As idéias, ações e propostas sobre moto-táxi e moto-frete motivaram as apresentações e debates segundo dia da 60ª reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Transportes e Trânsito. Para as apresentações do dia 2 de junho, foram convidados representantes de três cidades que regulamentaram o serviço de moto-táxi. Daniel Lustosa, diretor técnico da Empresa de Trânsito e Transporte Urbano S. A. (Ettusa) de Fortaleza, apontou aspectos positivos e negativos desse tipo de serviço. Ele destacou algumas exigências para os prestadores de serviços, como a padronização das motos na cor amarela, alças laterais para os passageiros, disponibilidade de capacetes para ambos e seguro de vida para o passageiro, entre outras. De acordo com Lustosa, Fortaleza possui mais de duas mil permissões ativas. No momento, a Ettusa possui algumas propostas para melhorar a qualidade do serviço, como a readequação dos pontos de parada e a padronização visual de capacetes e coletes. Paulo Afonso Sanches, Superintendente de Trânsito e Transportes de Goiânia, também citou aspectos positivos da regulamentação do moto-táxi na cidade, entre eles, rigor do processo licitatório, seguro de vida para os passageiros e redução dos índices de acidentes. Atualmente, Goiânia possui 1.218 moto-taxistas e uma das metas da administração é abrir um processo licitatório para ampliar o número de permissões para 1.500. Pontos negativos O terceiro palestrante, Waldomiro Fantini Jr., Diretor de Transportes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) Bauru, apresentou mais aspectos negativos do que positivos na legalização do moto-táxi e afirmou que pretende retroceder à decisão de regulamentar a profissão. Para ele, o maior prejuízo trazido por este tipo de serviço foi o aumento da prática de atividades ilícitas, como o tráfico. ” Muitos transportam ‘aviões’, que são as pessoas que entregam a droga”, apontou o diretor. A dificuldade de fiscalização foi mencionada por todos os palestrantes. O Diretor do Departamento de Transportes Públicos (DTP) de São Paulo, Paulo Lourenço, observou que na cidade, onde o moto-frete é regulamentado, existem aproximadamente 180 mil moto-fretistas, dos quais apenas 14 mil são cadastrados. “O serviço de moto-frete é essencial para São Paulo, mas infelizmente é explorado pelo crime organizado para o transporte de drogas e armas. Para fiscalizar, é necessário contar com o apoio da Polícia Militar. O processo de regularização é lento, trabalhoso. Só conseguiremos regularizar todo o serviço dentro de dois anos”, previu ele. O debate acerca destes temas foi o que contou com mais participantes manifestando suas opiniões. Prós e contras foram apontados pelos secretários e dirigentes de transportes e trânsito. De acordo com Gerson Luis Bittencourt, secretário de Transportes de Campinas, o processo de regulamentação do serviço de moto-frete está em andamento na cidade. Com relação ao moto-táxi, ele afirmou que a questão deve ser discutida de maneira mais abrangente, levando em consideração os impactos na mobilidade, no transporte coletivo e para a saúde dos usuários. Ana Carolina Bertho




