O Bilhete Único completa dois anos de implantação e motivos não faltam para comemorar o início de uma verdadeira revolução no transporte publico de Campinas. O Sistema InterCamp trouxe inúmeros benefícios ao cidadão: agilidade, conforto, segurança, respeito ao meio ambiente e, principalmente, economia no bolso de cada um, assegurando o direito básico de ir e vir à parcela significativa da população que não tinha acesso ao transporte público. O numero de ônibus que o trabalhador usava chegou a ser critério de desempate no mercado de trabalho. Neste segundo aniversário, o Bilhete Único confirma seu potencial como ferramenta de inclusão social e cidadania. Reduziu os gastos do cidadão campineiro com o transporte em R$ 84 milhões, ou seja, cerca de 40 milhões de viagens deixaram de ser pagas pelos usuários, representando 15% do total do Sistema. Essa economia só foi possível graças à adoção da tarifa temporal, única e sem restrição, que possibilita que o usuário utilize quantos veículos necessitar para fazer o deslocamento desejado no período de uma hora, de segunda a sábado, ou duas horas, aos domingos e feriados, com o pagamento de uma única tarifa. Com o Bilhete Único, houve um aumento significativo do número de passageiros no Sistema: a média mensal é de quase 14 milhões passageiros transportados por mês, marca alcançada apenas em 1991. Antes do Bilhete Único, a média era de 9,1 milhões de passageiros/mês. Os dados contrariam a tendência de perda de passageiros observada nas cidades de grande e médio porte de todo o país. O aumento do número de cartões nas ruas revela ainda a expressiva aceitação do InterCamp. Antes da implantação do Bilhete Único, 332 mil cartões FUI (antigo cartão usado no sistema de transportes) estavam em circulação; hoje esse número chega a 750 mil cartões. Deste total, são cerca de 80 mil cartões do Bilhete Único Gratuito, metade para os idosos e a outra para pessoas com deficiência, correspondendo a 7,2% das viagens realizadas. Outras 100 mil crianças e jovens da cidade têm o Bilhete Único Escolar, que garante desconto de 60% na tarifa (um dos mais altos do país) e lhes dá ampla liberdade no uso do benefício. O Bilhete Único também trouxe benefícios na segurança do usuário: ao reduzir a circulação de dinheiro nos ônibus, o cartão gerou a diminuição do risco de assaltos (a queda de ocorrências no interior dos veículos passa de 50%). Nos próximos dois anos, os ônibus e miniônibus do InterCamp serão equipados com GPS e as informações geradas por cada veículo serão recebidas em tempo real pela Central Integrada de Monitoramento de Campinas (CIMCamp). Em um sistema com tantas vantagens, o conforto também chama atenção. Desde 2005, 670 novos ônibus e miniônibus zero quilômetro foram incorporados à frota – uma renovação de 56%. A idade média dos veículos do InterCamp, que em 2004 chegava a 5,24 anos, hoje é de 3,65 anos. Os usuários sabem o que isso significa: veículos mais confortáveis e seguros, que quebram menos e diminuem os atrasos. A nova licitação ainda permitiu a volta do controle sobre as contas do Sistema ao Poder Público depois de mais de dez anos. Desde 2006, a Prefeitura tem acesso a todas as informações financeiras e operacionais do Sistema, que antes estavam nas mãos das empresas. Para a gestão e o controle destes dados, toda a estrutura da EMDEC vem sendo modernizada e capacitada. O transporte também passou a construir mais acessibilidade. Na frota, já são 142 veículos acessíveis, com rampas e elevadores que facilitam o acesso das pessoas com baixa mobilidade. Em 2004, eram só 20 veículos. E a frota do PAI-Serviço (vans adaptadas para o transporte porta-a-porta) também foi ampliada, subindo de dez veículos, para 20 vans e mais dois ônibus especiais. A EMDEC se tornou referência nacional no desenvolvimento da tecnologia utilizada nos veículos acessíveis e no compromisso do transporte público com a ampliação da preservação ambiental e com a qualidade de vida. Campinas foi uma das primeiras cidades do país a antecipar a utilização da mistura de 2% do biodiesel na frota do transporte. 100% da frota de 1200 veículos do InterCamp usa o biodiesel e, nos últimos dois anos, houve redução na emissão de poluentes: 10,4 toneladas de monóxido de carbono, 2,7 toneladas de hidrocarbonetos e 600kg de particulados (fumaça preta expelida pelos veículos) deixaram de ser liberados ao meio ambiente. Para continuar no Rumo Certo, além de ampliar os investimentos na qualificação da mão de obra dos operadores, de ajustes normais e constantes em uma rede com as dimensões da nossa, há ainda a necessidade de investimentos em infra-estrutura, com a implantação de mais de 110 km de corredores exclusivos ou preferenciais ao transporte público, a reforma dos terminais urbanos, a continuidade da pavimentação do itinerário de linhas e a implantação de abrigos. Este projeto, orçado em R$ 245 milhões, foi aprovado pelo BNDES em julho de 2005 e a Prefeitura aguarda a liberação dos recursos para iniciar os investimentos. Por todos esses resultados, é possível afirmar com convicção que a solução para a equação: transportes x qualidade nos serviços x redução de custos x controle da gestão pelo Poder Público teve em Campinas uma fórmula bem aplicada e com ótimos resultados. Parabéns, Campinas! * Hélio de Oliveira Santos é médico cirurgião-pediátrico e Prefeito Municipal de Campinas




