Uma paralisação de motoristas de ônibus urbanos gerou aproximadamente 5,6 km de lentidão na manhã desta quarta-feira, dia 31 de outubro, causando transtornos a cerca de 20 mil usuários do transporte e aos motoristas de veículos particulares que tentaram acessar a região central. A manifestação teve início por volta das 8h20, com o bloqueio dos acessos à Av. João Jorge, a partir do Viaduto Miguel Vicente Cury e da Av. Prestes Maia. De acordo com os manifestantes, o motivo do protesto foram as más condições de trabalho e o suposto excesso de multas aplicadas aos veículos do transporte coletivo, especialmente na Av. John Boyd Dunlop. O secretário interino de Transportes, Sergio Torrecillas, foi informado sobre a manifestação na noite da última terça-feira, dia 30. Sérgio afirmou ter entrado em contato imediatamente com o sindicato da categoria e agendou uma reunião para discutir o caso. No entanto, apesar da disponibilidade em receber a categoria, o sindicato optou pela manutenção do movimento. Reclamações A respeito das condições de trabalho, os manifestantes afirmaram que os motoristas não podem descer dos veículos quando as linhas chegam ao Terminal Central, ficando impedidos de usar o banheiro. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) esclarece que a única exigência a esse respeito é que os operadores permitam o embarque dos usuários nos ônibus, garantindo que os mesmos esperem pelo horário de partida de sua viagem dentro dos veículos e não em pé, em filas. Portanto, é possível que motoristas e cobradores saiam dos veículos nesses intervalos, desde que haja um revezamento entre os operadores. Os manifestantes também reclamaram especificamente sobre um ponto de radar localizado na Av. John Boyd Dunlop, próximo à ponte do antigo sistema do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Eles afirmaram que o radar está com problemas e, portanto, multando indevidamente. A EMDEC explicou que a aferição dos radares é feita anualmente pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e que a aferição desse ponto foi realizada em fevereiro deste ano. “Em setembro, recebemos a reclamação dos operadores de que o radar estava com problemas. Nós fizemos uma série de testes nos dias 26 e 27 de setembro e verificamos que não há nada de errado”, afirmou o diretor de Operações da EMDEC, Atílio André Pereira. O diretor reiterou que o limite de velocidade no local é de 60 km/h e que há uma tolerância, prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), de 7km/h, com o objetivo de impedir que qualquer motorista seja punido indevidamente em caso de falha no equipamento (radar) ou no velocímetro do veículo. Esse ponto de radar está em funcionamento desde 8 de maio de 1997 e não há registros de problemas com a aferição. A EMDEC ainda ressalta que, de 1º de julho a 18 de outubro deste ano, as empresas Campibus e Itajaí realizaram 69.160 viagens (35.490 da Campibus e 33.670 da Itajaí) por sentido na Av. John Boyd Dunlop e receberam um total de 64 multas por excesso de velocidade no ponto de radar reclamado, ou seja, menos de 0,1% das viagens no local resultaram em autuação por excesso de velocidade. Neste caso, cabe destacar que a Campibus teve 55 autuações por excesso de velocidade no local, enquanto a Itajaí recebeu nove autuações no mesmo período, embora ambas façam número de viagens semelhante no local. Portanto, se o radar apresentasse qualquer problema, as duas empresas deveriam ter recebido número semelhante de autuações. Além disso, desde 1º de janeiro de 2007, os veículos das duas empresas receberam 288 autuações de trânsito em toda a cidade, sendo 203 (70%) apenas na Av. John Boyd Dunlop, dado preocupante que contribui para que a avenida seja a via que registra o maior número de acidentes em toda a cidade. Somente no primeiro semestre de 2007, foram 500 acidentes na JBD, sendo que em 81 deles houve o envolvimento de ônibus. Prejuízos à população A manifestação ocasionou transtornos à população, que ficou presa no trânsito e não conseguiu chegar ao seu destino. O protesto teve início por volta de 8h20 e os primeiros pontos de lentidão foram registrados na Av. Prestes Maia e Av. Senador Saraiva, às 8h30. As demais vias apresentaram lentidão a partir das 9 horas. Os participantes se concentraram principalmente na Rua Sales de Oliveira, Av. das Amoreiras, Av. João Jorge e Av. Prestes Maia. De acordo com os registros da EMDEC, 120 veículos ficaram paralisados, prejudicando aproximadamente 20 mil usuários do transporte coletivo. Os passageiros mais prejudicados foram os provenientes das regiões do Campo Grande, Amoreiras e bairros próximos à Rodovia Santos Dumont. A liberação dos bloqueios só foi feita às 11h12. Por volta de 11h30, o fluxo foi normalizado em toda a região central. Confira, abaixo, os principais pontos de lentidão: 1- R. José Paulino, entre Av. Aquidabã e Av. Dr. Moraes Salles – 400 metros 2- Av. Orosimbo Maia, entre R. Rafael Sampaio e Av. Brasil – 400 metros 3- Av. Dr. Moraes Salles (pista externa), entre Viaduto Miguel Vicente Cury e Av. Francisco Glicério – 500 metros 4- Av. Benjamin Constant, entre Av. Senador Saraiva e Av. Andrade Neves – 350 metros 5- Av. Senador Saraiva, entre Av. Benjamin Constant e Viaduto Miguel Vicente Cury – 500 metros 6- Av. Francisco Glicério, entre Av. Dr. Moraes Salles e Av. Aquidabã – 400 metros 7 – Av. Sales de Oliveira, entre R. Amador Bueno e Av. João Jorge – 800 metros 8 – Av. Prestes Maia, entre trevo da Rodovia Anhanguera e Av. das Amoreiras – 2.300 metros Ana Carolina Bertho




