Na comparação com 2005, acidentalidade por 10 mil veículos caiu de 330 para 304; acidentes por 100 mil habitantes passaram de 1.652 para 1.610 Campinas registrou queda de 1,3% no total de acidentes de trânsito em 2006, de acordo com balanço realizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), passando de17.274 ocorrências, em 2005, para 17.053, no ano passado. Outros índices positivos verificados no balanço foram a acidentalidade por 10 mil veículos e por 100 mil habitantes. Em 2005, foram registrados 330 acidentes por 10 mil veículos; em 2006, este número caiu para 304. Já a quantidade de acidentes por 100 mil habitantes caiu de 1.652, em 2005, para 1.610, em 2006. Para o secretário de Transportes, Gerson Luis Bittencourt, os índices são considerados satisfatórios. “Estamos colhendo os frutos de um trabalho que teve início em 2005, com o lançamento da campanha Preferência Pela Vida. Mas nós queremos mais. Enquanto houver pessoas morrendo no trânsito, a Secretaria de Transportes estará empenhada em aumentar a segurança da população”, afirma. A comparação dos índices de Campinas com capitais de mesmo porte populacional comprova a eficiência da política de segurança no trânsito adotada na cidade. De acordo com dados do Denatran, em 2005, Campinas registrou 2,1 mortes a cada 100 acidentes com vítimas. Em Goiânia (Goiás), foram 4,5 vítimas fatais; São Luís (Maranhão) contabilizou 7,7. No mesmo ano, o índice de mortalidade por 10 mil veículos registrados em Campinas foi de 1,7. Na capital maranhense, foram 6,8; em Goiânia, as vítimas fatais foram 8,8 para cada 10 mil veículos – aproximadamente cinco vezes mais do que em Campinas. O número de feridos por 10 mil veículos também demonstra que o trânsito de Campinas está entre os mais seguros do Brasil, considerando a população do município: em 2005, foram 98,6 feridos no trânsito a cada 10 mil veículos; em Goiânia, foram 407,7 pessoas. Mortes Embora o total de acidentes tenha diminuído, o número de vítimas de acidentes fatais passou de 88, em 2005, para 96, em 2006. A maior variação foi registrada entre os ocupantes de motocicletas: em 2005, foram 31 mortes; no ano passado, foram 36 – o que corresponde a 37,5% do total das vítimas fatais. Os ocupantes dos demais veículos totalizaram 27,1% das vítimas fatais (26 pessoas) e os pedestres, 35,4% (34 pessoas). A severidade dos acidentes envolvendo motocicletas é alta: do total de acidentes com este tipo de veículo, 70% fazem vítimas; entre os automóveis, este número cai para 15%. Vale destacar que enquanto a frota total do município aumentou 7,2%, passando de 523.416 para 561.116 veículos, somente o número de motocicletas cresceu 14,7%, passando de 60.861 para 69.809 motocicletas. De acordo com Bittencourt, a Resolução nº 219/2007 do Contran, que estabelece requisitos de segurança para o moto-frete, será ferramenta fundamental para reduzir a acidentalidade neste segmento, que atualmente reforça as estatísticas. “Nós estávamos preparando uma regulamentação para o município, mas a resolução federal terá praticamente a mesma função: estabelecer regras para ampliar a segurança dos motociclistas que prestam esse serviço”. A Resolução foi publicada em 11 de janeiro de 2007 e entrará em vigor em julho deste ano. Jovens são os que mais morrem no trânsito A classificação das vítimas fatais por faixa etária apresenta dados preocupantes para dois grupos: jovens entre 20 e 29 e idosos acima dos 75 anos. De acordo com o levantamento feito pela EMDEC, das 96 pessoas que morreram no trânsito em Campinas em 2006, 34% (ou seja, 33 pessoas) tinham entre 20 e 29 anos. Número que pode se justificar pelos excessos ao volante característicos da juventude e, em muitos casos, pela imperícia de motoristas recém-habilitados. Se no caso dos jovens, os ocupantes de veículos são maioria entre as vítimas fatais, entre os mais velhos as principais vítimas são os pedestres. O número de mortes de pedestres começa a crescer a partir dos 45 anos e atinge um pico na faixa que envolve as pessoas com 75 anos ou mais, cenário que se justifica pela redução de reflexos e dificuldade de locomoção na terceira idade. Em 2006, sete pessoas com 75 anos ou mais morreram no trânsito, sendo seis pedestres. “A EMDEC tem desenvolvido uma série de atividades educativas voltadas justamente para estes dois grupos, visando ampliar a qualidade da circulação destas pessoas. O trabalho com a Terceira Idade já é uma realidade e reconhecido nacionalmente. Além disso, nos próximos meses lançaremos uma campanha de conscientização dos jovens sobre os riscos gerados pelos excessos e a imprudência ao volante”, disse Bittencourt. Aumento da frota contrasta com queda da acidentalidade nos últimos 12 anos A comparação dos dados de 2006 com os de 1995 mostram resultados altamente positivos no combate à violência no trânsito em Campinas. Nos últimos 12 anos, embora a frota total da cidade tenha aumentado 59%, passando de 352.000 para 561.116 veículos, o número de vítimas fatais no trânsito caiu 47%, passando de 181, em 1995, para 96, em 2006. No mesmo período, o número total de acidentes caiu de 17.820 para 17.053 (queda de 4,3%); e o de atropelamentos teve queda de 19,7%, passando de 1.001, em 95, para 804, no último ano. Os índices de mortalidade por 10 mil veículos e por 100 mil habitantes também apresentam números satisfatórios: em 1995, foram registradas 5,14 mortes por 10 mil veículos no trânsito de Campinas, sendo que em 2006, o índice caiu para 1,71. Tais números colocam Campinas no mesmo nível de países desenvolvidos, que apresentam índices inferiores a 3,0 mortes/ 10 mil veículos, conforme dados do Internacional Road and Traffic Accident Database (IRTAD): Japão-1,32; Alemanha-1,46; EUA-1,93; França-2,35. Da mesma forma, a quantidade de vítimas fatais por 100 mil habitantes passou de 19,96 em 95, para 9,06 em 2006. Os dados mostram uma grande mudança no comportamento dos motoristas campineiros, mas a comparação em longo prazo confirma a principal preocupação da Secretaria de Transportes no momento: os motociclistas. Enquanto o número de vítimas fatais caiu nos demais segmentos na comparação 1995-2006 (entre os ocupantes dos demais veículos, passou de 69 para 26; entre os pedestres, caiu de 100 para 34), o número de motociclistas mortos no trânsito triplicou: de 12, passou para 36 no ano passado. O secretário de Transportes apontou uma mudança social que justifica o aumento da acidentalidade entre os motociclistas. “A quantidade de motociclistas que fazem moto-frete aumenta a cada dia. Nem sempre essas pessoas estão preparadas, inclusive com o equipamento adequado, para prestar o serviço. Com a resolução federal, esperamos que a acidentalidade caia”, concluiu. Ana Carolina Bertho




