A discussão da Mobilidade Urbana com viés na acessibilidade universal e os vários tipos de violências com as quais nos deparamos cotidianamente. Estes foram os temas enfocados na tarde desta quinta-feira, 26 de novembro, no Auditório da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Campinas “Cesar Lattes”. O debate encerrou, neste ano, o Ciclo de “Conversas sobre a Mobilidade Urbana”, realizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC). A docente da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Cássia Sofiato, abriu o encontro apresentando vários exemplos que caracterizam dificuldades ao acesso de espaços urbanos enfrentados diariamente pelas pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida. Para a educadora, é “importante garantir a acessibilidade para todas as pessoas e ter compreensão da necessidade de se compartilhar melhor os espaços”. Ela completa afirmando o papel importante que políticas públicas concretas voltadas para a acessibilidade exercem sobre a sociedade, buscando sempre “a conscientização sobre o direito de ir e vir de cada um, reflexão e formação”. Violências Na sequência, a educadora Ângela Soligo, da Faculdade de Educação da Unicamp, dissertou sobre as relações humanas e as violências urbanas. Soligo detalhou os vários tipos de violência (urbana, social, doméstica, policial, de trânsito, nos estádios, etc). Mas deu ênfase a um tipo de violência não visível, que classificou de simbólica. “É aquela que violenta a identidade do indivíduo e está nas mídias – propagandas, novelas, internet -; e nas escolas – material didático, relações professor e aluno e aluno e aluno”, explicou. A docente da Unicamp questiona “que conhecimentos estamos construindo, na família, nas escolas?…”. Para ela, aceitar e respeitar significa ter a diferença como princípio e olhar o outro sem preconceito. “Devemos educar para o respeito. E educação no trânsito implica não somente no aprendizado das regras, mas sim no aprendizado do respeito mútuo”, concluiu. Depoimentos Maria Luiza Paiolla, 74 anos, já foi funcionária pública estadual e federal. Agora aposentada, atua como multiplicadora na terceira idade. Para ela, encontros como o desta quinta-feira são “muito bons, porque levantam questões vividas no dia-a-dia e que, em muitas vezes, passam despercebidas”. A supervisora educacional Maria do Carmo, 42, compartilha da mesma opinião. “Muitas vezes não prestamos atenção em situações que parecem ‘pequenos detalhes’ e os encontros proporcionam um olhar diferenciado sobre várias questões”. Maria Adélia, 40, coordenadora pedagógica afirma que as conversas são uma oportunidade de socialização do trabalho da EMDEC, interligando temas e levantando questionamentos “que podem ser úteis no momento da implantação de ações no trânsito e transporte”. A professora de Língua Portuguesa da rede estadual Kátia Martins, 57, sempre leva as discussões para os alunos de 5ª e 6ª séries. “Trabalho os temas em sala de aula e os encontros ajudam na formação e multiplicação de conhecimentos”, afirma. Ciclos de Conversas Neste ano, a EMDEC iniciou o ciclo “Conversas sobre Mobilidade Urbana”, um espaço de debate sobre a mobilidade no município, reunindo vários setores e segmentos sociais. Foram realizados sete encontros. Para Roberta Mantovani, gerente de Desenvolvimento e Educação da empresa, este trabalho pretende “trazer mais qualidade de vida para a população e gerar uma discussão sobre uma melhor utilização dos espaços. E discutir acessibilidade e violência no trânsito são temas fundamentais para alcançar o objetivo”. Com a iniciativa, foi possível estabelecer parcerias com universidades, como Unicamp, PUC-Campinas, Facamp e Metrocamp, aproximando a discussão com o meio acadêmico e a sociedade. Mantovani revela que “agora já estamos pensando nas ações para o próximo ano”. Márcio Souza

10/06/2026/
Com o objetivo de aumentar a segurança viária e melhorar as condições de fluidez no trânsito, a Secretaria de Transportes...



