Se a cada dez moradores de Campinas, onze sonham com uma nova Rodoviária, agora, todos podem comemorar. Esse desejo, que acompanha gerações, está muito próximo de se tornar realidade. E vai acontecer nos próximos dois anos. A informação foi confirmada durante a apresentação do Novo Terminal Rodoviário, nesta quinta-feira, na Estação Cultura. A expectativa agora é de que a Setransp inicie o processo com a convocação de audiência pública nos próximos dias; e que a nova Rodoviária seja entregue à cidade em 2008. De acordo com a Secretaria de Transportes, o projeto saiu do papel. A Prefeitura conseguiu a concessão da área – localizada no Complexo Ferroviário, próximo à Estação Cultura – num longo processo que envolveu um encontro de contas entre a Rede Ferroviária e o Município. O projeto básico do Terminal Rodoviário, que estrutura todo o complexo multimodal (incluirá os transportes rodoviário, urbano, metropolitano, e futuramente, o ferroviário, e até um heliponto) também passou por grande reformulação, e agora foi concluído. O novo Terminal Rodoviário O novo Terminal Rodoviário adota conceito arquitetônico, com características muito próximas a de um Aeroporto. De acordo com o novo projeto, o estacionamento, antes previsto para a cobertura do prédio, foi transferido para o terreno ao lado da nova Rodoviária. Essa alteração, além de reduzir custos da obra na ordem aproximada de R$ 7 milhões, influenciou a concepção do projeto arquitetônico, que ganhou em modernidade e visual arrojado. Mas não foi só. A mudança garantiu o aumento das áreas de circulação interna dentro do prédio, mais espaço para a instalação de serviços comerciais e a possibilidade de adoção de quatro áreas VIPs. A nova Rodoviária, instalada no Complexo Ferroviário, também respeita o patrimônio cultural e arquitetônico, com a recuperação de edifício tombado pelo Condepacc e a preservação de algumas casas e galpões já existentes na área. Esses prédios históricos deverão receber empresas de serviços, lanchonetes, revistaria e lojas com apelo popular. Vale destacar que na área interna do novo Terminal Rodoviário já estão garantidos espaços para livraria, revistaria, farmácia, lojas de presentes, restaurante e praça de alimentação, além de serviços básicos como maleiros, áreas de espera, enfermaria, sanitários, área para banhos, serviços de segurança etc. Vantagens da localização A escolha da área da nova Rodoviária levou em consideração um conjunto de itens que pudessem refletir o impacto do empreendimento para a revitalização do espaço que receberia o Terminal: a circulação, envolvendo os desejos de viagens urbanos, metropolitanos e rodoviários e, a longo prazo, ferroviário; o tráfego de veículos e de ônibus nas vias do entorno; a preservação do patrimônio histórico; a interferência do empreendimento nos meios urbanos e ambiente; e a relação com a vizinhança (o impacto para as construções vizinhas). Após esta análise é que o Complexo Ferroviário Central (antigo pátio da Fepasa) foi eleito entre 20 áreas possíveis, com as mais importantes vantagens, para abrigar o empreendimento. A área do Complexo é um terreno triangular que tem como limites de um lado a Rua Dr. Pereira Lima, a Avenida Lix da Cunha e a linha ferroviária. A área disponível conta com aproximadamente 70 mil m2 para receber todos os modais de transporte (transporte rodoviário, urbano, metropolitano e ferroviário). O novo Terminal Rodoviário terá cerca de 33,6 mil m2 de área construída (incluindo o prédio da Rodoviária (23 mil m2), estacionamentos (8mil m2) e prédios históricos (2,6 mil m2). Já o terminal urbano-metropolitano contará com cerca de 9 mil m2 de área construída. O novo prédio será totalmente acessível, atendendo Legislação Federal e normas da ABNT, bem como os acessos para veículos serão segregados, de forma exclusiva para cada modal. Além de responder às exigências de qualidade operacional, localização, contar com um edifício adequado para atendimento dos usuários do transporte rodoviário, o novo Terminal representará um marco para cidade – pois simboliza o “portão de entrada” para seus visitantes. O novo Terminal terá ainda um importante papel para o resgate de uma região (que envolve o Centro expandido e Vila Industrial), que ao longo dos últimos anos sofreu um grande processo de degradação urbana e que agora será revitalizada com o empreendimento. E o mais destacável é que a nova Rodoviária está intrinsecamente ligada à construção de um projeto de identidade para a cidade. Campinas, município de grandes investimentos, de pólos tecnológicos, de universidades de ponta, não mais podia esperar por um projeto como este. Ana Carolina Bertho Denise Pereira




