradas no primeiro semestre de 2009, 51 mortos eram do sexo masculino, o correspondente a 85% do total. O dado é semelhante ao do ano passado, quando 87% das vítimas eram do sexo masculino e 13%, do sexo feminino.
Caem ocorrências associadas ao álcool
Já o exame de alcoolemia feito pelo Instituto Médico Legal (IML) em 34 das 60 vítimas fatais do primeiro semestre aponta redução das ocorrências associadas ao álcool. Os dados apontam que nove das 34 vítimas submetidas ao exame (26,4% do total) apresentaram dosagem alcoólica igual ou superior a 0,6 grama de álcool por litro de sangue, ou seja, cometiam um crime de trânsito.
Em 2008, 42% das vítimas tinham dosagem alcoólica acima do permitido pela Lei. A EMDEC ressalta, no entanto, que o teste de alcoolemia foi feito apenas com as vítimas fatais e não leva em consideração os motoristas que estavam alcoolizados e provocaram a morte de inocentes.
Para tentar minimizar o problema da violência no trânsito, em outubro deste ano a Prefeitura lançou uma campanha municipal de combate à violência no trânsito, com ações voltadas ao tripé formado por jovens, abuso do álcool e motocicletas.
O mote da campanha é "Estatísticas se cruzam. Motoristas alcoolizados também. Nunca dirija depois de beber" e as mídias utilizadas são televisão, outdoor, jornais, frontlight, além de ações presenciais nos bares.
Também já foi encaminhado à Câmara de Vereadores o projeto de lei do Executivo para regulamentação da profissão de motofretista, visando ampliar as condições de segurança para que a categoria possa exercer a profissão.
Circulação mais segura
E o trabalho da Prefeitura para ampliar a segurança no trânsito de Campinas não para. No segundo semestre deste ano, cinco estações de transferência do Sistema InterCamp já foram entregues (Amarais, Anchieta, Expedicionários, Moraes Salles e Senador Saraiva), garantindo mais conforto, agilidade e, sobretudo, segurança ao usuário do transporte coletivo. A EMDEC também iniciou em outubro a implantação de semáforos especiais a LED destinados à travessia de pedestres em cruzamentos com grande fluxo de veículos e pedestres ou com alto índice de atropelamentos.
Os equipamentos possuem temporizadores regressivos que indicam ao pedestre o tempo exato para realizar a travessia, com segurança. Também já foram iniciadas as obras de revitalização do Corredor da João Jorge, que deverão estar concluídas no primeiro bimestre de 2010, ampliando a segurança do usuário do transporte coletivo no local.
Além disso, a EMDEC tem intensificado as ações educativas em alguns dos cruzamentos mais movimentados da cidade, levando equipes de educação, operação e até mesmo das áreas administrativas às ruas para o trabalho de conscientização e orientação da população. "Não podemos, nem iremos nos acomodar com este resultado. No universo do trânsito e do transporte, o amanhã tem que ser sempre melhor. Por isso, vamos continuar trabalhando para a redução da violência no trânsito", concluiu Bittencourt.
Stephan Campineiro




